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[BiodieselBR 2013] Fazendo a ponte

BiodieselBR2013 SandroBarreto_121113Na Conferência BiodieselBR 2013, o gerente de comercialização de biodiesel da Petrobras, Sandro Barreto, falou sobre os projetos da estatal para o setor.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Na Conferência BiodieselBR 2013, o gerente de comercialização de biodiesel da Petrobras, Sandro Barreto, falou sobre os projetos da estatal para o setor.

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Como gerente de comercialização de biodiesel da Petrobras, Sandro Barreto ocupa uma posição chave na cadeia de biodiesel. Afinal, virtualmente todo o biodiesel fabricado no país precisa passar – num momento ou outro – pelos sistemas que ele e sua equipe administram para a petrolífera estatal.

Nos últimos anos, a empresa tem feito um esforço intenso para que sua presença seja cada vez menos perceptível dentro do setor. A ideia é não ser – ainda que involuntariamente – uma pedra no caminho. “Na verdade, tudo o que vou contar aqui já havia sido dito no ano passado como uma hipótese e, hoje, estou trazendo como algo já realizado”, disse o palestrante.

Sandro explicou que, grosso modo, o envolvimento da Petrobras com o setor de biodiesel se divide em três etapas: a operação dos leilões nos quais as distribuidoras adquirem o produto posto à venda pelas usinas; o planejamento das entregas; e a programação das mesmas – ou seja, em que tempo os caminhões das distribuidoras poderão ir às usinas buscar o biodiesel adquirido. Não bastasse isso, a estatal também administra todos os faturamentos do setor e ajuda a dirimir disputas entre fabricantes e distribuidores no tocante à qualidade.

Apesar da evidente complexidade quando se leva em conta que estamos falando de uma operação mais de 2,7 bilhões de litros, o palestrante garante que tudo tem funcionado perfeitamente bem. “A operação está acontecendo de uma forma bastante suave, exatamente como a gente combinou com o MME, ANP, produtores e distribuidores”, elogiou.

Leilão
Do ponto de vista da condução dos leilões, o ponto que atualmente a Petrobras quer melhorar é a duração dos certames. “A gente não gostaria que o leilão se estendesse por tantas horas. Mas, por outro lado, temos que olhar os motivos disso acontecer. Estamos falando de um volume muito expressivo que é todo negociado no mesmo dia numa disputa com mais de 100 compradores e mais de 40 pontos de entrega”, evidenciou.

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Essa complexidade inviabiliza que a Petrobras possa resolver a questão determinando um horário final de encerramento das vendas. “Se tivéssemos um término automático algumas distribuidoras de menor porte poderiam perder todo o volume que haviam comprado nos últimos segundos do leilão. Se eles não tiverem a chance de se recuperarem, acabaríamos penalizando-os”, explicou defendendo o desenho o sistema de prorrogações automáticas que acabam fazendo as disputas se prolongarem. Ainda assim, a estatal vem promovendo uma série de ajustes como a meta de tornar a disputa mais ágil.

Venda a ordem
Outra dificuldade está no fato nada banal de que a Petrobras não está diretamente envolvida na imensa maioria dos negócios do setor. Isso cria complexidades nem um pouco trivais. “Acompanhar a entrega de um produto numa usina que não é sua não é algo que se consiga fazer com facilidade. A gente precisou aprender como vender produto em plantas de terceiros e isso levou alguns anos”, contou.

Nos últimos anos, a Petrobras vem atuando para simplificar o processo como um todo. Isso, segundo Sandro, foi feito ouvindo as reclamações dos clientes e conversando com o mercado. Um dos principais gargalos era o sistema de faturamento. Para que os caminhões das distribuidoras pudessem entrar vazios dentro de uma usina de biodiesel até que saíssem devidamente carregados, havia um labirinto com 17 passos que podia levar até 48 horas para ser completamente superado. “Agora automatizamos tudo o que podia ser automatizado”, destacou.

