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Paraná avalia produção de biodiesel através de óleo de frango

Foi levantado o potencial de produção de óleo de frango nas cooperativas da região oeste do estado do Paraná e rendimento em biodiesel.
AEN 4 min de leitura
O uso de biodiesel feito a partir de vegetais e gordura animal vem sendo testado com sucesso por professores e cientistas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) e Faculdade Assis Gurgacz (FAG), em parceria com várias empresas do setor, como Massey Ferguson, Jacto, Tatu - Marchesan, Camagril e ACM Biodiesel. O biodiesel é extraído de vegetais ou então de gordura e sebo animal no Cedetec - Centro de Desenvolvimento e Difusão de Tecnologias, no campus da FAG, em Cascavel, onde também é feito o teste de performance dos tratores e máquinas movidas com o combustível renovável. O professor Luis Fernando de Souza, da Unioeste, disse que a proposta do centro é primeiramente criar um ambiente para aumentar os conhecimentos dos alunos através de aulas práticas, funcionando como uma fazenda experimental. "Além do mais serve de local para treinamentos e difusão de tecnologias, através de cursos aos alunos e comunidade interessada", acrescentou.

Segundo ele, um dos projetos em andamento no centro é justamente a planta piloto para produção de biodiesel, a primeira na região Oeste do Paraná. O projeto é composto pela planta produtora, laboratório para caracterização físico-química do biocombustível e equipamentos para testes de performance a campo. "A proposta da planta é avaliar várias matérias primas, existentes na região, como óleos e gorduras animais e vegetais, para a produção de biodiesel, bem como propor novas alternativas, como a inclusão de novas espécies e variedades de oleaginosas com potencial para produção de biodiesel", disse. Na cadeia produtiva de carne de frango é gerado um resíduo, óleo de frango, com potencial para produção de biodiesel. Neste trabalho foram determinadas características físico-químicas, que podem influenciar nas reações de transesterificação do óleo de frango. Foi levantado o potencial de produção de óleo de frango nas cooperativas da região oeste do estado do Paraná e rendimento em biodiesel.

O Brasil apresenta uma significativa vantagem competitiva na produção de combustível renovável, biodiesel, visto que todo território nacional dispõe de condições mínimas para o cultivo de oleaginosas. Porém, a partir de 1980, verificou-se mudanças no setor produtivo avícola. Entre os segmentos da indústria agroalimentar, a carne de frango foi a que mais sofreu alterações tecnológicas em nível mundial. No campo de melhoramento genético das aves, o setor apresentou ganhos significativos nas taxas de conversão, redução do ciclo produtivo e maior rendimento das carcaças. Em relação ao processo de abate, a indústria incorporou maior grau de automação. Segundo dados da Abef (2006), o Brasil ocupa o terceiro lugar na produção de frango, atrás dos Estados Unidos e China. A produção brasileira de carne de frango está concentrada na região sul, que representa 55,81% da produção nacional, tendo o estado do Paraná uma posição de destaque, representando 27% da produção brasileira.

As gorduras animais são geralmente classificadas como sebos, gorduras que apresentam estado sólido em temperatura ambiente, devido a sua composição percentual ser elevada em ácidos graxos saturados, principalmente o esteárico.

Uma exceção são as gorduras de frangos, classificada como óleo de frango, devido também a sua composição percentual, neste caso com valores baixos de ácido esteárico, ficando próximas a óleos como o de soja, apresentando-se em estado líquido a temperatura ambiente, facilitando a reação de transesterificação.

Sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais de carne de frango, o Paraná o maior responsável por esta produção e a crescente produção pelas cooperativas da região, surgiu então a idéia de aproveitar gorduras provenientes desta cadeia produtiva, óleo não comestível de vísceras de frangos para uso como combustíveis. A produção de biodiesel a partir de sebo e gorduras animais já existe em alguns paises da Europa.
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