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Mercado de máquinas agrícolas investe no uso de combustível renovável em motores


ZERO HORA - 18 mar 2011 - 06:47 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

No rastro da sustentabilidade, a tendência de expansão do uso de energia renovável no campo desafia o setor. Diante do rigor na proteção ambiental e da perspectiva de o agricultor produzir o próprio combustível na propriedade, o mercado de motores prepara-se para uma revolução. No Brasil, a aplicação do biodiesel traz consigo o dilema de estimular a produção e difundir tecnologias sem provocar desequilíbrio econômico no campo.

Em desenvolvimento pela AGCO Sisu Power, uma das recentes novidades é o motor flex, que funciona com diesel e etanol. Com parceria entre Brasil e Finlândia, o equipamento deve chegar ao mercado em 2012 para tratores e colheitadeiras Valtra e Massey Ferguson. O novo motor visa a atender a demanda de países de clima quente, como o Brasil.

— Quem largar na frente, terá vantagem — afirma Cláudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas Agrícolas do Rio Grande do Sul (Simers).

A Expodireto Cotrijal apresenta novidades em motores. Entre os destaques, está a linha lançada há um ano pela Massey, composta por tratores, colheitadeiras e pulverizadores com motores B-100, que são 100% biodiesel. Apesar do avanço, pelo menos por enquanto o diferencial não é fator decisivo para os negócios.

— No futuro, o biodiesel se tornará mais competitivo e atraente. Como maquinário é um investimento duradouro, o produtor avaliará essa tendência ao investir — afirma Carlito Eckert, diretor comercial da Massey.

Hoje, a adição de 5% de biodiesel no diesel é obrigatória no Brasil. O índice ainda é baixo em relação à Europa, por exemplo, principalmente devido à falta do produto em escala industrial no país. A incógnita quanto à sustentabilidade financeira do biodiesel e a ausência de parâmetros mais restritos na normatização, porém, podem desacelerar a implantação no campo.

— O governo tem papel importante para direcionar políticas de incentivo e consolidar uma evolução gradativa dessas tecnologias — aponta Eduardo Kerbauy, especialista em tratores da marca New Holland.

A perspectiva de cada produtor ter sua própria usina de combustível renovável pode antecipar a expansão. Mas para o coordenador do Laboratório de Agrotecnologia do Núcleo de Ensaios de Máquinas Agrícolas da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), José Fernando Schlosser, o manejo e o aproveitamento dos resíduos pelo agricultor são cruciais para a implantação da tecnologia.

— Produzir combustível não pode ser atribuição do agricultor — alerta.

Leandro Becker