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Brasil faz ofensiva em Hannover para abrir mercado de biocombustíveis na Europa

Governo do Brasil incluiu representantes do setor de biocombustíveis na delegação do país está participando da edição deste ano da Hannover Messe

Jornal do Comércio 4 min de leitura

A transformação da economia e uma produção industrial mais sustentável ganharam espaço na Feira de Hannover nos últimos anos. Hidrogênio verde e fabricação precisa e sob medida estiveram na agenda central do evento na primeira metade dessa década.

Em 2026, a questão ambiental continua em alta. E, no ano em que o Brasil é o país parceiro em Hannover, a sustentabilidade ganha destaque nas grandes indústrias brasileiras, que contam com espaço privilegiado no encontro deste ano na Alemanha.

É o que se viu nos dois primeiros dias de evento, segunda e terça-feira (21), com ampla movimentação nos estandes das multinacionais brasileiras, além da presença de chefes de governo de Brasil e Alemanha no primeiro dia do evento.

A mineradora Vale, por exemplo, em vez de mostrar tecnologias ou inovações, apostou em destacar a Amazônia, mostrando ações da empresa voltadas a áreas de preservação ambiental nessa região, onde opera há 40 anos.

A catarinense WEG, que tem motores elétricos como carro-chefe, apresenta um portfólio na Alemanha focado na transição energética, em que salienta a eficiência operacional, energias renováveis e mobilidade elétrica.

Mas em meio à crise energética europeia, iniciada pela guerra na Ucrânia e, depois intensificada com o conflito no Irã, os biocombustíveis tiveram os holofotes nos primeiros dias de feira, inclusive com recorrentes citações pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e também pelo chanceler alemão Friedrich Merz.

Do lado brasileiro, o discurso foi ainda reforçado no Encontro Econômico Brasil Alemanha (EEBA), em que o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, ao defender maior intercâmbio comercial pós-acordo União Europeia-Mercosul, fez uma defesa dos biocombustíveis brasileiros, afirmando que há uma visão equivocada na Europa.

O presidente da CNI afirmou que não há problema ambiental ou necessidade de desmatamento para ampliar a produção, considerando as extensas áreas degradadas no Brasil, especialmente no Semiárido, que poderão dar lugar a novos plantios. O presidente Lula acrescentou que a fabricação também não afetará a capacidade do Brasil de produzir ou exportar grãos. “Até porque ninguém come biodiesel ou gasolina”, discursou o presidente, ressaltando que a segurança alimentar é o que um país tem de mais importante.

É crescente no Brasil a fabricação de etanol e biodiesel a partir de culturas como soja e milho. A União Europeia tem restrições à compra de biocombustíveis feitos com matérias-primas que podem servir à alimentação, entraves regulatórios que podem piorar a partir de 2030.

Do lado alemão, Merz elogiou reiteradas vezes a matriz energética renovável do Brasil, bem como a produção de biocombustíveis. Mas não sinalizou nem se comprometeu em comprar o produto brasileiro, embora tenha enaltecido publicamente a parceria da montadora alemã Mercedes-Benz, que testou o uso de biocombustível brasileiro em seu caminhão, iniciativa da empresa gaúcha Be8, que destaca a experiência em seu estande em Hannover.

O presidente da Be8, Erasmo Battistella, falou da relevância de estar na feira alemã neste ano em que o Brasil é o país parceiro. “É muito importante, principalmente pela visibilidade que tivemos na nossa estreia em Hannover, com a presença do governo brasileiro, além do de termos o governo alemão acompanhando o nosso trabalho”, afirmou o executivo em entrevista ao Jornal do Comércio.

Outra empresa alemã que saiu em defesa dos biocombustíveis brasileiros é a Bayer. A subsidiária brasileira, que também tem estande próprio em Hannover, faz coro à tese de que não há um antagonismo entre produção de comida e de combustíveis. A multinacional da Alemanha, por exemplo, é produtora de sementes de milho, amplamente utilizado para a fabricação de etanol no Centro-Oeste do Brasil. Mas ressalta que o País chega a produzir três safras.

Guilherme Kolling – Jornal do Comércio

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