Produção das usinas argentinas no começo de 2019 teve seu pior resultado desde o primeiro trimestre de 2015
A indústria de biodiesel da Argentina está passando por uma de suas piores fases. Dados oficiais da Secretaria de Governo de Energia mostram que uma virtual paralização nas exportações do biocombustível levou a uma queda de mais de um terço no ritmo de atividade das usinas do país durante o primeiro trimestre de 2019.
A indústria de biodiesel da Argentina está passando por uma de suas piores fases. Dados oficiais da Secretaria de Governo de Energia mostram que uma virtual paralização nas exportações do biocombustível levou a uma queda de mais de um terço no ritmo de atividade das usinas do país durante o primeiro trimestre de 2019.
Com 375,4 mil toneladas – algo em torno de 411,7 milhões de litros – de biodiesel fabricadas, 35,1% menos que no mesmo período de 2018. Trata-se do nível de produção mais baixo desde o primeiro trimestre de 2015 ano que em que indústria argentina encolheu cerca de 30% e voltou aos mesmos patamares que tinha em 2010.
A crise atual já vinha se pronunciando no horizonte pelo menos desde meados do ano passado. Em maio, a produção teve seu pico para, então, entrar numa forte curva descendente. No apanhado geral do ano passado, a produção encolheu cerca de 15,4%, ficando em 2,43 milhões de toneladas.
Sem exportação
O motivo dessa queda drástica foi a virtual paralização das exportações de biodiesel pela Argentina nos primeiros dois meses de 2019.
Entre janeiro e fevereiro os portos argentinos ficaram a seco sem que nenhuma mísera gota do biodiesel fosse embarcada. Essa é uma situação absolutamente inédita para um país onde as exportações chegaram a responder por virtualmente 100% das vendas das usinas entre 2008 e 2010.
Essa parada brusca, aconteceu depois a União Europeia ameaçou voltar a impor tarifas antidumping as exportações de biodiesel argentino. Comitê de Defesa Comercial do bloco europeu chegou a votar pela recriação das tarifas que haviam sido descontinuadas depois de uma decisão da OMC, mas autoridades europeias e argentinas acabaram chegando a um acordo para a criação de um piso de preços.
Depois do acordo a situação melhorou – pelo menos um pouco. Em março, uma carga de 60 mil toneladas de biodiesel saiu em direção à Holanda. Ainda assim, o primeiro trimestre de 2019 foi o mais magro para as exportações argentinas num histórico que vem desde 2008. Tanto em volume (60 mil toneladas) quanto em faturamento (US$ 45,7 milhões).
No mesmo período de 2018, as exportações foram de 319,1 mil toneladas e renderam US$ 223,6 milhões
Mercado interno
O mercado interno não conseguiu compensara queda nas vendas externas.
A demanda argentina de biodiesel foi de 257,5 mil toneladas, praticamente estável em relação ao primeiro trimestre de 2018 quando 260,4 mil toneladas saíram das usinas.
Melhora
Mesmo que parcial, a reabertura do mercado europeu parece ter injetado ânimo novo os fabricantes.
O último mês do trimestre foi o responsável por mais de metade – 53% – da produção registrada em todo o período. Em março, saíram das usinas um total de 198,8 mil toneladas de biodiesel.
Analisado de forma isolada, a produção cresceu 11,7% entre março de 2018 e março de 2019 indicando que a queda atual pode acabar sendo outro soluço no desempenho do setor no país vizinho.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com