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[BiodieselBR 2013] A voz do cliente

BiodieselBR2013 LucianoLiborio_061113O diretor de Abastecimento e Regulamentação do Sindicom, Luciano Libório, trouxe o posicionamento das distribuidoras para a Conferência BiodieselBR 2013.
BiodieselBR.com 7 min de leitura
O diretor de Abastecimento e Regulamentação do Sindicom, Luciano Libório, trouxe o posicionamento das distribuidoras para a Conferência BiodieselBR 2013.

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O diretor de Abastecimento e Regulamentação do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), Luciano Libório, iniciou sua palestra lembrando que as empresas ele representa são os clientes das usinas. “Se o cliente tem sempre razão, espero ter alguma razão aqui”, articulou. Ele foi o responsável por abrir o painel da Conferência BiodieselBR 2013 que reuniu as opiniões dos elos da cadeia que não estão diretamente envolvidos com a produção do biocombustível e que, em geral, possuem algum tipo de ressalva ao aumento da mistura compulsória.

Ao comentar o papel das distribuidoras dentro da cadeia de biodiesel, Libório comparou a distribuição ao “irmão do meio”. “O mais velho é o produtor, que é o responsável, tem o carinho dos pais. Os revendedores e os consumidores são o ‘caçula’, podem errar um pouquinho. Já as distribuidoras são iguais aos irmãos do meio: empurra para lá, empurra para cá, e a gente tem que se ajeitar”, brincou.

O diretor do Sindicom apontou que as distribuidoras cumprem a missão fundamental de interiorizar os combustíveis que são fabricados – ou importados – pelo litoral. Eles ainda precisam coordenar todos os deslocamentos de biodiesel pelo território nacional através, principalmente, das rodovias que se encontram bastante saturadas.

Por isso, ele ressaltou a importância de diversificar a matriz logística do setor. “Temos iniciativas a serem consolidadas com transporte ferroviário. Inclusive, existe um fluxo entre o Rio Grande do Sul e Araucária, no Paraná, embora ainda com um volume pequeno, mas constante”, informou Libório. “Vai ter um fluxo importante em Rondonópolis até a base em Paulínia. Existem outras iniciativas também em estudo”, disse acrescentando que também há uso de hidrovias para o transporte de biodiesel. “Na Região Norte, transportamos bastante biodiesel em balsa”, revelou.

Dificuldades do B7
Segundo a estimativa do diretor do Sindicom, em linhas gerais, a ampliação do B5 para o B7 colocaria ainda mais estresse sobre um sistema de transportes que ele considera estar perto de seu limite. “Quem trabalha no dia a dia contratando caminhões sabe que o mercado do país está escasso nesse serviço”, afirmou. “Não dá para uma distribuidora chegar de uma hora para outra e dizer que daqui a 30 ou 60 dias vai precisa de tantos caminhões a mais para transportar biodiesel”, expôs. Lembrou que, caso a transportadora consiga atender à solicitação, tal “empenho” redundará em mais custos.

Um teor maior de biodiesel ao diesel também pode aumentar as chances de produtores e distribuidores acabarem multados nas estradas. De acordo com o diretor do Sindicom, os caminhões que rodam no país foram projetados para transportar diesel, etanol ou gasolina, de forma que usar esses veículos para carregar um produto mais denso – caso do biodiesel –, eleva os riscos de multas. “Praticamente 90% das operações de transporte de biodiesel estão passíveis de multa por peso bruto total ou peso bruto total combinado”, estimou. “Aumentou a mistura, aumentou o problema.”

Segundo Libório, produtores e distribuidoras têm conversado na tentativa de buscar alternativas para o problema, assim como a Petrobras tem dialogado com o governo para ver se consegue obter alguma tolerância. Mas, por enquanto, não houve avanços definitivos.

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Investimentos
As dificuldades não se limitam ao transporte. Num cenário de aumento da mistura, as distribuidoras também teriam que atualizar suas instalações. Algo que não seria viável fazer do dia para a noite.

Segundo o diretor do Sindicom, a mistura do biodiesel ao diesel não é feita nos tanques, mas no instante do carregamento. E como o marco regulatório estabelecia um teor de mistura de 5% de biodiesel ao diesel até 2013, as distribuidoras fizeram investimentos dentro dessa perspectiva. “Os injetores que compramos têm limitação para B6”, disse alertando que, caso haja uma elevação de mistura a curto prazo, ocorrerão falhas de carregamento, além de problemas relacionados à incapacidade. “E não estou falando em base pequena, mas base grande, próxima à refinaria, que atende mercados consumidores importantes do País.”

