Fabricantes dos Estados Unidos, Argentina e Indonésia estão se preparando para a maior guerra comercial do mercado de biodiesel em quase quatro anos.
Há uma grande zona de turbulência em formação no mercado global de biodiesel. Na semana passada, um grupo de fabricantes dos Estados Unidos capitaneado pelo Conselho Nacional do Biodiesel (NBB) deu o primeiro salvo no que pode se tornar a maior batalha comercial do segmento em muitos anos ao acusar Argentina e Indonésia de apelarem para estratégias pouco ortodoxas para conseguirem abocanhar uma fatia maior do mercado de importação dos Estados Unidos que, no ano passado, movimentou 2,6 bilhões de litros.
Há uma grande zona de turbulência em formação no mercado global de biodiesel. Na semana passada, um grupo de fabricantes dos Estados Unidos capitaneado pelo Conselho Nacional do Biodiesel (NBB) deu o primeiro salvo no que pode se tornar a maior batalha comercial do segmento em muitos anos ao acusar Argentina e Indonésia de apelarem para estratégias pouco ortodoxas para conseguirem abocanhar uma fatia maior do mercado de importação dos Estados Unidos que, no ano passado, movimentou 2,6 bilhões de litros.
Os governos da Argentina e Indonésia reagiram rapidamente.
Já na sexta-feira (24), o Ministério de Relações Exteriores e Culto de nosso país vizinho emitiu um comunicado oficial negando as acusações. “As acusações da indústria norte-americana não têm fundamento”, diz. “A alegação sobre um suposto dumping [nas exportações de biodiesel argentinas] não conta com evidências e seus argumentos já foram rechaçados em tribunais internacionais”, prossegue a nota na qual lembra que em outubro a Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu a favor da Argentina numa disputa similar contra a União Europeia.
No ano passado, as exportações de biodiesel com destino aos Estados Unidos renderam US$ 1,24 bilhão.
A Indonésia decidiu nem mesmo esperar uma decisão final do governo dos Estados Unidos para levar essa nova disputa para a OMC. Segundo noticiado pelo Jakarta Post, o governo do país asiático vai apresentar uma reclamação ao órgão que regula o comércio internacional.
O presidente da Associação Produtores de Biocombustíveis da Indonésia, Paulus Tjakrawan, estranhou que o pedido da NBB tenha sido protocolado poucos dias antes da Indonésia entrar na OMC com um processo similar ao que a Argentina havia movido contra a UE.
Ambos os países foram efetivamente barrados do mercado europeu de biodiesel depois que a Comissão Europeia decidiu, em 2013, passar a tarifar suas exportações com base em acusações por prática de dumping não muito diferentes das apresentadas agora. Antes da crise atual, essa havia sido a maior disputa comercial envolvendo o mercado de biodiesel.
Sem unanimidade
Nem todos os produtores de biocombustíveis dos Estados Unidos estão unidos na solicitação. A Associação dos Biocombustíveis Avançados (ABA) publicou nota na qual declara “oposição veemente” à ação liderada pela NBB.
A ABA tem entre seus membros a Louis Dreyfus e a Wilmar Internacional, empresas que possuem, respectivamente, usinas na Argentina e na Indonésia
Para resumir, o pedido protocolado pela NBB junto ao Departamento do Comércio do governo dos Estados Unidos acusa a Argentina e Indonésia de praticarem dumping – vender seu biodiesel a preços abaixo do custo – numa tentativa de alavancarem suas vendas. Eles pedem que sejam adotadas barreiras contra as exportações desses dois países.
A NBB nega que esteja surfando a onda protecionista que ganhou força depois da eleição de Donald Trump. Segundo a associação, a petição apresentada essa semana já estava sendo elaborada antes da eleição norte-americana de novembro passado.
Se a acusação dos fabricantes for aceita pelo Departamento de Comércio, serão impostas tarifas preliminares contra o biodiesel fabricado na Argentina e Indonésia. O pedido será, então, analisado pela Comissão de Comércio Internacional que poderá impor a punição por um período de cinco anos.
