Chegaremos ao ponto “G” empregada por Lula é metonimicamente “Globalização” de plena bilateralidade. H.Duque lembrou J.F.Dulles: “nações não tem amigos, tem interesses”. Na tela uns míseros píxeis sobre biodíesel. Mas nenhum um pio sobre Petrobrás/HBio. O jogo biocombustível é pesado e há jogadores hábeis. Por aqui: o Pres. alemão H. Kohler e suas 1,67 milhões de ton/2005 de biodiesel. O italiano R. Prodi, também. USA: etanol de amido (57,5%) do milho (32 milhões de ha; > 8 ton/ha); Brasil: de cana (no mínimo 30% mais barato). A cana dá caldo, bagaço (210 kWh/ton), etanol e yeast cake. A hierarquia (e custos) de complexidade quimio-biotecnológica crescente é sacarose -> amido -> ligno-(hemi)-celulose) [1,2]. Quem gera mais CO2 anti-Kyoto, bagaço queimado ou fermentação ? Dados impressionam (v.Tabela). O interesse norte-americano pelo etanol brasileiro não é de hoje. O mesmo para o biodiesel : “Biodiesel Magazine” (1(3); pg. 28) transcreveu “Before 2010 Brazil will be world shopping place for biodiesel” literalmente a partir de nossa palestra na Biodiesel Natl. Conf. e Expo de 2004 em Palm Springs,CA, para 550 sojicultores da ASA e NBB. Enquanto redigia este artigo a partir de 15/3/2007, a gasolina valia R$ 2,35 em Curitiba-PR e R$ 1,71 em San Diego-CA-USA. A razão entre salário-mínimo dos operários USA / BR é 5,4 x. Lá ele dirige um Corolla de 2ª. mão); aqui sequer um “Fusca”.
Cito (sempre em ordem alfabética) mais 3 cartas e naipes do PR: garantia de valor agregado para o grão do pequeno agricultor (palestra no “1º. Semin. PR de Biodiesel” que organizamos em Londrina-PR, 2003); maturidade de um senador ligado às coisas e causas agrícolas; políticas públicas como “Luz Fraterna” e “ICMS nulo ou favorecido”. O. Pessuti, O. Dias e R. Requião. Um conjuminamento paranaense se desenha ? O alfabeto neo-energético paranaense é vasto. Só para citar 2 letras, alfa: os pioneiros G.Ottmann (COAMO) e R.Fontana (AustenBio) na COCAMAR de 1982-1983 faziam circular com biodiesel próprio de borra de óleo de algodão caminhões Scania e M.Benz com B-100 (biodiesel puro) por milhares de Km até o aborto imposto pelo SNI. Ômega, a vinda da ítalo-brasileira Brasbiofuel para cá.
Considerações e sugestões sobre a questão
Neste poker Texas Holdem biocombustível, meus considerandos e uma sugestão bonafide:
a) Lula pediu a suspensão da tarifa de importação de US$ 0,54 / galão imposta ao etanol brasileiro; Bush (republicano) contrapôs que está sem esta força política ante o Congresso (maioria democrata) embora queira o etanol brasileiro para redução de 20% nos derivados combustíveis de petróleo nos próximos 10 anos. Mas ali (seg. “Isto É”, 1950) o senador Richard Lugar (republicano) luta contra a poluição e portanto a favor do etanol brasileiro e da redução de sobretaxas.
b) o “Air Force Lula”, que tal qual um Boeing / NASA poderá estar voando com o bioquerosene do cearense Expedito Parente, tem várias poltronas, uma com a reserva “PR – celeiro da nação” (20,5 milhões de ton na safra nacional atual de grãos de 124 milhões).
