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Brasil na liderança da transição do petróleo para biomassa

Não existe nada mais “up-dated” no mercado energético mundial do que a produção e utilização de Energias Renováveis.
Koblitz 4 min de leitura
Não existe nada mais “up-dated” no mercado energético mundial do que a produção e utilização de Energias Renováveis. Recomendações da Comunidade Européia aos países membros, legislação de diversas nações obrigando aos players do mercado a opção por esse tipo de energia, incentivo governamental para sua a aquisição e programas de governos para a produção de energia com o uso da biomassa são algumas das ações percebidas.

Também se vê claramente empresas repensando todo o seu processo produtivo por meio de alternativas que utilizem matérias-primas renováveis. Com sua modificação para a utilização de combustível renovável, a empresa invariavelmente ganha em eficiência energética, além de agir em um conceito ambientalmente amigável. Na Europa e nos Estados Unidos os consumidores estão optando por adquirir uma energia menos poluente e que não contribua para o efeito estufa.

O mundo pensa fortemente em energia renovável e o Brasil tem uma grande oportunidade em suas mãos. Para se ter uma idéia, apenas o setor sucroalcooleiro do Brasil pode chegar a produzir 12 mil megawatts em geração com biomassa. A percepção de outros Estados com relação às nossas possibilidades nesta área são talvez mais claras para eles do que para nós mesmos. “O Brasil é um país predestinado a liderar a transição mundial da civilização do petróleo para a civilização moderna da biomassa”. Esta afirmação é do Prof. Ignacy Sachs, do Centro de Estudos sobre o Brasil Contemporâneo, da França, para citar um exemplo.

Em meu entender, o Brasil liderará esta transição mais cedo ou mais tarde, a depender de nossas ações não só como país, mas também como empresários. Já a expressão “civilização moderna” refere-se que podemos liderar agora e não uma futura civilização. Moderna significa atual, do presente, e não posterior.

Na utilização da biomassa como energético, o Brasil não só detém a tecnologia há pelo menos 35 anos, como a tem provado e aperfeiçoado nos setores sucroalcooleiro, madeireiro, de papel e celulose, além de outros segmentos que possuem caldeiras e turbinas a vapor desenvolvidas e fabricadas no território brasileiro. Passaríamos sem dúvida a ter uma vantagem competitiva maior se desenvolvêssemos estudos e pesquisas aprofundadas na gaseificação de biomassa, o que elevaria o potencial energético do setor sucroalcooleiro para aproximadamente o dobro, ou seja, para 24 mil megawatts.

O mercado externo para a Energia Renovável não se restringe à exportação de álcool combustível e/ou biodiesel. Podemos exportar equipamentos para geração de energia e vapor, bem como a solução para os sistemas de geração e, principalmente, engenharia e serviços. Os equipamentos projetados e produzidos no Brasil não estão aquém em eficiência e em qualidade quando comparados a equipamentos fabricados no exterior para as mesmas aplicações. A capacidade de integração dos sistemas (engenharia) também é tão competente ou mais.

É neste ponto que me referia que, mais cedo ou mais tarde, lideraremos a transição do petróleo como fonte energética para a biomassa. Depende sobretudo dos empresários. É necessária uma decisão, com visão estratégica da empresa, em atuar no mercado internacional, buscando os canais de comercialização a as oportunidades, fazendo um trabalho perseverante e com visão de médio e longo prazo, pois o mercado se mostra interessante. Porém, como em todo mercado, é preciso que se conquiste um espaço e isto só vem com trabalho. Não é algo fácil e rápido, uma vez que temos que adquirir a confiança e o respeito do público externo. Portanto, quanto mais cedo esta visão for implementada, mais cedo conquistaremos este mercado.

E o que as empresas brasileiras precisam com relação ao governo não é de incentivos diretos para a produção, mas de políticas de desenvolvimento para que possam produzir e manter as atividades no País, e estarem ‘vivas’ quando houver o retorno do investimento de tempo e valores no comercio exterior. Me junto aqui ao coro de vários setores do Brasil como: aço, grãos, sapatos, madeira, além de outros, quando colocam que a taxa de câmbio irá prejudicar muito as exportações do Brasil, num breve espaço de tempo. Quanto antes tivermos políticas de crescimento do Brasil, mais cedo estaremos na liderança da civilização moderna da biomassa.

Marcílio Reinaux - Diretor de Exportação da Koblitz
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