Libório pontuou que é possível trocar os dosadores adequando-os ao novo patamar de mistura. Entretanto, tais investimentos necessitariam de um prazo não inferior a seis ou oito meses. E esse seria apenas o menor dos problemas. O real gargalo do setor, segundo o palestrante, está na tancagem das bases. “O consumo de combustíveis cresceu muito nos últimos anos, precisamos de investimento em tancagem”, disse. Acrescentou que todo o processo para a construção de novos tanques pode levar até 24 meses e ressaltou ainda que um terço das bases distribuidoras vinculadas ao Sindicom precisaria de ampliação com a entrada do B7.

Fraude
O diretor do Sindicom alertou ainda que o fato de biodiesel ainda ser mais caro diesel pode servir de incentivo a fraudes. “Dá margem para o cara que não quer adicionar o biodiesel efetivamente fazer isso”, disse. Segundo ele, não existe no mercado um método rápido e eficaz para aferir o teor de uma amostra de biodiesel ao diesel, somente testes em laboratórios cujo resultado leva tempo para sair. “Distribuidoras do porte da Ipiranga, da BR, da Raizen não têm o equipamento para testar as amostras em suas bases”, revelou.

Libório traçou um paralelo com o etanol anidro, alegando que no caso desse biocombustível é possível identificar se existe alguma inconformidade na mistura. “Se pegar uma mistura de anidro com gasolina e adicionar água, é possível dizer ‘aqui tem 25% ou 30% de anidro’. Com o biodiesel não é assim”, afirmou.

Para o diretor do Sindicom, a existência de um sistema de leilão permite a ANP ficar de olho no mercado para verificar se os distribuidores estão adquirindo volumes de biodiesel condizentes com a quantidade de óleo diesel que vendem. Embora isso ajude a evitar fraudes mais grosseiras, não é um método totalmente a prova de falhas. “Esse balanço é nacional”, observou. “O distribuidor que não quer misturar biodiesel pode comprar o biocombustível no Mato Grosso, colocar B20, entregar e, para São Paulo, colocar zero. Ele ganha a diferença do frete”, problematizou apontando que uma mistura maior poderá aumentar o incentivo para esse tipo de fraude.

Água
Embora tenha admitido uma considerável redução de problemas na qualidade do biodiesel, o diretor do Sindicom ponderou que eles ainda existem. “O produtor fez um grande trabalho nesse sentido”, elogiou.

Entretanto, Libório teme que a mudança na especificação do teor de água, a partir de janeiro o máximo passa a ser 200 ppm, pode causar uma inversão nesse quadro. Não que a qualidade vá piorar, mas será mais difícil manter o padrão mais rígido ao longo da cadeia. “Não vai ser nada fácil para o produtor. E mais difícil ainda para o distribuidor e revendedor”, reconheceu. “O biodiesel é higroscópico, gosta de absorver água. Se rodar mil quilômetros, é certo que vai ficar fora de especificação.”

Ele contou que o Sindicom fez um acompanhamento nas empresas vinculadas à entidade, entre os meses de setembro e outubro deste ano, e verificou que menos de 5% dos caminhões estava dentro dos 200 ppm. “Será que vai haver a mudança gigantesca até janeiro?”, questionou. Durante o debate deste painel o presidente do Conselho da Aprobio, Erasmo Battistella, explicou que as usinas não estão produzindo biodiesel com 200 ppm por que custa mais caro produzir com essa especificação mais rígida do que com a vigente nesse momento.

Antevendo problemas, o Sindicom está negociando junto à ANP uma diferenciação na especificação para os produtores e para as distribuidoras e revendedoras. Segundo Libório, no caso destas, haveria uma tolerância em relação ao teor de água. Segundo ele, a associação pleiteia 300 ppm.

Também no debate Battistella, criticou a demora na tomada de uma atitude por parte da distribuição. “O que o Sindicom nos traz aqui hoje é uma novidade, uma margem significativa para a distribuição e revenda, que nós acreditamos pode ser negociada. Mas nós, usinas, já fizemos os investimentos para 200 ppm. Como ficam os investimentos que fizemos lá trás?”, indagou. “Essa era uma discussão de deveria ter sido feita lá trás”, ponderou.

A parte dessas dificuldades, Libório ressaltou que os produtores não são os únicos que precisam de um horizonte de previsibilidade que garanta seus investimentos. “A gente quer 24 meses para resolver todos os pontos que levantamos”, disse ao final da palestra.

Cátia Franco – BiodieselBr.com

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