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Com frete rodoviário em alta, ferrovia e hidrovia ganham espaço, aponta XP

Redução da frota de caminhões, reforma tributária e possível alta do diesel em 2027 devem elevar custos do transporte rodoviário e favorecer outros modais

CNN Brasil 3 min de leitura

A perspectiva de alta do frete rodoviário deve ampliar a competitividade das ferrovias e do transporte hidroviário no escoamento da produção agrícola brasileira. A avaliação é da XP Investimentos, em relatório sobre o agronegócio e transportes, que aponta uma combinação de fatores de pressão sobre os custos do escoamento por caminhões.

Entre eles estão a redução da frota disponível, o fim dos créditos de PIS/Cofins a partir de 2027, previsto na reforma tributária, e a possibilidade de aumento do preço do diesel.

Segundo a corretora, operadores já têm cotado contratos para o primeiro semestre de 2027 com reajustes de dois dígitos em relação aos meses de pico deste ano, apenas para compensar o impacto tributário.

O relatório também destaca que o setor rodoviário passa por um processo de ajuste depois de anos de expansão da frota. Com uma parcela maior dos grãos sendo absorvida pela indústria de etanol de milho e biodiesel, o excedente exportável cresce em ritmo mais lento.

Um dos operadores logísticos ouvidos pela XP Investimentos reduziu sua frota em aproximadamente 30% nos últimos dois anos e planeja novos cortes.

A pressão sobre o frete pode ter efeitos diferentes conforme a rota. No corredor entre Sorriso (MT) e Barcarena (PA), o transporte rodoviário representa cerca de 67% do custo logístico até o porto, ou R$ 280 por tonelada, de um total de R$ 420. Já na rota de Sorriso a Santos, com utilização da ferrovia da Rumo, essa participação é de aproximadamente 40%.

Segundo o relatório, essa diferença torna o corredor ferroviário mais competitivo em um cenário de encarecimento do transporte por caminhões. A avaliação é de que a Rumo está bem posicionada para se beneficiar desse movimento, com possibilidade de reajustes tarifários ao longo de 2027.

Em entrevista recente ao Conexão Infra, o diretor-presidente da Portos do Paraná, Luiz Fernando Garcia, apontou que essa migração na movimentação já está acontecendo em 2026. Segundo ele, o Porto de Paranaguá perdeu espaço no escoamento de fertilizantes para o Porto de Santos pelo aumento do custo do frete rodoviário, que empurrou a carga para as ferrovias.

A expectativa de uma safra mais antecipada e concentrada em 2027 também pode favorecer as ferrovias. A corretora avalia que uma parcela significativa da soja pode ser colhida já em janeiro, enquanto os acessos ao Arco Norte ainda podem não estar preparados para absorver o pico de movimentação.

Hidrovias

O relatório também aponta oportunidades para o transporte hidroviário, especialmente na rota entre Mato Grosso e os portos do Arco Norte.

O relatório compara os custos logísticos dos corredores e identifica espaço para alternativas ao transporte rodoviário, embora ressalte que a operação na região depende das condições de navegação e da capacidade de infraestrutura disponível.

Além da soja e do milho, a diversificação das cargas deve ganhar importância para as empresas de transporte. A corretora destaca o crescimento potencial de celulose, etanol de milho, farelo de soja, DDG – coproduto da produção de etanol – e fertilizantes.

A tendência acompanha o aumento do processamento de grãos no mercado doméstico, que reduz a parcela disponível para exportação.

Jenifer Ribeiro - CNN Brasil

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