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RN marca passo no biodiesel

O Rio Grande do Norte vai ter que apressar o passo se quiser se beneficiar da mistura de 2% de biodiesel
Diário de Natal 4 min de leitura
O Rio Grande do Norte vai ter que apressar o passo se quiser se beneficiar a partir de 2008 com a obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel no diesel comum. Enquanto a Petrobras corre para testar o impacto do combustível nos motores e, possivelmente, antecipar a porcentagem para 5% no composto - atualmente agendada para 2013 - o estado continua com uma produção de oleaginosas abaixo do ideal para comercializar o biocombustível. Se por um lado a previsão da estatal é de que as plantas de biodiesel localizadas em Guamaré (Litoral Norte) saiam da condição de projetos-piloto para usinas de comercialização ainda em 2008, provavelmente, pouco da matéria-prima virá de solo potiguar.

De acordo com informações da Secretaria de Agricultura e Pesca (Sape), 20 toneladas de sementes de girassol foram distribuídas nas áreas de plantio que devem chegar a 20 mil hectares no município de Alto do Rodrigues. A meta é que no próximo ano a área da semente de girassol seja dobrada, com a distribuição de 50 toneladas de sementes distribuídas. Se a expectativa for alcançada, o cenário poderá melhorar aos olhos da Petrobras, garantindo a produção interna, mas ainda longe da venda em grande escala.

O coordenador do Programa de Sementes e Mudas da Sape, Antônio Carlos Magalhães Alves, explica que a produção de sementes de girassol - oleaginosa escolhida para testes no estado - foi prejudicada em função do atraso nas chuvas. Na região do Apodi, por exemplo, 60% da área plantada foi reduzida. Por sua vez, a região Oeste não tem mais condições de exploração para este ano. O Mato Grande, onde o período chuvoso deve se estender um pouco mais, é que poderá trazer boas novas já que foi possível um plantio mais atrasado.

Magalhães reconhece que a produção local ainda é pequena para atender a demanda esperada, mas acrescenta que as expectativas da secretaria são boas. ‘‘Chegamos com a semente na hora certa, mas as chuvas atrasaram por quase 60 dias. Em algumas regiões houve veranicos muito longos, com mais de 25 dias sem chuva, isso atrapalhou as culturas’’. Porém, ele afirma que somente no final deste mês poderá ter uma idéia do que foi produzido. Com estes números, a Sape também pretende fazer as projeções para o próximo ano.

SEMENTE

Embora já tenha apresentado dificuldades de beneficiamento, a Sape continua investindo na produção da mamona para a produção de biodiesel cuja área ocupada é de 8 mil hectares. Segundo o coordenador do Projeto Semente, houve um decréscimo grande da área plantada nos dois últimos anos, mas o governo do estado está tentando reimplantar o projeto. Um dos motivos da redução foi a descrença dos agricultores que investiram há cerca de três anos na mamona.

Na época, a Petrobras não pôde realizar a comprar de pessoas físicas por empecilhos jurídicos, e a produção acabou encalhada. Somente após a regularização da Cooperativa de Produtores da Região do Apodi (Coopera), as compras passaram a ser intermediadas: a entidade compra tanto a mamona quanto o girassol dos agricultores e vende para a Petrobras. Com a garantia de compra retomada, a mamona voltou a figurar entre as sementes utilizadas em Guamaré.

Através de uma parceria com a Federação das Indústrias do RN (Fiern), a semente de algodão também está sendo incentivada. A idéia é utilizar a semente para a produção do biodiesel ao mesmo tempo que se recupera uma cultura local que já foi sinônimo de crescimento econômico no Rio Grande do Norte. Para garantir um preço de venda competitivo ao produtor, a Sape está tentando criar um fundo que assegure 30% da bonificação aos agricultores.

Em 2007, foram distribuídas 80 toneladas de semente de algodão sob orientação técnica da Emater que organizou os produtores em associações e realizou a capacitação, seguindo um pacote desenvolvido pela Embrapa. A produção será vendida às indústrias para extração da pluma que, em seguida, venderão a semente para uso em plantas de biodiesel.


VINÍCIUS ALBUQUERQUE
Da equipe de O Poti
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