Demanda do bloco europeu por alternativas renováveis ao diesel avançou 5% no ano passado enquanto produção caiu 6%
Oferta e demanda estão caminhando em direções divergentes no mercado alternativas renováveis ao óleo diesel – entram na conta tanto biodiesel quanto óleo vegetal hidrotratado (HVO) – da União Europeia (UE). É o que revelam dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Oferta e demanda estão caminhando em direções divergentes no mercado alternativas renováveis ao óleo diesel – entram na conta tanto biodiesel quanto óleo vegetal hidrotratado (HVO) – da União Europeia (UE). É o que revelam dados compilados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
No ano passado, a produção totalizou 14,4 bilhões de litros. Queda de quase 6,1% em relação ao recorde registrado no ano anterior quando a produção voltou a engrenar, depois de passar cerca de dois anos praticamente patinando no mesmo lugar, e atingiu o nível recorde de 15,4 bilhões de litros. O deslize de 2018 praticamente anulou os ganhos de 2017, devolvendo a indústria europeia aos patamares de atividade em que esteve entre 2015 e 2016.
Além disso, as perspectivas do USDA não são das mais animadoras para a indústria europeia. A produção deve recuar mais 1,9% e fechar o ano atual pouco abaixo de 14,2 bilhões de litros.
No lado do consumo, entretanto, o mercado europeu continua aquecido. As vendas cresceram 5,8% no ano passado, chegando a 16,5 bilhões de litros. E deverá fechar 2019 com 17 bilhões consumidos.
Importações
O motivo desse descolamento vem de um retorno forte das importações despois de cinco anos quase ausentes ao mercado do bloco. Em 2018, cerca de 3,36 bilhões de litros de diesel renovável entraram no mercado europeu.
O patamar de importações deverá ser mantido este ano.
O que explica a virada é a reabertura do mercado às exportações de biodiesel vindo da Argentina e da Indonésia. Atendendo a uma determinação da Organização Mundial do Comércio (OMC), a UE cortou as tarifas de antidumping que vinha cobrando desses dois países desde 2013.
Pelas contas da USDA, a reabertura permitiu que a Argentina embarcasse cerca de 1,9 bilhão de litros para destinos na UE no ano passado. As vendas da Indonésia passaram de 890 milhões de litros. A retomada dos negócios não está acontecendo sem tensões. Apesar da decisão desfavorável na OMC, a UE sinalizou a intenção de voltar a tarifar os produtores da Argentinae, mais recentemente, da Indonésia.
Para evitar que o mercado se fechasse novamente, Buenos Aires e Bruxelas chegaram a um entendimento em meados de fevereiro. Pelos termos do acordo, as usinas argentinas poderão exportar até 1,2 milhão de toneladas de biodiesel anualmente para os países do bloco desde que respeitem um preço mínimo.
Biodiesel em baixa
Além da volta das importações, a indústria europeia de biodiesel também está pressionada pela crescente concorrência do HVO. A produção deste outro tipo de diesel renovável cresceu 2% no ano passado atingindo 2,8 bilhões de litros e, segundo a projeção do USDA, deve passar dos 3 bilhões de litros este ano.
Espremida entre o aumento das importações e do HVO, a produção de biodiesel convencional caiu mais de 7,8% encerrando o ano passado com 11,6 bilhões de litros fabricados.
Apesar da queda, a indústria europeia aumentou sua base produtiva. Os países do bloco fecharam o ano passado com 188 usinas de biodiesel ativas totalizando 21,2 bilhões de litros em capacidade instalada – avanço de 4,4% sobre 2017.
Este foi o primeiro ano de expansão para o segmento desde 2011, ano em que os 28 países do bloco contabilizavam 266 unidades produtivas e quase 25,2 bilhões de litros em capacidade.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com