

Na tentativa de baixar a conta com importação de petróleo, a Índia está incentivando o consumo em massa de biocombustíveis. Uma nota divulgada pelo Ministério do Petróleo autoriza o uso da mistura de 5% de biodiesel ao diesel nos setores ferroviário e de defesa do país. O país asiático importa 80% do petróleo que processa.
Na tentativa de baixar a conta com importação de petróleo, a Índia está incentivando o consumo em massa de biocombustíveis. Uma nota divulgada pelo Ministério do Petróleo autoriza o uso da mistura de 5% de biodiesel ao diesel nos setores ferroviário e de defesa do país. O país asiático importa 80% do petróleo que processa.
A estratégia do governo indiano é pautada por dados estatísticos relevantes. O sistema ferroviário do país é o maior consumidor de diesel a granel do país – cerca de 2 bilhões de litros a cada ano. O ministro da Navegação, Transporte Rodoviário e Auto estradas, Nitin Gadkari, disse considerar apropriadas mudanças na política encorajando do uso de combustíveis alternativos e visando à redução das importações.
De acordo com a Associação de Biodiesel da Índia (BAI, na sigla em inglês), apenas 7% do potencial produtivo da indústria do biocombustível do país vem sendo aproveitado. Nas contas da entidade, a capacidade instalada está na casa dos 1,2 milhão de toneladas anuais.
O problema, segundo o presidente da BAI, Sandeep Chaturvedi, estaria nas restrições de mercado que impedem a venda de biodiesel diretamente ao consumidor final. Isso leva com que o biodiesel fabricado na Índia seja destinado principalmente à exportação. O anúncio do projeto voltado ao setor ferroviário pretende modificar esse quadro de baixo consumo interno.
Extensão
As autoridades indianas cogitam ainda a possibilidade do biodiesel ter sua utilização estendida mais tarde a torres móveis, geradores industriais e equipamentos agrícolas. Está em estudo também o aumento gradual do uso da mistura no âmbito aos veículos de passageiros.
"Os biocombustíveis também têm um papel a desempenhar em nossos esforços para lidar com as preocupações ambientais, especialmente quando não podemos descarbonizar de outro modo facilmente”, atribuiu o ministro das Ferrovias, Sadanand Gowda. “No entanto, é fundamental que os biocombustíveis sejam verdadeiramente sustentáveis e rentáveis. A menos que sejam cumpridos esses dois imperativos, não seríamos capazes de proliferar biodiesel da maneira que pretendemos", afirmou.
Brasil
No Brasil, o setor ferroviário caminha em sentido contrário. Há cerca de cinco meses, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) – que representa as empresas do ramo – apresentou ao Ministério dos Transportes um pleito para que o segmento seja isento do uso obrigatório de biodiesel.
O argumento da entidade é que o uso do biodiesel encarece o transporte ferroviário. Nas contas da ANTF, a isenção poderia reduzir as despesas das empresas ferroviárias com o combustível em 1,5%. Desde então, a mistura compulsória no Brasil foi elevada de 5% para 7%.
Cátia Franco – BiodieselBR.com
Com informações Zee News, Business Standard e The Economic Times