Parte dessa nova eficiência aconteceu graças ao uso de uma ferramenta chamada CC-Caminhão. Ela permite às distribuidoras negociarem com as usinas o melhor dia e horário para fazer a retirada do produto. “O caminhão já sai pré-aprovado para entrar na usina e ser carregado imediatamente sem depender em nada da Petrobras”, expôs. “Feito o carregamento e emitida a nota fiscal da usina, em meros seis minutos o sistema do CC-Caminhão emite a nota da Petrobras.”

O resultado é que, em sua atual encarnação, o processo tem nove passos e demora no máximo 3 horas para ser completado. “Isso significa menos caminhão-tanque na rua, sem que o mercado tenha que pagar sobre-estadia”, comemorou. Sandro lembrou que eles chegaram até a receber reclamação de prefeitos por causa de filas de caminhões em portas das usinas.

Para conseguir imprimir esse grau de tranquilidade e segurança ao setor, a Petrobras teve que investir R$ 3 milhões para fazer as adaptações necessárias nos sistemas. “Esse foi um investimento significativo na carteira de tecnologia de informação da área comercial da Petrobras”, evidenciou. Há novidades à vista, segundo o palestrante: a Petrobras está investindo para tornar o sistema mais flexível.

Relacionamento
Para conseguir que um sistema como esse caminhe sem contratempos, a Petrobras precisou construir um relacionamento sólido com as duas principais pontas da cadeia – produtores e distribuidores. “Precisa muita conversa. Hoje, a papel principal da Petrobras é aproximar o fornecedor do distribuidor. No modelo anterior, a disputa era entre fornecedores, então ainda precisa mostrar que agora o cliente faz parte do modelo. Essa foi uma quebra de paradigma e acho que o setor reagiu extremamente bem”, avaliou.

Algo que a Petrobras está tentando implementar é uma mudança no sistema de contratos usados pelo setor. A ideia é que eles passem a ser tripartites – assinados pela Petrobras, pelas usinas e distribuidoras. Dessa forma, o setor daria mais um passinho em direção ao sistema de comercialização aberta, sem que a Petrobras precise se retirar do segmento. “Seria a individualização da compra”, resumiu ressaltando que esse modelo permite um aprofundamento da conversa.

Opções
Mas a maior novidade apresentada ao público da Conferência BiodieselBR 2013 é o novo modelo de estoques reguladores de biodiesel. Introduzido em meados do ano, os leilões de opções vêm sendo considerados um sucesso. “Temos conseguido uma adesão de 80% dos fornecedores em condições de participar dos leilões”, comemorou. Segundo Sandro, o histórico da empresa mostra que quatro dias de estoque são suficientes para garantir o mercado. Atualmente, isso significa aproximadamente 35 mil metros cúbicos em opções de compras dos quais aproximadamente um terço seriam executados de fato.

Ele também destacou que logo deverá haver mais capacidade à disposição da formação de estoques reguladores. Sandro disse que, atualmente, as usinas precisam ter capacidade de entregar 100% de suas opções em, no máximo, cinco dias. Contudo, a Petrobras vem pensando em aumentar essa janela para sete dias, o que eleva em 40% o volume de opções disponíveis. “O sistema de estoque por opções tem apresentado confiabilidade para garantir a demanda com boa qualidade de produto e custo acessível”, completou.

Com todos esses avanços recentes nos bastidores da cadeia, o palestrante considera que a Petrobras poderá lidar com tranquilidade com teores maiores de biodiesel. Melhor que isso. O custo Petrobras do sistema também está ficando mais baixo. “Nesse leilão passado [33º Leilão], o custo Petrobras foi de R$ 35, no próximo, vai ser R$ 30. E estamos buscando a meta de R$ 20 para o ano que vem. Isso significa uma redução direta no custo do biodiesel, indiferente de qualquer produtor”, finalizou.

Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
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