BiodieselBR

[Conferência] A volta do déficit de diesel

O diretor do MME, Ricardo Dornelles, vai analisar o cenário de déficit persistente de óleo diesel no mercado brasileiro durante a Conferência BiodieselBR.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
“Essa mudança aconteceu em função do ajuste do Plano de Negócios da Petrobras. Eles priorizaram investimos de exploração e produção de petróleo”, reconhece o diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles. Essa fala transparece uma mudança significativa nas perspectivas de do setor de combustíveis líquidos no Brasil sobre a qual o servidor falará no 2º dia da Conferência BiodieselBR no dia 27 de outubro.

“Essa mudança aconteceu em função do ajuste do Plano de Negócios da Petrobras. Eles priorizaram investimos de exploração e produção de petróleo”, reconhece o diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME), Ricardo Dornelles. Essa fala transparece uma mudança significativa nas perspectivas de do setor de combustíveis líquidos no Brasil sobre a qual o servidor falará no 2º dia da Conferência BiodieselBR no dia 27 de outubro.

Até recentemente, o planejamento de longo prado do governo federal levava em conta que, nos próximos anos, o país se tornaria um exportador líquido de diesel fóssil. Isso aconteceria graças a uma série de novos investimentos que a Petrobras vinha fazendo no segmento de refino. Acontece que, com a crise da Petrobras, a autossuficiência virou miragem. De acordo com a versão mais atual do Plano Decenal de Energia (PDE) o país vai continuar importando durante toda a década.

Isso reabre o espaço para que a indústria de biodiesel ajude na melhoria das contas externas do país. “Para o mercado de biodiesel, isso é favorável porque você teria um apelo maior para aumentar a produção para diminuir a importação de diesel”, reconhece Dornelles.

Soma zero

Embora esse argumento reforce a posição da indústria de uma forma geral, ele não chega a ser definitivo.

Em primeiro lugar, porque o MME considera que o atual nível de importação de diesel “é administrável”. “O nível de importação que o PDE mostrou não é alarmante, a gente teria condições de mantê-lo”, analisa Dornelles.

Fora isso, é uma questão trade off que pode – muito bem – terminar sendo um jogo de soma zero. Para aumentar a produção de biodiesel e deixarmos de gastar importando diesel, precisaríamos deixar de ganhar exportando óleo de soja. “O óleo de soja é uma commodity cujo preço tende a acompanhar o do petróleo, em tese, para a balança de pagamentos, se eu trocar o diesel por óleo de soja meu resultado vai se anular”, explica o diretor do MME reconhecendo, no entanto, que as coisas podem não ser tão simples. “A balança comercial é uma coisa danada porque seu resultado vai depender tanto das cotações internacionais como do câmbio”, completa.
Há um fator extra que precisa ser computado antes que essa matemática esteja resolvida: a questão da agregação de valor sobre a soja em grão que um aumento da produção de biodiesel permitiria.

Emissões

Além da mudança nas perspectivas de autossuficiência no mercado de diesel, recentemente, o governo deu um novo alento ao setor ao incluir um possível aumento do na utilização de bioenergias em sua Pretendida Contribuição Nacionalmente Determinada (iNDC, na sigla em inglês) que entrará no processo de negociação do acordo climático que deverá ser fechando este ano durante 21ª Conferência das Partes (COP 21) em Paris.

O documento diz que o país chegará em 2030 emitindo 43% menos gases de efeito estufa em relação aos níveis registrados em 2005. Oficialmente, a bioenergia e os biocombustíveis farão parte desse esforço e deverão representar 18% da matriz brasileira.

O governo não chegou a se comprometer abertamente com uma meta para o biodiesel, como ressaltou Dornelles. “O compromisso é com o nível de emissões e você pode chegar na meta por diversas vias, não tem nada explicitado de quanto vai ser de biodiesel ou de etanol”, alerta o servidor. O blend de biocombustíveis que possibilitará chegar à meta mais geral terá que ser desenhado ao longo do tempo.

Preocupação

Segundo Dornelles, o governo federal não chega a se preocupar com a capacidade da indústria em manter o mercado devidamente abastecido – mesmo num contexto em que haja novos estímulos para um eventual aumento da mistura. “O mercado está dado e tem uma capacidade fabril adequada com agentes de perfil diferente reunindo esmagadores e usinas médias cuja composição têm permanecido estável ao longo dos dois últimos anos”, analisa.

Além disso, ele ressalta que o nível de investimento – ainda que menor – vêm se mantendo em patamares adequados. “Temos menos investimento, mas que estão adequados à realidade mercadológica”, finaliza.

Conferência

Ricardo Dornelles participará do 2º dia da Conferência BiodieselBR 2015, o evento acontecerá entre 26 e 27 deste mês no Hotel Tivoli Mofarrej, região central da cidade de São Paulo.

A programação completa do evento pode ser acessada clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Compartilhar: