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Sojicultor e estrangeiros juntos em biodiesel no Mato Grosso

Sojicultores do norte do Mato Grosso estão próximos de se tornar sócios de um ou mais fundos internacionais na construção de uma usina de biodiesel de R$ 340 milhões
DCI 4 min de leitura
Sojicultores do norte do Mato Grosso estão próximos de se tornar sócios de um ou mais fundos internacionais na construção de uma usina de biodiesel de R$ 340 milhões, para produzir 100 milhões de litros anuais a partir de 2009. Nos sete anos seguintes, a meta é dobrar a produção. A missão de encontrar os investidores interessados no negócio está a cargo da Metacortex, uma consultoria de capital ibérico e brasileiro controlada pelo Grupo Espírito Santo (GES), companhia portuguesa dona do banco de mesmo nome.

Os produtores rurais buscam na usina uma alternativa para reduzir os custos de produção, já que são grandes consumidores de óleo diesel. A grande vantagem competitiva do projeto é estar na região do Brasil com a soja mais barata e o diesel mais caro, na avaliação do diretor executivo (CEO) da Metacortex do Brasil, Renato Giraldi de Melo.

Números da Agência Nacional do Petróleo indicam que o preço médio do diesel na Região Centro-Oeste é de R$ 1,96 por litro, o que garantiria a competitividade do biodiesel.

De acordo com Giraldi, oito fundos estrangeiros dos setores de energia e combustíveis que são clientes da Metacortex são os possíveis investidores. Esses investidores europeus, americanos e asiáticos seriam da própria área de energia e combustíveis, interessados em uma participação efetiva e não apenas especulativa em usinas de biocombustíveis. Giraldi afirma que o próprio GES, que já possui negócios em agropecuária no Brasil, pode se tornar sócio da usina de Água Boa.

Além desse projeto, a Metacortex está prestando o mesmo serviço de pesquisa de viabilidade e busca de investidores para outras quatro usinas de biodiesel do País, em projeto ou existentes, nos Estados de Goiás e do Mato Grosso.
No caso da usina de Água Boa, a produção será voltada ao mercado local, já que seu diferencial é justamente estar em uma região de diesel caro, devido à distância das refinarias. Mas Giraldi diz que a Metacortex também está assessorando projetos voltados à exportação do biocombustível, especialmente em Goiás: “Cada fundo estrangeiro busca um perfil diferente de investimento, por isso há oportunidades tanto para usinas voltadas à exportação quanto para o mercado interno”.

Exportação na prática
Apesar de o Brasil oficialmente ainda não exportar biodiesel à Europa, o Conselho de Biodiesel europeu reclamou em carta ao comissário europeu do comércio, Peter Mandelson, que o Brasil estaria vendendo o combustível ao bloco europeu através dos Estados Unidos, onde o biodiesel tem um subsídio de US$ 1 por galão quando misturado ao diesel.

Segundo uma fonte ligada à produção de biodiesel no Brasil, o País embarcou entre janeiro e fevereiro cerca de 5 milhões de litros para os Estados Unidos, onde o combustível foi misturado ao diesel e enviado à Europa. “O volume é pequeno, mas a Malásia está realizando a mesma operação com volumes grandes e despertou a atenção do setor na Europa”, diz a fonte. Para coibir a prática, o conselho europeu pede a sobretaxação do biodiesel que sai dos Estados Unidos e entra na União Européia.

Matérias-primas
O projeto apresentado pela Metacortex a seus clientes prevê que a usina de Água Boa utilize inicialmente 80% de óleo de soja para fabricar o biodiesel, mas o objetivo é chegar a uma matriz de óleos diversificada, na qual a soja represente apenas 20%. “Depender apenas de uma matéria-prima é uma estratégia arriscada, por isso a tecnologia da usina já prevê a livre utilização de outras oleaginosas”, diz o diretor da consultoria. Para ele, a instalação da fábrica vai estimular o plantio de outras matérias-primas, como o girassol, o nabo forrageiro e o pinhão-manso.

Segundo Biegai, da Safras & Mercado, a tendência das novas usinas de biodiesel que estão sendo anunciadas é buscar a diversificação e evitar a dependência do óleo de soja, que é uma commodity alimentícia com grande oscilação de preços, o que traz riscos ao negócio de biodiesel.
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