

As plantações de pinhão-manso que deveriam abastecer a produção de biodiesel no Zimbábue com óleo vegetal nunca alcançaram a produtividade esperada.

Uma grande fábrica de biodiesel construída no Zimbábue com capital de um grupo empresarial de origem coreana e do governo do país subsaariano está parada há quatro anos. O motivo é que as lavouras de pinhão-manso que deveriam abastecê-la com óleo vegetal nunca alcançaram a produtividade esperada.
Em entrevista ao portal allAfrica, o ministro da Ciência e Tecnologia do Zimbábue, Heneri Dzinotyiwei, admitiu que, por menos por enquanto, a jatropha não é capaz de sustentar produção. Segundo ele, experimentos demonstraram que, além das variedades baixa produtividade de óleo relativamente baixa, o manejo tornaria praticamente impossível o cultivo em escala comercial. Para atingir níveis ótimos de produtividade, cada planta precisaria de um espaçamento de três metros. Isso exigiria a dedicação de grandes áreas para a cultura o que comprometeria a disponibilidade de terras para cultivos de primeira necessidade.
“Fizemos pesquisas e percebemos que não conseguiríamos uma produção significativa”, disse o ministro. “Simplesmente não funciona. Não há um único lugar no mundo onde a jatropha esteja sendo produzida comercialmente, mesmo no Brasil ou na Índia onde foram feitos experimentos”, completou.
As estimativas iniciais era que para atingir a produção necessária para adicionar 10% de biodiesel ao diesel de petróleo consumido no Zimbábue seriam necessários 120 mil hectares de pinhão-manso.
Sem a matéria-prima esperada, a planta acabou subutilizada. Agora, o governo olha para matérias-primas mais convencionais – como a soja – para tentar resgatar o projeto. “Acho que os proprietários da usina deveriam procurar alternativas. Há a necessidade de incentivar o cultivo de soja e outras oleaginosas”, avalia.
Contudo, o plano do governo do Zimbábue de transformar a área no entorno do empreendimento num polo de produção de oleaginosas também não vai lá muito bem por falta de recursos para financiar os produtores.
As nações africanas têm grande interesse na produção de biodiesel. Relativamente pobres em petróleo, a importação de combustíveis fósseis é um grande peso sobre as contas desses países que também viam a possibilidade de se inserirem como produtores num mercado internacional promissor.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações: allAfrica