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Biodiesel

Para agroindústria, Brasil deve dar prioridade ao biodiesel


Tribuna da Imprensa - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

A previsão dos empresários e técnicos do setor sucroalcooleiro é que nos próximos cinco anos a demanda brasileira exigirá que o País salte de uma produção de 16,7 bilhões de litros de álcool combustível para cerca de 27 a 30 bilhões de litros. Isso significa ocupar mais 3 milhões de hectares com a cana-de-açúcar (hoje são 6 milhões), além de outros vegetais e frutas que possam contribuir na produção de biodiesel. "O dinheiro melhor empregado seria o de investimento no programa de biodiesel", afirmou o conselheiro da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Maurilio Biagi Filho.

Ele esteve em Curitiba para um seminário em preparação à Feira Internacional do Setor Sucroalcooleiro (Feisucro 2005), que será realizada no Anhembi, em São Paulo, entre os dias 7 e 10 de novembro. O setor possui hoje 321 usinas (todas com projetos de ampliação) e 45 em instalação. A média de crescimento foi de 13,2% em cada um dos últimos quatro anos. Com 3 milhões de trabalhadores, o setor movimenta US$ 20 bilhões anualmente.

Biagi Filho ressaltou que o Brasil é também o País que mais desenvolveu a tecnologia para a produção do etanol, exportando-a para vários países. "Se o Brasil instituir um programa de biodiesel, será uma potência mundial energética", garantiu. Não se restringindo apenas à cana-de-açúcar, que é considerada o vegetal com maior poder para ser transformado em energia. As potencialidades são maiores em razão da previsão da Agência Internacional de Energia, de que até o ano de 2020 30% da matriz energética mundial seja de biocombustíveis.

Coordenador do Projeto BiodieselBrasil e da Câmara Paulista dos Biocombustíveis, o professor da USP Miguel Dabdoub não tem dúvidas de que o País será protagonista dessa onda mundial. "Mas não queremos esta demora que vem ocorrendo para atrair investimentos", afirmou. "Alguns países europeus já têm suas leis e estão desenvolvendo o programa com tecnologia desenvolvida no Brasil. "Na Europa a previsão é de que, até 2010, 5,75% da energia fóssil seja substituída pela renovável e, até 2020, 20% passe pelo processo.

Durante um workshop realizado em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, o empresário peruano Manuel Cevallos, da Expoglobe International Inc., anunciou investimentos de US$ 6 milhões para a construção de uma indústria de autopeças e uma planta de biodiesel. "Estou apostando no projeto brasileiro", acentuou. Ele pretende colocar a indústria em funcionamento nos próximos 18 meses.

Por enquanto está discutindo com a coordenação do Projeto BiodieselBrasil e com autoridades paranaenses qual matriz irá utilizar. Por enquanto, trabalha com a perspectiva de utilizar o girassol, produzindo 100 mil litros de biodiesel por dia.