A NBB já vinha demonstrando preocupação com as exportações de biodiesel argentino desde que Agência de Proteção Ambiental permitiu, em janeiro de 2015, que o produto de nossos vizinhos poderia ser vendido no mercado norte-americano em condições de igualdade com o produto local. A associação chegou a questionar a decisão na justiça, mas teve seu pedido negado.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Há uma grande zona de turbulência em formação no mercado global de biodiesel. Na semana passada, um grupo de fabricantes dos Estados Unidos capitaneado pelo Conselho Nacional do Biodiesel (NBB) deu o primeiro salvo no que pode se tornar a maior batalha comercial do segmento em muitos anos ao acusar Argentina e Indonésia de apelarem para estratégias pouco ortodoxas para conseguirem abocanhar uma fatia maior do mercado de importação dos Estados Unidos que, no ano passado, movimentou 2,6 bilhões de litros.
Os governos da Argentina e Indonésia reagiram rapidamente.
Já na sexta-feira (24), o Ministério de Relações Exteriores e Culto de nosso país vizinho emitiu um comunicado oficial negando as acusações. “As acusações da indústria norte-americana não têm fundamento”, diz. “A alegação sobre um suposto dumping [nas exportações de biodiesel argentinas] não conta com evidências e seus argumentos já foram rechaçados em tribunais internacionais”, prossegue a nota na qual lembra que em outubro a Organização Mundial do Comércio (OMC) decidiu a favor da Argentina numa disputa similar contra a União Europeia.
No ano passado, as exportações de biodiesel com destino aos Estados Unidos renderam US$ 1,24 bilhão.
A Indonésia decidiu nem mesmo esperar uma decisão final do governo dos Estados Unidos para levar essa nova disputa para a OMC. Segundo noticiado pelo Jakarta Post, o governo do país asiático vai apresentar uma reclamação ao órgão que regula o comércio internacional.
O presidente da Associação Produtores de Biocombustíveis da Indonésia, Paulus Tjakrawan, estranhou que o pedido da NBB tenha sido protocolado poucos dias antes da Indonésia entrar na OMC com um processo similar ao que a Argentina havia movido contra a UE.
Ambos os países foram efetivamente barrados do mercado europeu de biodiesel depois que a Comissão Europeia decidiu, em 2013, passar a tarifar suas exportações com base em acusações por prática de dumping não muito diferentes das apresentadas agora. Antes da crise atual, essa havia sido a maior disputa comercial envolvendo o mercado de biodiesel.
Sem unanimidade
Nem todos os produtores de biocombustíveis dos Estados Unidos estão unidos na solicitação. A Associação dos Biocombustíveis Avançados (ABA) publicou nota na qual declara “oposição veemente” à ação liderada pela NBB.
A ABA tem entre seus membros a Louis Dreyfus e a Wilmar Internacional, empresas que possuem, respectivamente, usinas na Argentina e na Indonésia
Para resumir, o pedido protocolado pela NBB junto ao Departamento do Comércio do governo dos Estados Unidos acusa a Argentina e Indonésia de praticarem dumping – vender seu biodiesel a preços abaixo do custo – numa tentativa de alavancarem suas vendas. Eles pedem que sejam adotadas barreiras contra as exportações desses dois países.
A NBB nega que esteja surfando a onda protecionista que ganhou força depois da eleição de Donald Trump. Segundo a associação, a petição apresentada essa semana já estava sendo elaborada antes da eleição norte-americana de novembro passado.
Se a acusação dos fabricantes for aceita pelo Departamento de Comércio, serão impostas tarifas preliminares contra o biodiesel fabricado na Argentina e Indonésia. O pedido será, então, analisado pela Comissão de Comércio Internacional que poderá impor a punição por um período de cinco anos.
A NBB já vinha demonstrando preocupação com as exportações de biodiesel argentino desde que Agência de Proteção Ambiental permitiu, em janeiro de 2015, que o produto de nossos vizinhos poderia ser vendido no mercado norte-americano em condições de igualdade com o produto local. A associação chegou a questionar a decisão na justiça, mas teve seu pedido negado.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com