BiodieselBR
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No início soja será matriz energética principal

Apesar de a leguminosa ter rendimento menor do que a palma e o girassol, por exemplo, estrutura já existente no País será importante em fase inicial. Principal commoditie agrícola brasileira, a soja em breve ganhará papel de destaque na produção de biodiesel.
O Estado de S. Paulo 4 min de leitura
Apesar de a leguminosa ter rendimento menor do que a palma e o girassol, por exemplo, estrutura já existente no País será importante em fase inicial. Principal commoditie agrícola brasileira, a soja em breve ganhará papel de destaque na produção de biodiesel.

Apesar de não ser considerada a melhor planta para a extração de óleo, com rendimento 500 litros por hectare, ante 800 litros do girassol e 5.900 da palma, de acordo com Miguel Dabdoub, da USP, a planta está consolidada no País como a solução mais viável nos primeiros anos do biodiesel. ’No Brasil, o crescimento do biodiesel passa obrigatoriamente pela soja’, afirma. Isso porque, diz ele, demora um certo tempo até que os produtores passem a confiar e a se estruturar para o cultivo de outras oleaginosas, visando a esse mercado. ’A estrutura da soja está pronta e precisaremos dela.’

Embora considere importante o programa social do governo federal, Dabdoub alerta que, para o sucesso do programa, ’é preciso contar com a agricultura profissional’. Ele explica que a palma, por exemplo, demora três anos para estar pronta e, segundo o programa de biodiesel, o País terá de produzir obrigatoriamente 800 milhões de litros em 2006.

EXPORTAÇÃO

A Alemanha é uma grande consumidora de biodiesel, com mais de 2 mil postos com o produto. ’Hoje eles não têm mais como crescer e estão procurando mercados que possam fornecer essa tecnologia’, diz Nivaldo Rubens Trama, da Abiodiesel, que inaugurará no ano que vem a Oleovegue, em Cornélio Procópio (PR), usina voltada para exportação de biodiesel. Segundo ele, a idéia é comprar soja na safra de verão e colza (canola) na safra de inverno. ’Como na região há grande produção de trigo no inverno, pretendemos cadastrar produtores para que migrem para a colza, com garantia de preço mínimo e de compra da produção.’

ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Trama explica que as sementes serão importadas e fornecidas aos agricultores. ’Assim que o produtor entrar no programa ele receberá assistência técnica’, comenta. ’Pretendemos inaugurar a usina na safra 2006, com uma produção de 100 mil litros/dia.’ De acordo com o empresário, o Brasil tem condições de ser o maior fornecedor de biodiesel do mundo.

O pesquisador da Embrapa Algodão, Napoleão Beltrão, que estuda a aptidão de oleaginosas no Norte e Nordeste, conta que há mais de cem espécies para produzir óleo voltado à produção de biodiesel, ’que é quimicamente uma mistura de um álcool (metanol, etanol , propanol, etc.) com um óleo de origem vegetal, até animal. ’No Brasil, a partir deste ano, será comum os produtores terem suas compras asseguradas e com preços pré-estabelecidos.’ O Brasil consome 40 bilhões de litros de diesel/ano, dos quais 6 bilhões de litros na agricultura, que é definida hoje como a ciência capaz de transformar petróleo em alimento e fibra. O País importa cerca de 30% do consumo, ou seja 12 bilhões de litros/ano, a um custo de mais de 3 bilhões de dólares.

A produção de biodiesel significa menor poluição do ambiente, mais empregos no campo, menor importação e mais recursos na balança de pagamentos, entre outros benefícios.

Beltrão acredita ser provável que, num futuro próximo, o mercado de energia será maior do que o de alimentos e o Brasil poderá, via produtos oriundos de biomassas, em especial o álcool e o biodiesel, suprir mais de 60% das necessidades do mundo, em 30 anos. ’Será muito importante para o País, e pode ser, inclusive, o elo que faltava para que o Brasil se firme como uma das principais economias mundiais’, avalia
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