c) Uma redução em 25% da sobretaxa seria saldo positivo para um FuRSCCan – “Fundo de Recomposição Salarial dos Cortadores de Cana” (aqueles que em roupagem pesada brandam o podão 9.700 x na faina diária de 10 ton de cana / dia – seg. E.S.Lima de Brasil de Fato). A tecnologia de cadastrar e remunerar os mais pobres o Brasil já domina com o “Bolsa Família”. Tal fundo faria uma redistribuição de renda. Se totalmente abolida a inamistosa tarifa uma alternativa tipo PPP vale. Meu disputado exemplar de O Estado vai ao correio na direção do ás de ouro que na infância já foi 2 de paus olhando a quase monocultura de canaviais pernambucanos. BR e USA equidividem 72% do etanol mundial. Igual empate dar-se-á no biodiesel, também pensado no Brasil como intocável instrumento de inclusão social [3]. Não cabe a palavra “compaixão” aqui ventilada para 3os (JDF).
José Domingos Fontana (jfontana@ufpr.br), professor emérito da UFPR, prêmio paranaense em C&T (1996) e pesquisador 1ª do CNPq (1996-2006).
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Números de Brasil e Estados Unidos |
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Parâmetro comparativo |
Brasil |
Estados Unidos |
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01-PIB (Produto Interno Bruto) (GDP) – ano 2005 (US$ milhões de dólares) (dados do World Bank) |
794.098 |
12.455.068 |
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02-População (milhões) |
184 |
300 |
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03-Frota total (n° veículos; milhões de unidades) |
28 |
230 |
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04-Veículos por habitante |
0,15 |
0,77 |
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05-Produção de petróleo (milhões de barris / dia)+ |
1,84 |
8,6 |
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06-Importações de petróleo (milhões de barris / dia)+ |
0,0 ++ |
12,4 |
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07-Consumo de petróleo (milhões de barris / dia)+ |
1,8 |
21,0 |
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08-Consumo de gasolina (bilhões de litros / ano) |
15 +++ |
530 |
|
09-Produção de etanol (bilhões de litros / ano) (2005)& |
15,9 |
14,8 |
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10-Consumo de etanol (bilhões de litros / ano) |
15 |
22 (combustível) |
|
11-Exportações de etanol (bilhões de litros / ano) |
2,4 |
0 |
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12-Capacidade para Biodiesel (bilhões de litros / ano) @1 |
0,27 |
3,27 |
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13-Produção de Biodiesel (bilhões de litros / ano) @2 |
? |
0,284 @2 |
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14-Salário do Presidente da Nação (US$ / mês) * |
4.231** |
33.333 |
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15-Salário Pres. Suprema Corte ou STF* (US$/mês)* |
11.667 |
16.908 |
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16-Salário de Dep. Federais e Senadores (US$/mês)* |
6.178 ** |
14.042 *** |
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17-Salário mínimo (US$ /mês de 22 d.u. x 8h dia = 176 h) |
167 |
906 |
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(+) 1 barill = 159 L;1 galão = 3,785 L; (++) importa 2% como diesel; (+++) graças ao etanol; (&) ex-UNICA e Kansas Ethanol + RFA (@)1 = capacidade instalada(2005); seg. C.M.Teixeira & M.E.Morales, INT, 2006 e NBB (2006), 864 milhões de galões ; (@2 = produção efetiva (2005), 75 milhões de galões, seg. NBB; (*) mais outras vantagens de moradia, transporte e/ou verba indenizatória ou similares ; (**) a ser reajustado em 2007 em 28% (inflação acumulada); (***) a partir de jan/2007 |
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fonte M. Maciel; 2-Out-2006; Energy Bulletin; modificada e adendada por J.D.Fontana 1 US$ = R$ 2,10 |
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[1] J.D.Fontana (1986) “Aproveitamento racionalizado da fitobiomassa”. Informativo CONCITEC, Ano I, no. 3, pg. 4;
[2] J.D.Fontana (2001) “Hidrólise fosfórica de amido” – patente (INPI) PI-0002001-0, Rev.Propr.Ind. 1617, 132, 2-1-2002;
[3] J.D.Fontana (2004) cap.8.4 e palestra na Câmara Federal em 5/11/2003 em “Biodiesel e Inclusão Social”, rel. Dep.Fed. A.Holanda (CAEAT).
Fonte: O Estado do Paraná