

Ciclo de vida dos biocombustíveis feitos de microalgas indicam que eles são menos eficazes que os de 1ª geração do ponto de vista GEEs.

Os resultados de um novo estudo do ciclo de vida dos biocombustíveis feitos a partir de microalgas indicam que eles podem ser menos eficientes do que os biocombustíveis de 1ª geração no que diz respeito à redução dos gases de efeito estufa (GEEs). O trabalho da Universidade de Virginia (Estados Unidos) foi publicado esta semana na publicação científica especializada em ciências ambientais Environmental Science and Technology.
Responsável pela pesquisa, o engenheiro ambiental Andres Clarens classificou os resultados obtidos como “surpreendentes”. Os dados apontam que a produção de microalgas consome mais energia e água e emite mais GEEs quando comparada à produção de volumes equivalentes de culturas energéticas convencionais como milho ou canola.
Segundo o estudo, o principal culpado da má performance é o uso de fertilizantes. Para manter a produtividade, o cultivo de algas em tanques abertos consome quantidades consideráveis de nutrientes como fósforo e nitrogênio que, por sua vez, são fabricados através de processos intensivos em insumos não renováveis. Além disso, o sistema mais comum usado para separar a biomassa das microalgas da água na qual elas são cultivadas, envolve processos de centrifugação em altas velocidades que consomem quantidades elevadas de energia. Os dados que serviram como base do estudo vieram da revisão de trabalhos científicos anteriores datando da década de 1980 até agora.
“Quando começamos esse estudo estávamos otimistas, acontece que, do ponto de vista do ciclo de vida, as algas não são tão interessantes quanto se poderia supor”, resume Clarens. Não significa que as pesquisas devam ser abandonadas de pronto, segundo o pesquisador seu estudo poderá apontar onde estão os nós que ainda precisam ser desatados antes que a tecnologia de microalgas possa ser considerada sustentável.
Para resolver as dificuldades relacionadas ao consume de fertilizantes, por exemplo, a equipe da Universidade da Virgínia está trabalhando em sistemas que integrem o cultivo de microalgas com o tratamento de esgotos. Dessa forma, as algas podem absorver os nutrientes orgânicos excessivos presentes nos efluentes. Um projeto lançado no final do ano passado está tentando viabilizar um sistema similar de cultivo de algas para ser adotado à projetos de saneamento básico na África Subsaariana.
Lado positivo
Nem todas as notícias são ruins. As algas se saíram melhor do que outras matérias-primas em, pelo menos, um aspecto fundamental: uso do solo.O estudo demonstrou que as algas podem produzir entre quatro e cinco vezes mais biomassa por hectare na comparação com culturas convencionais.
Essa não o primeiro estudo científico a apontar que as microalgas ainda não são uma fonte de energia viável. Em outubro, o Conselho Nacional de Pesquisa dos Estados Unidos publicou um relatório com conclusões similares.
A introdução do artigo publicado na Environmental Sciense and Technology pode ser lida clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações: Scientific American