BiodieselBR
Publicidade

Ministros da UE contra proposta que limita biocombustíveis de 1ª geração

ministros UE_020413Os ministros do meio ambiente da União Europeia (UE) se posicionaram contra a proposta que quer limitar o consumo de biocombustíveis.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
ministros UE_020413
Os ministros do meio ambiente da União Europeia (UE) se posicionaram contra a proposta que quer limitar o consumo de biocombustíveis.

ministros UE_020413A maioria dos ministros do meio ambiente dos países da União Europeia (UE) se posicionaram contra a controversa proposta que quer limitar o consumo de biocombustíveis de 1ª geração. Esse desenvolvimento aconteceu durante o encontro mais recente do Conselho Europeu do Meio Ambiente, que reuniu ministros de 28 países europeus na semana passada em Bruxelas.

Muitos dos países contrários aos limites argumentam que, sem os biocombustíveis convencionais, seria impossível alcançar a meta estabelecida pela EU de que pelo menos 10% da energia no setor de transportes de seus países membros venha de fontes renováveis até 2020.

Os opositores da medida também questionam a lógica que fundamenta a contagem das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) produzidas por mudanças indiretas no uso da terra (Iluc, na sigla em inglês). Existem dúvidas entre os ministros que a ciência por trás da hipótese está madura o suficiente para servir de base à decisões políticas do bloco e temem que uma mudança na direção política nesse momento coloque em risco o esforço e investimentos que já foram feitos para a instalação da indústria de biocombustíveis convencionais.

Apenas os ministros da Holanda, Grã Bretanha, Bélgica e Dinamarca ofereceram apoio completo à medida. O ministro britânico de clima e energia, Ed Davey chegou a classificar a atual política europeia de biocombustíveis de “engano” e exortou seus colegas a encerrá-la. “Quanto antes melhor”, disse.

Entenda
Apresentada em setembro passado, a proposta que se encontra em discussão na Comissão Europeia quer que o consumo de biocombustíveis convencionais – fabricados a partir de commodities agrícolas – fique limitado a, no máximo, 5% da demanda total de energia no setor de transportes da UE. Qualquer coisa acima desse limite teria que vir de biocombustíveis de 2ª geração fabricados com materiais residuais que não desviam matérias-primas de outros mercados.

Inicialmente os biocombustíveis foram celebrados com a principal alternativa aos combustíveis fósseis, mas a lua de mel entre a UE e os biocombustíveis parece ter chegado ao fim quando começaram a surgir dúvidas os impactos dos biocombustíveis.

Além de serem suspeitos de estarem por trás das recentes altas nas cotações internacionais de algumas das principais commodities alimentares, também há a suspeita de que alguns países estariam desmatando florestas nativas para atender a demanda crescente por matérias-primas para a fabricação de biocombustíveis.

“Inadivertidamente, os consumidores europeus estão financiando a fome e a destruição do meio ambiente em países pobres através dos bilhões de Euros que pagam como resultado das misturas obrigatórias, incentivos fiscais e subsídios aos biocombustíveis”, disse ao site EuroActiv o conselheiro político para a UE da ONG Oxfam, Marc-Olivier Herman.

As emissões de gás carbônico causadas pela supressão da vegetação tornaria o balanço geral dos biocombustíveis pior até que o dos combustíveis fósseis que eles substituem.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Compartilhar: