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[CBBR 2017] A importância do biodiesel para o Brasil

Lideranças do setor e politicas discutem a forma como o biodiesel pode ajudar a dar um empurrão extra na combalida economia brasileira.
BiodieselBR.com 7 min de leitura
Embora certamente não tenha a musculatura necessária para resolver tudo sozinho, o biodiesel certamente pode dar um empurrão a mais que a economia brasileira tanto ano precisando. Seria uma ajuda muito bem-vinda num momento em que o país ainda patina em suas tentativas para se libertar do atoleiro em que caiu nos últimos anos.

Embora certamente não tenha a musculatura necessária para resolver tudo sozinho, o biodiesel certamente pode dar um empurrão a mais que a economia brasileira tanto ano precisando. Seria uma ajuda muito bem-vinda num momento em que o país ainda patina em suas tentativas para se libertar do atoleiro em que caiu nos últimos anos.

Compreender quais as contribuições que o biodiesel poderá dar para que o Brasil reencontre o caminho do crescimento econômico foi o tema do painel de abertura da Conferência BiodieselBR 2017 que reuniu lideranças das três principais entidades de representação do setor – Abiove, Aprobio e Ubrabio – além do deputado federal Evandro Gussi e o senador Cidinho Santos.

Crescimento certo

Mesmo que – de uma forma mais geral – o setor tenha trocada o entusiasmo pela prudência este ano, há pouca dúvida real de que as perspectivas são de crescimento. O único ponto de interrogação é qual será o ritmo da expansão. Afinal de contas, Lei 13.263/2016 continuará garantindo que, com ou sem a antecipação que vem sendo prometida pelo Planalto, chegaremos ao B10 e com boas chances de avançar rumo ao B15 sem maiores percalços.

E isso tudo sem nem depender da implementação do RenovaBio.

“O setor vai dar o que falar, e muito bem, num futuro próximo”, elogiou o ex-presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, acrescentando que apesar das dificuldades a indústria de biodiesel “já mostrou a que veio de uma forma muito competente” ao longo desses últimos anos.

Lembrando dos primórdios do setor, o executivo ressaltou que a produção da indústria vem acresceu de forma praticamente ininterrupta desde seu começo – saindo de pouco mais de 735 mil litros fabricados em 2005 para mais de 3,8 bilhões de litros no ano passado. “E, se tudo der certo com a antecipação da mistura e a demanda, em 2018 chegaremos em 5,5 bilhões de litros”, antecipou.

Em cascata

Uma característica importante do segmento de biodiesel é que seu crescimento tem um efeito multiplicador importante sobre outros segmentos da economia brasileira.

Caso, por exemplo, do poderoso complexo soja. Embora o Brasil seja hoje o segundo maior produtor de soja em grão do planeta – atrás somente dos Estados Unidos – com uma colheita de quase 114,1 milhões de toneladas este ano, o país tem encontrado dificuldade em agregar valor à sua produção. Hoje pouco mais de 40% da soja colhida é processada em território nacional. “Nós exportamos 63 milhões de toneladas de soja in natura. Na prática estamos exportando fábricas, empregos e oportunidades que estamos deixando de gerar aqui para outros países”, reclama Lovatelli para quem uma política mais agressiva de expansão de biodiesel poderia ser um vetor para permitir a que a agregação de valor de uma parcela maior da soja brasileira acontecesse internamente.

Não são apenas os produtores rurais e indústrias que vivem da soja a serem beneficiado. Segundo o presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Erasmo Battistella, os benefícios do biodiesel são fortemente sentidos em cidades e regiões do interior do país. “Segundo um estudo realizado pela Fipe por encomenda da Aprobio, em todas as cidades onde há produção de biodiesel o PIB melhorou. Sendo que o contrário também é verdadeiro. Cidades onde as usinas fecharam a gente viu uma queda acentuada do PIB”, destaca. “Nesse sentido, o governo acertou em cheio. O biodiesel é uma excelente ferramenta de promoção do desenvolvimento regional”, celebrou.

Substituição

Além de agregar valor ao produto local e capilarizar o desenvolvimento econômico país adentro, o representante da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), Antin Bianchini, lembrou que o biodiesel pode ser uma solução para diminuir a crescente dependência brasileira em relação ao diesel importado. “Esse ano temos visto recordes de importação de diesel com volumes mensais importados acima de um bilhão de litros”, afirma. “Aumentar o consumo de biodiesel, portanto, ajudaria a mitigar o gap entre a produção e o consumo de diesel”, complementa.

De acordo com Erasmo, trocar diesel importado por biodiesel nacional não ajudariam apenas nas contas externas. Segundo aquele mesmo estudo da Fipe, a cadeia de biodiesel gera mais que o dobro de empregos – 113% para ser mais preciso – do que a cadeia de diesel para fabrica o mesmo volume de combustíveis. “Comparando com a mera importação, então, nossa vantagem seria ainda maior”, garante.

“É algo que ajudaria na sustentabilidade do Brasil tanto do ponto de vista ambiental quanto na redução das importações e inventivo à verticalização da produção das cadeias industriais”, ressalta Antin .

Previsibilidade

“[O biodiesel] tem um potencial enorme, mas para explorá-lo temos que ter previsibilidade no avanço da mistura para que as coisas aconteçam sem solavancos”, aponta o dirigente da Abiove.

Essa é, também, uma preocupação de Erasmo. “Precisamos olhar para uma agenda pós-B10 para que não tenhamos outro ‘voo de galinha’ onde o setor dá uma decolada e logo precisa pousar de novo”, reclama.

É nesse ponto que o deputado Evandro Gussi acha que a Frente Parlamentar do Biodiesel pode contribuir positivamente. Embora ele garanta que B10 esteja bem encaminhado e que há suporte dentro do governo federal para que ele realmente chegue em março no ano que vem, os passos seguintes são incertos. “Temos que criar um processo previsível para a implementação da mistura obrigatória até o B15. Esse é um processo que a gente realmente precisa começara a trabalhar”, reconhece o político destacando, no entanto, os sucessos que o setor já teve anteriormente ao conseguir aprovar seu novo marco regulatório no Congresso Nacional.

Sobre o RenovaBio e a aparente hesitação do Palácio do Planalto em anunciar seu novo programa de uma vez, Evandro é taxativo – o programa virá mesmo que o Legislativo tenha que tomar a frente do processo. “Já temos todo um caminho para a apresentação de um projeto de lei com urgência e o Senado está pronto para trabalhar conosco rapidamente. O RenovaBio vai acontecer de uma maneira ou de outra”, garantiu.

Na avaliação do senador Cidinho Santos o PL a tendência é mesmo que o RenovaBio seja apresentado na forma de uma Medidas Provisória. Mas, venha de que lado for, o parlamentar garante que haverá uma articulação a favor do setor. “Se o governo apresentar como MP, estaremos prontos para fazer as emendas que possam melhorar o projeto”, assegura

Pontos cegos

Embora o setor esteja caminhando bem em algumas frentes. Alguns dos palestrantes ressaltam que é necessário olhar em outras direções. Erasmo aponta o relativo desinteresse do setor bancário pelo biodiesel o que dificulta a vida dos empresários na hora de conseguir os financiamentos necessários para viabilizar projetos. “A gente vai movimentar entre 5,5 e 6 bilhões de litros [no ano que vem] o que deverá render uns R$ 13 bilhões. Isso é muito dinheiro. Nós precisamos ter mais bancos presentes em nossas discussões”, problematizou.

Ele ressalta ainda que embora o RenovaBio caminhe na direção correta ao valorizar, ao menos em parte, as externalidades ambientais do biodiesel. Também seria preciso encontrar uma forma de valorizar adequadamente as externalidades sociais do produto geradas pela Selo Combustível Social. “O biodiesel brasileiro tem uma característica é que única no mundo que é sua integração com a agricultura familiar. São mais de 70 mil famílias de pequenos produtores rurais vendendo matérias-primas para as usinas”, alegra-se.

Por fim, Erasmo colocou uma inquietação: e a rentabilidade da indústria? “A gente está fazendo um esforço grande para aumentar a mistura, mas gastamos relativamente pouco tempo para debater a rentabilidade do setor. Temos que gastar mais energia nisso”, provocou.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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