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Biodiesel

Sobram recursos para as usinas


Gazeta Mercantil - Isabel Dias de Aguiar - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

Recurso é o que menos falta para que o setor sucroalcooleiro execute o seu projeto de aumentar a produção de açúcar e álcool em 50% e alcançar a meta de moer 600 milhões de toneladas de cana por ano até 2012, afirmou ontem o presidente da Usina Nova América, Roberto Rezende Barbosa, na Ilha de Comandatuba (BA), onde participou do AgriFórum. A produção nacional de cana na safra atual está estimada em 400 milhões de toneladas. O empresário estima que serão investidos R$ 30 bilhões nesse período para a construção de 100 novas usinas, cada uma com capacidade para 2 milhões de toneladas de cana.

Segundo Barbosa, as fontes de recursos são inúmeras, como instituições financeiras, investidores, por meio da formação de parcerias, e agências de fomento, inclusive o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). "O interesse em participar desse negócio é grande. Não só dos usineiros, mas de outros setores empresariais. Tornou-se consenso de que açúcar e álcool são um dos negócios mais promissores nos próximos anos", lembra. Segundo ele, além dos investidores em potencial, os usineiros dispõem ainda de outros instrumentos para levantar recursos para a construção das novas unidades, como a securitização e a venda antecipada da produção. Os investimentos podem alcançar cifra ainda mais elevada se for levado em conta o interesse na instalação de indústrias para a produção de biodiesel, para a complementação da oferta de combustíveis para a substituição dos derivados de petróleo.

A confiança no sucesso do empreendimento está baseada no cálculo, segundo o qual a produção de álcool combustível é viável e rentável desde que os preços do petróleo se mantenham num nível mínimo de US$ 25 o barril. O biodiesel, por sua vez, torna-se um bom negócio com o barril do petróleo esteja cotado no mínimo a US$ 35. "Como o preço do petróleo ultrapassa a US$ 60 o barril, não existe hipótese de que caia abaixo daqueles níveis", disse. Barbosa adverte, porém, que isso já ocorreu no passado, quando a cotação do barril do petróleo foi para US$ 12. "Nessa ocasião, ficamos todos de castigo por um bom tempo", lembra, referindo-se aos usineiros.

Agora, a repetição desse episódio é considerada pouco provável. Mesmo assim, o presidente da Usina Nova América acha que investimentos tão vultosos demandam planejamento para evitar o excesso de oferta, o que levaria ao aviltamento dos preços e o setor à insolvência. Barbosa diz que a produção de etanol de milho nos Estados Unidos já começa a acumular excedentes. Diversas indústrias não levaram em conta a legislação de muitos estados que limita a adição de etanol a pequenos percentuais. Isso poderá afetar o mercado internacional.