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Com disparada no preço do petróleo, americanos se aquecem com biodiesel

Atualmente a distribuidora de biodiesel Mass Biofuel tem cerca de 400 clientes que misturam o óleo de aquecimento tradicional com biodiesel. Há três anos, eram apenas sete.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Atualmente a distribuidora de biodiesel Mass Biofuel tem cerca de 400 clientes que misturam o óleo de aquecimento tradicional com biodiesel. Há três anos, eram apenas sete.

A fornalha amarela no porão da casa de Richard Grady, no estado americano de Massachusetts, coloca esse engenheiro aposentado na vanguarda de uma revolução ambiental. A fornalha é alimentada por combustível derivado de soja.

Grady, e um número crescente de moradores do nordeste dos Estados Unidos, estão tomando uma atitude contra os preços recordes do petróleo, a dependência americana do petróleo do Oriente Médio e as mudanças climáticas ao optar por biocombustíveis para aquecer suas casas durante os frios meses de inverno. “Temos de fazer o que é certo”, diz Grady, 67 anos, em Westwood, subúrbio de Boston. “Se eu não fizer, quem vai fazer?”

O governador de Massachusetts Deval Patrick está tentando acelerar a tendência e propôs uma lei no dia 5 de novembro que vai exigir que todo óleo de aquecimento e diesel contenha pelo menos 5% de combustível limpo até 2013, um grande passo no nordeste americano, onde 32% das casas usam óleo para manterem-se quentes no inverno. 

A lei faria Massachusetts ser o primeiro estado americano a tornar obrigatória a adição de biocombustíveis ao óleo dos aquecedores, começando com 2% de combustíveis alternativos renováveis até 2010 e aumentando para 5% até 2013. Lideranças políticas estaduais apóiam a lei, que ainda precisa ser votada.

“Os biocombustíveis fazem as pessoas falarem e meio que conectam as pessoas porque trata-se mais de uma causa do que de aquecer sua casa”, diz Elizabeth Warren, que dirige a Mass Biofuel, uma distribuidora de combustível refinado de óleo de soja virgem ou óleos vegetais usados.

Atualmente ela tem cerca de 400 clientes que misturam o óleo de aquecimento tradicional com biodiesel. Há três anos, eram apenas sete.

A diminuição mundial de fontes de petróleo jogou luzes sobre o biodiesel, biocombustível feito de óleo de soja, gordura animal ou óleo de frituras de restaurantes.

Quando misturado com óleo convencional, há diminuição de emissões tóxicas – do óxido sulfúrico ao dióxido de carbono e matéria particulada, as pequenas partículas que causam poluição do ar e problemas respiratórios.

A capacidade mundial de biocombustíveis e a demanda devem dobrar até 2010, guiadas por políticas governamentais de luta contra a dependência energética e a mudança climática.

O boom é maior nos Estados Unidos e na Europa, onde o apoio inclui isenção de impostos, tarifas de importação e regras mínimas de misturas. Em março, a União Européia fixou a meta de adicionar, até 2020, 10%  de biocombustível ao combustível consumido no bloco. 

Problemas
Mas os biocombustíveis não estão livres de problemas. Na Europa e nos Estados Unidos eles dependem fortemente de subsídios para competir com o petróleo, e uma expansão na produção mundial de biocombustíveis compete por terra com florestas tropicais e plantações de alimentos.

Grupos de ambientalistas dizem que as plantações de palma para biodiesel estão levando à devastação e queima de florestas na Indonésia, aumentando as emissões de carbono e ameaçando espécies em risco de extinção, enquanto o órgão das Nações Unidas para a alimentação diz que as plantações para produção de biocombustíveis estão competindo globalmente com a produção de alimentos e causando alta de preços.

Estudos também mostram que o biodiesel gera um pequeno aumento nas emissões de um potente gás do efeito estufa, o óxido nitroso, também conhecido como gás hilariante.

Armond Cohen, diretor-executivo da ONG Clean Air Task Force, sediada em Boston, diz que a conta do biocombustível de Massachusetts pode fazer mais mal do que bem ao clima.

Nos Estados Unidos, 175 empresas distribuem uma mistura conhecida como bioheat (biocalor), de acordo com a National Oilheat Research Alliance, na Virginia, mesmo que ele custe de 10 a 20 centavos a mais por galão do que o óleo para aquecimento tradicional.

Distribuição
Mas para distribuidores como Warren, o biocombustível ainda não é lucrativo por causa dos custos de transporte. “Se tivéssemos biocombustível disponível por aqui, ele seria um produto mais barato, mas como temos de comprá-lo do Meio-Oeste, temos de trazê-lo de trem, o que aumenta os preços para nós”, ela diz.

Warren absorve os custos extras. A empresa dela, que faz parte da distribuidora de petróleo de 150 anos Fisher-Churchill Oil Co, dirigida pelo pai dela, vende óleo para aquecedores misturado com 20% de biocombustível pelo mesmo preço do óleo convencional.

Segundo ela, isso é uma ferramenta de marketing importante. “Metade de nossos clientes eram clientes de outras companhias”, afirma.

Nova York tem 33 distribuidores de biocombustíveis, o maior número do país. Há poucos anos, a quantidade dava para contar nos dedos. Muitos estão vendendo para prédios que querem reduzir as emissões de fuligem e dióxido de carbono. A partir do ano que vem, a cidade de Nova York planeja usar uma mistura de biodiesel para aquecer os prédios pertencentes à administração municipal.

O resort de esqui Sugarbush, de Vermont, usa uma mistura de 20% de biodiesel nas máquinas de fazer neve, citando a ameaça que o aquecimento global representa para as estações de esqui.

“Atualmente é um nicho, mas há potencial para crescer, especialmente dado o excesso de produção de biocombustíveis nos Estados Unidos”, diz Sander Cohan, analista do mercado de petróleo da Energy Security Analysis Inc.

Alguns obstáculos significativos permanecem, incluindo a dificuldade que atinge os atuais dutos de petróleo americanos, um passo que daria à indústria dos biocombustíveis um grande empurrão ao permitir o transporte mais rápido e barato a partir dos grandes produtores do Meio-Oeste.

Testes recentes mostram que o biodiesel deixa resíduos que podem contaminar os produtos que dividam o duto com ele, como o combustível de aviação.

“Os sensores dos dutos precisam ser capazes de detectar quanto biodiesel permanece no duto”, diz Jenna Higgins Rose, porta-voz da National Biodiesel Board, que representa a indústria de biodiesel nos Estados Unidos. “E o sensor não parece ser sensível o suficiente para fazer uma leitura acurada”, acrescenta. “Na Europa, eles transportam biodiesel por dutos, mas nos Estados Unidos essa é uma das coisas que parecem estar atrasando esse transporte.”

Jason Szep, com reportagem de Gerard Wynn, em Londres
Reuters
Tradução: BiodieselBR.com
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