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Energia

Petrolíferas alertam para escassez de energia


Valor Econômico - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Companhias petrolíferas internacionais iniciaram campanhas publicitárias advertindo que o petróleo está acabando e conclamando a sociedade ajudar o setor a fazer algo a respeito.

As cinco maiores empresas do setor usualmente afirmam que projetos petrolíferos são viáveis com o preço do barril entre US$ 20 e US$ 25.Mas a publicidade que veiculam – e parte de suas próprias estatísticas – parece contar uma história diferente. A ExxonMobil, maior companhia mundial do setor de energia, diz em recente anúncio: “O mundo defronta-se com enormes desafios energéticos. Não há respostas fáceis”. No relatório “Outlook for Energy: A 2030 View”, a empresa do Texas prevê que a produção de petróleo fora da Opep, o cartel que controla 75% das reservas mundiais, atingirá seu pico em apenas cinco anos.

A Chevron, segunda maior empresa de energia dos EUA, sinaliza preocupação semelhante, mas vai dois passos além. “Uma coisa é clara: a era do petróleo fácil terminou. Pedimos a cientistas e educadores, políticos e autoridades governamentais, ambientalistas, líderes empresariais e cada um de vocês a tomar parte na reformulação para a próxima era energética. Não podemos ficar de braços cruzados”, foi a mensagem publicitária recente.

A companhia criou um site (www.willyoujoinus.com) advertindo sobre as pressões criadas pela demanda elevada e pelo menor número de campos, e oferecendo um fórum para discussões. Um alto executivo de uma petrolífera especula que suas rivais estariam tentando obter redução da demanda, o que daria a elas tempo para descobrir jazidas de exploração mais difícil.

Outro executivo disse que as empresas poderão granjear alguma simpatia diante da dificuldade que enfrentam na prospecção de reservas e no desenvolvimento da produção.

A francesa Total fez nesta semana a mais recente aquisição nas vastas areias petrolíferas de Athabasca, no Canadá, onde as companhias estão obtendo, dessas areias, betume com teor extra de alcatrão, numa operação extrativa cara que requer grandes cuidados para não causar danos ao meio ambiente.

Yves-Marie Dilibard, diretor de comunicações da Total, explicou a lógica por trás da campanha: “(A satisfação das ) necessidades energéticas futuras implica no desenvolvimento de novas técnicas e em ir mais longe a mais fundo na busca de petróleo e gás. Isso está no cerne do trabalho atual da Total”.

A Royal Dutch Shell e a BP, os maiores grupos energéticos europeus, sentiram os efeitos de se aventurarem em fronteiras mais difíceis. A Shell foi obrigada por ambientalistas a mudar de rota um oleoduto que ameaçava baleias raras no ártico russo, a um custo extra de US$ 10 bilhões.

Em sua publicidade, a BP apóia energias alternativas. Já a ExxonMobil, que sem arrependimento abandonou alternativas que não se revelaram lucrativas, diz num de seus anúncios: “Desejos não devem encobrir a realidade”.

No entanto, responder às preocupações dos consumidores, até mesmo sobre a possível escassez de petróleo, não é função primordial de uma petrolífera. Alguns acionistas ficaram perplexos com os anúncios, após ouvirem mensagem bem distinta por ocasião de reuniões sobre resultados.

Nei McMahon, analista da Sanford Bernestein, disse: “Esses anúncios conflitam com os comentários feitos a investidores no que diz respeito a preços futuros do petróleo e à capacidade dos produtores de atenderem a demanda, e nos perguntamos se essas mensagens são efetivamente um bom indicador do pensamento das companhias”.

Os consumidores também não são a preocupação prioritária de um grupo ainda mais importante: as petrolíferas nacionais de países produtores, como a Arábia Saudita.

O reino tem como mais alta prioridade sua crescente população e a estabilidade do regime. Isso, aliado à dificuldade para encontrar novas reservas petrolíferas, explicam em parte o aperto na capacidade produtiva. Não há volume de propaganda que possa modificar essa dinâmica