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[CBBR 2017] O setor de biodiesel em compasso de espera

Setor volta a cobrar "previsibilidade" na Conferência BiodieselBR 2017 enquanto espera que Planalto cumpra compromissos assumidos em relação ao B10 e ao RenovaBio.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
“Previsibilidade”. Este voltou a ser o grande mantra ouvido de praticamente todos os atores envolvidos com a cadeia do biodiesel – fabricantes, processadores de oleaginosas e distribuidoras – durante as falas da Conferência BiodieselBR 2017. Um chamado à prudência que contrasta bastante com o clima de efervescência que dominou a maior parte da edição anterior.

“Previsibilidade”. Este voltou a ser o grande mantra ouvido de praticamente todos os atores envolvidos com a cadeia do biodiesel – fabricantes, processadores de oleaginosas e distribuidoras – durante as falas da Conferência BiodieselBR 2017. Um chamado à prudência que contrasta bastante com o clima de efervescência que dominou a maior parte da edição anterior.

Não é que faltem de perspectivas de avanço para a indústria de biodiesel. Há sinais muito favoráveis ao setor no horizonte. Mas há, igualmente, muitas dúvidas. Como o diretor de redação de BiodieselBR.com, Miguel Angelo Vedana, bem lembrou em sua palestra de abertura “não só o B10 está batendo à porta como temos previsão legal para o B15”.

Só isso não basta. “Se o governo realmente quiser, no ano porque vem poderemos adotar o B11. Vai acontecer? Quais serão os critérios para fazermos essa programação?”, questionou Miguel ressaltando a importância da Conferência como um espaço onde tais perguntas pudessem começar a serem respondidas.

Ele lembrou ainda que, em 2018, o setor de biodiesel vai completar 10 anos desde o lançamento da mistura obrigatória. Marco que coloca em questão o que se pode esperar dos próximos 10 anos. “Se chegarmos em 2018 com B10, o natural seria atingirmos B20 em 2028. Não seria fácil, mas também não seria impossível desde que as usinas mantenham o bom trabalho que fizeram até agora”, lembrou.

Incerteza

Entre as dúvidas que mais têm assombrando o setor nesses últimos meses estão precisamente suas duas maiores esperanças de um futuro melhor pela frente: o RenovaBio e a antecipação do B10.

Embora ambos continuam parecendo ao alcance da mão, graças as reiteradas garantias dadas pelo primeiro escalão do governo federal. O próprio presidente Michel Temer chegou a se comprometer com ambos. No entanto, a hesitação do Planalto em fazer os anúncios logo de uma vez vem impacientando o setor. “Temos garantias [sobre a antecipação para março] do B10, mas isso não está publicado. Enquanto não estiver no DOU a gente não vai ter segurança que que vai mesmo acontecer”, resumiu o superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski.

Chegamos ao ponto em que já temos quem pareça farto de esperar. O presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel, deputado Evandro Gussi, foi o porta-voz dessa frustração. “A gente entende as dificuldades e temos sido extremamente compreensivos”, disse ressaltando que se não houver logo uma decisão da parte do Executivo, a frente poderá tomar a dianteira. “Eu disse ao [ministro-chefe da Casa Civil Eliseu] Padilha, não em tom de ameaça, mas no de quem quer construir, que já temos um caminho aberto para apresentar o RenovaBio na forma de um projeto de lei com urgência e que o Senado está pronto a trabalhar conosco. O RenovaBio vai acontecer de uma maneira ou de outra”, advertiu.

Oportunidade

E foi com esses grandes pontos cegos pela frente que uma boa parte dos palestrantes voltou a martelar a necessidade garantir previsibilidade ao mercado de biodiesel.

Não apenas as usinas que, naturalmente, estão ávidas por saber quando podem esperar crescer nos próximos anos. Mas, também, outros elos da cadeia. As esmagadoras que esperam que a demanda adicional do biodiesel as ajude a reagir num momento em que elas enfrentam dificuldades para sustentar as margens de seus negócios. Já as distribuidoras ressaltam que precisam saber, com alguma antecedência, quanto biocombustível elas terão que movimentar para que possam se preparar adequadamente em termos de infraestrutura.

Em sua fala presidente do conselho da Ubrabio, Diego Ferres, lembrou ainda que vivemos um salto de importação de diesel. “Não há justificativa para a gente ter esse nível de importação de diesel e não estarmos avançando na produção de biodiesel”, lamentou salientando que a produção de biocombustíveis representa uma janela de oportunidade que está se fechando conforme o mundo olha com mais carinho para a eletrificação das frotas. “Essa é uma oportunidade histórica para que o Brasil dê o salto civilizatório que estamos precisando. Não podemos desprezar isso”, ponderou Diego.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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