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Biodiesel

Falta visão de futuro ao programa governamental


Revista CNT - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

O biodiesel é um assunto bastante antigo. Data da década de 40, quando as colônias africanas da França e da Bélgica já eram estimuladas a plantar dendê com finalidades energéticas. Em 1940, rodou o primeiro ônibus movido a biodiesel em Bruxelas, na Bélgica. A partir dali, tanto o biodiesel como o álcool foram praticamente extintos em função de interesses geopolíticos e econômicos, particularmente porque o petróleo custava mais barato. Na década de 70, após a crise do petróleo, a idéia de utilizar combustíveis vegetais renasceu no mundo e no Brasil.

A partir da década de 90, no Brasil, começa-se a estudar a possibilidade de utilização do álcool de cana como substituto do metanol, ou seja, o álcool de cana como uma matéria-prima que, associado a qualquer óleo vegetal, daria origem ao biodiesel. Em 2000, isso é levado ao governo federal, começa a ser discutido, a idéia se alastra e vários grupos começam a participar. A USP (Universidade de São Paulo) em Ribeirão Preto, através do Ladetel (Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas), com a tecnologia de produção já dominada, contata empresas do ramo automobilístico, de produção de óleo vegetal, de álcool de cana e o governo e estabelece parcerias.

Hoje, sabemos fazer o biodiesel que a Europa faz e também o biodiesel que a Europa não sabe fazer, o que é 100% renovável, 100% verde: aquele que utiliza, além dos óleos vegetais, o álcool de cana. O Brasil é líder na substituição de energia fóssil por renovável. Nossa gasolina tem um índice de 25% de álcool incorporado. Com certeza, esta liderança continuará com a introdução do biodiesel, desde que as condições tributárias e econômicas permitam. Ainda precisamos de incentivo fiscal e incentivo ao investimento para que o programa realmente deslanche.

Se considerarmos o mapa tributário desenhado pelo governo, na maior parte das situações o biodiesel seria inviável. O biodiesel só é viável quando analisamos o uso de matérias-primas específicas e de baixo custo. Precisamos de uma desoneração fiscal e um programa de incentivo para todas as regiões e para todos os grãos que possam ser utilizados no biodiesel. Só assim poderemos ter um programa extensivo a todo o país e de sucesso.

O presidente Lula conheceu o biodiesel já durante o seu governo, depois de ter vencido as eleições. É um grande entusiasta e tem uma visão do Brasil como uma grande potência dos biocombustíveis. O programa desenhado pelo governo federal é interessante, porém, visa somente a inclusão social e o desenvolvimento de algumas regiões. Acredito que podemos adicionar ao programa governamental um pouco mais de visão de futuro. É isso que está faltando. Que seja extensivo a todos os brasileiros, a todas as regiões do Brasil e a todos os grãos. Sem discriminações ao produtor pelo seu tamanho, nem de grão, nem de semente, nem do álcool e muito menos das regiões. Debate - Miguel Dabdoub