BiodieselBR
Publicidade

Governo Trump reduz metas para biocombustíveis nos EUA

O Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo dos Estados Unidos anunciou uma redução nas metas de uso de biocombustíveis para os anos de 2018 e 2019.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
O governo de Donald Trump deu um banho de água fria na indústria de biocombustíveis dos Estados Unidos. Na semana passada, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) pôs fim a meses de espera e divulgou as metas para o para o Renewable Fuel Standard (RFS) nos anos de 2018 e 2019. O documento traz números ligeiramente inferiores do que as que haviam sido definidas um ano atrás.

O governo de Donald Trump deu um banho de água fria na indústria de biocombustíveis dos Estados Unidos. Na semana passada, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) pôs fim a meses de espera e divulgou as metas para o para o Renewable Fuel Standard (RFS) nos anos de 2018 e 2019. O documento traz números ligeiramente inferiores do que as que haviam sido definidas um ano atrás.

A proposta tornada pública pela EPA nessa última quinta-feira (06) traz as metas para combustíveis celulósicos, avançados e etanol para o ano que vem e para o biodiesel em 2019. Esses não são, necessariamente, os números finais uma vez que o documento ainda se encontra sob consulta pública. Os números finais só deverão ser anunciados no final de novembro.

Em relação ao tamanho superlativo do mercado norte-americano, a mudança é relativamente modesta: no ano que vem as petroleiras terão que adquirir 72,8 bilhões de litros de biocombustíveis, 150 milhões a menos do que em 2017. Além disso, os cortes só afetam as metas específicas para etanol celulósico e biocombustíveis avançados enquanto poupam biodiesel e etanol convencional. Isso fez com que os diferentes segmentos alternassem entre reações de alívio e de preocupação.

EPARevisado TABELA 110717
Biodiesel

Para os fabricantes de biodiesel a perspectiva de um mercado estagnado a partir de 2019 não foi bem recebida uma vez que quebra com a política de ampliação nos volumes obrigatórios que a EPA vinha sustentando nesses últimos anos. No quinquênio entre 2014 até 2018, o mandato saiu de 6,2 bilhões de litros para pouco menos de 8 bilhões. Um crescimento acumulado de 28,8%.

Além disso, como o biodiesel – embora tenha uma meta independente – é considerado pela EPA como um “biocombustível avançado” e isso significa que haverá, ao menos indiretamente, redução no mercado potencial para as usinas norte-americanas o que desagradou os fabricantes. Grosso modo: esgotado o volume obrigatório de biodiesel para o ano, as usinas podem continuar comercializando seu produto até o limite da meta de avançados.

Feitas as devidas conversões (a EPA fixa o objetivo para avançados em galões de etanol equivalente) as usinas poderão colocar quase 2,9 bilhões de litros a mais no mercado. Com os cortes que entrarão em vigor esse espaço extra cairá para 2,4 bilhões de litros.

Reação

Segundo a Associação Nacional do Biodiesel (NBB), a nova proposta é uma “oportunidade perdida”. “A EPA deveria estar comprometida com a diversificação do mercado de diesel e com a priorização dos biocombustíveis avançados. Essas metas ignoram a realidade e o sentido da lei ao inibir o crescimento da indústria”, disse a vice-presidente a organização Anne Steckel num comunicado oficial distribuído à imprensa.

A organização, no entanto, mantém um certo otimismo e espera que a EPA acaba elevando os números até o fechamento da proposta final. “Essa é apenas uma proposta preliminar”, lembra a executiva informando que a NBB defende uma meta de 19,8 bilhões de litros para os biocombustíveis avançados e de 10,4 bilhões de litros para o biodiesel.

Os produtores de soja ligados à Associação da Soja Americana (ASA) também ventilaram sua frustração. “A falta de crescimento nos volumes de biodiesel e a redução nos biocombustíveis avançados é um desapontamento”, disse o presidente da entidade Ron Moore que apontou para a safra recorde colhida pelos Estados Unidos na safra 2016/17 – 117,2 milhões de toneladas – como um sinal de que seria possível ir além.

Etanol

Já a indústria de etanol convencional recebeu com certo alívio a manutenção da meta anterior de 57 bilhões de litros que é o máximo permitido para este biocombustível. “Essa proposta manterá a RFS no caminho certo e proverá estabilidade regulatório para os produtores de etanol disse Monte Shaw, diretor executivo da Associação dos Combustíveis Renováveis do Iowa.

O Instituto Americano do Petróleo (API) – organização o setor de petróleo e gás natural – comemorou a decisão da EPA de promover cortes embora lamentando que eles não tenham sido ainda mais profundos. O diretor de downstream da associação, Frank Macchiarola cobrou que Congresso faça mudanças urgentes nesse “programa falho e antiquado”.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Compartilhar: