A nova unidade, a primeira de dez que o ministério pretende instalar no
Ceará, até 2007, tem capacidade de produzir 100 litros de biodiesel por
hora, 2,4 mil por dia, em plena produção, e até 964 mil litros por ano
do combustível e deverá consumir duas mil toneladas de sementes de
mamona por ano - produção ainda indisponível na região.
A seguir fotos da mini-usina, o que representa esta fábrica, o papel da Petrobras, o que esta usina precisa para se tornar viável, o papel da prefeitura no projeto e a perspectiva do futuro para o Nordeste no setor.
Mesmo sem a presença do presidente Lula da Silva, impedido pela legislação eleitoral de fazer inaugurações durante o período eleitoral, a campanha pela reeleição segue forte, com apoio de assessores e ministros, aliados diretos do planalto. Ontem, durante solenidade de inauguração da primeira usina de produção de biodiesel do Estado, no município de Tauá, o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, destacou o presidente como incentivador da cultura da mamona no semi-árido nordestino e o ex-ministro Ciro Gomes - seu antecessor na pasta - como o principal responsável pelo feito. A solenidade aconteceu na Cooperativa dos Irrigantes Várzea do Boi (Covab).
Para o ministro, mais do que a simples inauguração, a miniusina representa, “o resgate dos valores produtivos, do cultivo natural da região que é a mamona”. Segundo ele, “esse é um projeto voltado para os pequenos produtores e não para os grandes, os barões, e que terá o cuidado do Governo Lula, para que não se transforme em um Proálcool”.
“Esse é o nosso receio, de que o programa do Biodiesel seja transformado em um Proálcool, que só serviu para enriquecer grandes usineiros”, destacou o deputado federal, Ariosto Holanda. Ele conclamou os agricultores a plantarem e extrairem o óleo da mamona, para que não se transformem em meros vendedores de sementes. Além do biocombustível, ensinou, o pequeno agricultor pode faturar com a torta feita do bagaço, para alimentação animal e produção de adubo e com a glicerina, derivada do óleo.
PETROBRAS - Diante da preocupação do deputado, também manifestada por engenheiros da Tecbio - empresa detentora da tecnologia da usina de biodiesel -, Pedro Brito assegurou que “a Petrobras será chamada para garantir a compra da produção, a preços dignos”, como forma de assegurar um preço mínimo ao produto. Segundo ele, o valor estabelecido hoje, pelo governo Federal, para o quilo da semente de mamona é de R$ 0,56, e ela está sendo comercializada a R$ 0,68, por quilo. Brito disse também, que o Dnocs e a Prefeitura de Tauá, irão garantir, inicialmente, o transporte e a lojística necessária, para conduzir a produção da oleaginosa, dos pequenos sítios até a usina. Segundo ele, dez miniusinas semelhantes, serão instaladas com apoio do ministério, em cada um dos Estados nordestinos, até 2007. Uma segunda usina será implantada em 30 dias, no município de Piquet Carneiro. Outras cinco estão previstas para Limoeiro do Norte, Russas, Itapipoca, Sobral e Aracoiaba.
Carlos Eugênio
Segundo ele, para um ano de produção, são exigidas, pelo menos, dois mil hectares de mamona na região, o que permitiria a produção de 864 mil litros de biodiesel por ano. Atualmente, Tauá conta com apenas dez hectares para geração de sementes e de outros 75 hectares para produção de baga, no Perímetro Irrigado Várzea do Boi, controlado pelo Dnocs.
Para estimular o Programa de Biodiesel, a partir de novembro, o Dnocs vai incentivar a produção de mais 800 hectares no perímetro irrigado e outros 1,5 mil hectares, em regime de sequeiro. Técnicos do órgão apostam que, no sistema irrigado a produção chegue a três mil quilos por hecatre, e a mil quilos, por hectare, em regime de sequeiro.
“Tomamos um banho histórico de biodiesel. Foi o batismo”, comentou a prefeita. Patrícia conclamou os agricultores a apoiarem o novo programa. Não podemos perder essa oportunidade. O Nordeste tem jeito, tem alternativas”, destacou a prefeita, após enxugar os olhos cheios de óleo.

ARRECADAÇÃO - Dados da Prefeitura de Tauá, mostram que o município registrou em 2005, arrecadação de R$ 30,2 milhões, dos quais R$ 5,65 milhões foram repassados pelo Bolsa Família. A receita tributária própria foi de R$ 1,368 milhão e cota parte do FPM, de R$ 9,28 milhões e do ICMS, de R$ 1,89 milhão. O SUS repassou outros R$ 943 mil. As despesas empenhadas giraram em torno de R$ 37 milhões, sendo R$ 13 milhões, somente com gastos com pessoal e R$ 2,79 milhões com gastos com investimentos, em 2005.
