O painel final da Conferência BiodieselBR 2015, apresentado por Alexandre Cardoso Caldeira, discutiu a questão do diesel marítimo.
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Todo o diesel brasileiro é vendido adicionado de 7% de biodiesel? Se sua resposta foi “sim”, pense novamente. Até hoje, o diesel marítimo goza de uma isenção especial e é vendido puro. O painel final da Conferência BiodieselBR 2015, apresentado pelo técnico da ANP, Alexandre Cardoso Caldeira, discutiu as particularidades dessa fatia de mercado.
Todo o diesel brasileiro é vendido adicionado de 7% de biodiesel? Se sua resposta foi “sim”, pense novamente. Até hoje, o diesel marítimo goza de uma isenção especial e é vendido puro. O painel final da Conferência BiodieselBR 2015, apresentado pelo técnico da ANP, Alexandre Cardoso Caldeira, discutiu as particularidades dessa fatia de mercado.
O fato mais notável sobre esse mercado, é que seu volume é relativamente restrito: menos de 1,5% do diesel consumido no Brasil vai para o segmento náutico. Segundo Caldeira, no ano passado foram comercializados no Brasil 798 milhões de litros de diesel marítimo num universo de 60 bilhões de litros de óleo diesel.
Contudo, isso deixa de fora um player importante, cujo consumo não aparece no radar: a Petrobras. Com suas operações offshore, a estatal consumiu perto de 2,4 bilhões de litros do combustível no ano passado. Somando nisso outros 81 milhões de litros que foram exportados, temos aí mais de 3,2 bilhões de litros de diesel – 5,3% do mercado –sem qualquer recebe adição de biodiesel.
ISO
O motivo de, até hoje, não ocorrer a mistura adição de biodiesel no diesel marítimo é a preocupação com segurança. Quando um veículo terrestre apresenta qualquer problema, isso certamente é uma inconveniência; mas, para uma embarcação em alto-mar, temos uma situação de risco de vida que vai demandar uma operação de resgate.
Ainda mais quanto parte da frota que usa esse produto é formada por barcos de uso intermitente. São embarcações de recreação e até de uso militar que podem ficar paradas um bom tempo entre um uso e outro, o que aumenta o risco de degradação do combustível em seus tanques. Só o diesel 100% mineral já pode degradar nos tanques, tanto que, segundo Caldeira, nos Estados Unidos, há empresas especializadas em atender donos de embarcações que estejam às voltas com combustível contaminado.
Fora isso, muitas embarcações transitam entre fronteiras de diversos países, os combustíveis navais são regidos por regras internacionais definidas pela Organização Internacional para Padronização (ISO). Por pura prudência, ela vem adiando a inclusão do biodiesel em suas regras.
Caldeira, no entanto, ressalta que isso está para mudar. A partir do ano que vem a ISO vai admitir até 7% de biodiesel nos dieseis marítimos
Isso está sendo possível pelo avanço do conhecimento na área. Um caso exemplar foi o da Volvo Ocean Race – uma regata de volta ao mundo patrocinada pela montadora sueca – do ano passado. Em sua etapa norte-americana, a corrida recebeu apoio da National Biodiesel Board (NBB) que forneceu aos 65 barcos participantes combustível renovável.
No Brasil também temos experimentos realizados pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) em barcos de pesca artesanal que são abastecidos com B50 e B70.
Por conta desse desdobramento, Caldeira explica que a ANP está estudando modelos que permitirão que o diesel marítimo também passe a ser vendido misturado com biodiesel. Ele antecipa que a partir do 2º semestre de 2016, a agência deverá anunciar um novo modelo para o segmento. “É uma realidade que está para acontecer, a agência deve iniciar uma discussão com o mercado para aprofundar o assunto e ver os modelos a considerar”, finaliza.