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Departamento de saneamento propõe coleta de óleo de cozinha

A proposta foi uma sugestão dos próprios funcionários da autarquia, que também pediram um programa de reciclagem interno para os materiais sobressalentes de operação
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A proposta foi uma sugestão dos próprios funcionários da autarquia, que também pediram um programa de reciclagem interno para os materiais sobressalentes de operação

O Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto (Daerp) estuda coletar óleo de cozinha residencial para evitar entupimento e contaminação da rede de tratamento. O material seria encaminhado para produção de biodiesel na Universidade de São Paulo (USP), que realiza pesquisas na área.

A proposta foi uma sugestão dos próprios funcionários da autarquia, que também pediram um programa de reciclagem interno para os materiais sobressalentes de operação (como tubos plásticos e itens ferrosos). De acordo com Tanielson Campos, superintendente do Daerp, a proposta de coletar óleo ainda não tem data para entrar em vigor, mas faz parte de um plano evitar o desgaste do sistema.

“O legal é ver a boa vontade dos funcionários, que têm pensado de modo ecológico. Hoje temos um problema sério de educação ambiental na cidade, as pessoas jogam de tudo nas tubulações e nas ruas”, disse Campos. O superintendente afirmou que são retirados de sapato a sofás do sistema de tratamento e que, além de gerar custos com manutenção, o lixo causa enchentes e afeta os próprios moradores.

O óleo de fritura é um dos itens mais problemáticos, pois além de impermeabilizar tubulações e leitos dos corpos d’água, exige mais água para ser eliminado, encarecendo o processo de tratamento. Márcia Rapin, coordenadora do projeto Biodiesel em Casa e nas Escolas, da USP, disse que o Daerp ainda não entrou em contato com o grupo, mas que a parceria seria de grande interesse para o laboratório e já era inclusive cogitada pela equipe.

“Se o Daerp concentrar o material em um ponto, nós buscaríamos. Temos vários parceiros hoje nesse sistema e o objetivo é expandir para manter os testes com veículos”, afirmou Márcia. De acordo com Miguel Dabdoub, coordenador do Biodiesel Brasil, o óleo de cozinha impermeabiliza o leito de rios e esgotos, gerando prejuízos financeiros e ambientais. O projeto recebe cerca de 20 mil litros de óleo de fritura por mês coletados em 212 empresas parceiras (75 de Ribeirão) de 22 cidades. A estimativa é de que cada litro de óleo polua cerca de 10 mil litros de água.

DANIELLE CASTRO
Gazeta de Ribeirão

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