CONVÊNIO - Para viabilizar a construção das duas miniusinas, de Tauá e de Piquet Carneiro, o Dnocs celebrou convênio com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), no valor de R$ 1,2 milhão.
Cada unidade de produção tem como principais objetivos fomentar a produção de mamona em áreas de tradição da cultivar no âmbito do zoneamento agroclimático, elaborado pela Embrapa, e difundir a tecnologia em um processo multiplicador para produção em pequena escala do biodiesel em todo o Nordeste. As mini-usinas podem utilizar também, óleos vegetais de babaçu, soja, girassol e outros.
Fonte: Diário do Nordeste
De acordo com o deputado Ariosto Holanda, também presente ao evento, os recursos para mais cinco experiências como esta já foram garantidos por meio de uma emenda parlamentar ao Orçamento de 2006 do Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo ele, a verba será repassada para o Dnocs para que sejam instaladas mini-usinas nos municípios de Limoeiro do Norte, Russas, Itapipoca, Sobral e Aracoiaba. O valor médio de cada usina é de R$ 550 mil.
Para Ariosto Holanda, o Programa do Biodiesel deve ser de inclusão social. "Minha preocupação é que este programa não seja igual ao Pró-Álcool que só beneficiou os grandes usineiros. Temos que fazer com que o produtor possa vender não a semente da mamona, porque isso não agrega valor, mas o óleo processado", destaca.
Hoje, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) paga cerca de R$ 1,91 pelo litro de biodiesel. Pela semente selecionada, o preço mínimo estipulado pelo Governo federal é de R$ 0,56 o quilo. O comércio local de Tauá paga atualmente R$ 0,68 o quilo, segundo produtores ouvidos pela reportagem.
De acordo com Francisco Quintino, diretor de desenvolvimento tecnológico e produção do Dnocs, cinco hectares plantados com mamona representam para o agricultor R$ 800, além da torta - restos que se forem tratados servem como adubo e ração animal - e do feijão - plantado em consórcio com a mamona e que rende uma média de sete sacas por hectare.
O agricultor José Mandu, 67, é um dos produtores da Região dos Inhamuns que estão apostando na cultura da mamona. Ele conta que este é o primeiro ano da experiência e destinou cinco hectares para a plantação. Segundo ele, que recebeu sementes selecionadas distribuídas pelo Dnocs e pela Prefeitura Municipal, foram gastos entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil para o plantio. "Espero colher umas cinco mil arrobas e vou vender para a cooperativa", afirma.
A usina de biodiesel de Tauá tem capacidade de produzir 864 mil litros por ano ou 2.400 litros/dia. Para chegar a este volume, é necessário plantar uma área de dois mil hectares. Inicialmente, a estimativa é de que sejam produzidos 1.600 litros/dia. Com sementes distribuídas pelo Dnocs, foram plantados dez hectares para a produção de novas sementes e outros 75 hectares para a produção de baga, que após processada dá origem ao óleo a partir do qual é feito o biodiesel.
A produção da usina de Tauá irá abastecer inicialmente os transportes da Prefeitura local, as máquinas da usina e os tratores e caminhões da cooperativa formada por parte dos agricultores que cultivam a mamona na região. Juntas, as unidades de Tauá e de Piquet Carneiro representam um investimento da ordem de R$ 1,2 milhão e foram viabilizadas por meio de convênio com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).
Adriana Albuquerque - Jornal O Povo
Colaborou Amaury Alencar
A seguir fotos da mini-usina, o que representa esta fábrica, o papel da Petrobras, o que esta usina precisa para se tornar viável, o papel da prefeitura no projeto e a perspectiva do futuro para o Nordeste no setor.
Petrobras vai comprar produção de usina
A nova unidade, a primeira de dez que o ministério pretende instalar no Ceará, até 2007, tem capacidade de produzir 100 litros de biodiesel por hora, 2,4 mil por dia, em plena produção, e até 964 mil litros por ano do combustível e deverá consumir duas mil toneladas de sementes de mamona por ano - produção ainda indisponível na região.Mesmo sem a presença do presidente Lula da Silva, impedido pela legislação eleitoral de fazer inaugurações durante o período eleitoral, a campanha pela reeleição segue forte, com apoio de assessores e ministros, aliados diretos do planalto. Ontem, durante solenidade de inauguração da primeira usina de produção de biodiesel do Estado, no município de Tauá, o ministro da Integração Nacional, Pedro Brito, destacou o presidente como incentivador da cultura da mamona no semi-árido nordestino e o ex-ministro Ciro Gomes - seu antecessor na pasta - como o principal responsável pelo feito. A solenidade aconteceu na Cooperativa dos Irrigantes Várzea do Boi (Covab).
Para o ministro, mais do que a simples inauguração, a miniusina representa, “o resgate dos valores produtivos, do cultivo natural da região que é a mamona”. Segundo ele, “esse é um projeto voltado para os pequenos produtores e não para os grandes, os barões, e que terá o cuidado do Governo Lula, para que não se transforme em um Proálcool”.“Esse é o nosso receio, de que o programa do Biodiesel seja transformado em um Proálcool, que só serviu para enriquecer grandes usineiros”, destacou o deputado federal, Ariosto Holanda. Ele conclamou os agricultores a plantarem e extrairem o óleo da mamona, para que não se transformem em meros vendedores de sementes. Além do biocombustível, ensinou, o pequeno agricultor pode faturar com a torta feita do bagaço, para alimentação animal e produção de adubo e com a glicerina, derivada do óleo.
PETROBRAS - Diante da preocupação do deputado, também manifestada por engenheiros da Tecbio - empresa detentora da tecnologia da usina de biodiesel -, Pedro Brito assegurou que “a Petrobras será chamada para garantir a compra da produção, a preços dignos”, como forma de assegurar um preço mínimo ao produto. Segundo ele, o valor estabelecido hoje, pelo governo Federal, para o quilo da semente de mamona é de R$ 0,56, e ela está sendo comercializada a R$ 0,68, por quilo. Brito disse também, que o Dnocs e a Prefeitura de Tauá, irão garantir, inicialmente, o transporte e a lojística necessária, para conduzir a produção da oleaginosa, dos pequenos sítios até a usina. Segundo ele, dez miniusinas semelhantes, serão instaladas com apoio do ministério, em cada um dos Estados nordestinos, até 2007. Uma segunda usina será implantada em 30 dias, no município de Piquet Carneiro. Outras cinco estão previstas para Limoeiro do Norte, Russas, Itapipoca, Sobral e Aracoiaba.
Carlos Eugênio
Miniusina ainda não conta com insumo suficiente
Para tornar-se eficiente, a miniusina de Tauá precisa receber, diariamente seis mil quilos, sementes de mamona por dia, quantidade suficiente para produzir até 2,4 mil litros de biodisel/dia, em plena produção. Inicialmente, porém destaca, o engenheiro químico do Centec de Tauá, Roberto Alexandrino, a usina vai operar 16 horas por dia.
Segundo ele, para um ano de produção, são exigidas, pelo menos, dois mil hectares de mamona na região, o que permitiria a produção de 864 mil litros de biodiesel por ano. Atualmente, Tauá conta com apenas dez hectares para geração de sementes e de outros 75 hectares para produção de baga, no Perímetro Irrigado Várzea do Boi, controlado pelo Dnocs.Para estimular o Programa de Biodiesel, a partir de novembro, o Dnocs vai incentivar a produção de mais 800 hectares no perímetro irrigado e outros 1,5 mil hectares, em regime de sequeiro. Técnicos do órgão apostam que, no sistema irrigado a produção chegue a três mil quilos por hecatre, e a mil quilos, por hectare, em regime de sequeiro.
“Batismo” com óleo da mamona
A visita do ministro Pedro Brito a Tauá e comitiva foi iniciada por um lote de um hectare de mamona, plantado pelo colono do Perímetro Irrigado da Várzea do Boi, João Paulo de Moura. Ao chegar à cooperativa, ele seguiu para a usina, onde conheceu o processo de produção e, num ato de descuido do expositor, o ministro tomou um banho de biodiesel, juntamente com a prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar, o diretor geral do Dnocs, Eudoro Santana e outras autoridades presentes.“Tomamos um banho histórico de biodiesel. Foi o batismo”, comentou a prefeita. Patrícia conclamou os agricultores a apoiarem o novo programa. Não podemos perder essa oportunidade. O Nordeste tem jeito, tem alternativas”, destacou a prefeita, após enxugar os olhos cheios de óleo.

ARRECADAÇÃO - Dados da Prefeitura de Tauá, mostram que o município registrou em 2005, arrecadação de R$ 30,2 milhões, dos quais R$ 5,65 milhões foram repassados pelo Bolsa Família. A receita tributária própria foi de R$ 1,368 milhão e cota parte do FPM, de R$ 9,28 milhões e do ICMS, de R$ 1,89 milhão. O SUS repassou outros R$ 943 mil. As despesas empenhadas giraram em torno de R$ 37 milhões, sendo R$ 13 milhões, somente com gastos com pessoal e R$ 2,79 milhões com gastos com investimentos, em 2005.
CONVÊNIO - Para viabilizar a construção das duas miniusinas, de Tauá e de Piquet Carneiro, o Dnocs celebrou convênio com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec), no valor de R$ 1,2 milhão.
Cada unidade de produção tem como principais objetivos fomentar a produção de mamona em áreas de tradição da cultivar no âmbito do zoneamento agroclimático, elaborado pela Embrapa, e difundir a tecnologia em um processo multiplicador para produção em pequena escala do biodiesel em todo o Nordeste. As mini-usinas podem utilizar também, óleos vegetais de babaçu, soja, girassol e outros.
Fonte: Diário do Nordeste
Meta é ter 10 usinas por estado
Até 2007, o Departamento Nacional de Obras Contras as Secas (Dnocs) deve implantar 10 mini-usinas de biodiesel por estado do Nordeste. A meta foi anunciada ontem pelo ministro Pedro Brito, da Integração Nacional, durante a inauguração da unidade de Tauá, a primeira das duas usinas pilotos instaladas pelo Dnocs na Região. A segunda, em Piquet Carneiro, deve ser inaugurada dentro de 30 dias.De acordo com o deputado Ariosto Holanda, também presente ao evento, os recursos para mais cinco experiências como esta já foram garantidos por meio de uma emenda parlamentar ao Orçamento de 2006 do Ministério da Ciência e Tecnologia. Segundo ele, a verba será repassada para o Dnocs para que sejam instaladas mini-usinas nos municípios de Limoeiro do Norte, Russas, Itapipoca, Sobral e Aracoiaba. O valor médio de cada usina é de R$ 550 mil.
Para Ariosto Holanda, o Programa do Biodiesel deve ser de inclusão social. "Minha preocupação é que este programa não seja igual ao Pró-Álcool que só beneficiou os grandes usineiros. Temos que fazer com que o produtor possa vender não a semente da mamona, porque isso não agrega valor, mas o óleo processado", destaca.
Hoje, a Agência Nacional de Petróleo (ANP) paga cerca de R$ 1,91 pelo litro de biodiesel. Pela semente selecionada, o preço mínimo estipulado pelo Governo federal é de R$ 0,56 o quilo. O comércio local de Tauá paga atualmente R$ 0,68 o quilo, segundo produtores ouvidos pela reportagem.
De acordo com Francisco Quintino, diretor de desenvolvimento tecnológico e produção do Dnocs, cinco hectares plantados com mamona representam para o agricultor R$ 800, além da torta - restos que se forem tratados servem como adubo e ração animal - e do feijão - plantado em consórcio com a mamona e que rende uma média de sete sacas por hectare.
O agricultor José Mandu, 67, é um dos produtores da Região dos Inhamuns que estão apostando na cultura da mamona. Ele conta que este é o primeiro ano da experiência e destinou cinco hectares para a plantação. Segundo ele, que recebeu sementes selecionadas distribuídas pelo Dnocs e pela Prefeitura Municipal, foram gastos entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil para o plantio. "Espero colher umas cinco mil arrobas e vou vender para a cooperativa", afirma.
A usina de biodiesel de Tauá tem capacidade de produzir 864 mil litros por ano ou 2.400 litros/dia. Para chegar a este volume, é necessário plantar uma área de dois mil hectares. Inicialmente, a estimativa é de que sejam produzidos 1.600 litros/dia. Com sementes distribuídas pelo Dnocs, foram plantados dez hectares para a produção de novas sementes e outros 75 hectares para a produção de baga, que após processada dá origem ao óleo a partir do qual é feito o biodiesel.
A produção da usina de Tauá irá abastecer inicialmente os transportes da Prefeitura local, as máquinas da usina e os tratores e caminhões da cooperativa formada por parte dos agricultores que cultivam a mamona na região. Juntas, as unidades de Tauá e de Piquet Carneiro representam um investimento da ordem de R$ 1,2 milhão e foram viabilizadas por meio de convênio com o Instituto Centro de Ensino Tecnológico (Centec).
Adriana Albuquerque - Jornal O Povo
Colaborou Amaury Alencar
Tags
Tauá biodiesel