O ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González criticou nesta segunda-feira a postura contrária assumida por alguns países, como Cuba e Venezuela, contra os biocombustíveis, que representariam uma ameaça à oferta mundial de alimentos.
Na abertura do Ethanol Summit em São Paulo, ele também classificou como "inconcebível" um relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto, e reclamou da postura dos Estados Unidos quanto à energia nuclear.
"Ninguém sério pode dizer que acrescentar valor, emprego e tecnologia à produção agrícola vai causar problemas às pessoas mais pobres do mundo", disse González, que hoje preside a Fundação Progresso Global, que pretende estimular o debate e traçar propostas para o desenvolvimento no século XXI.
Ele defendeu que os problemas de alimentação no mundo não estão ligados à capacidade de produção e oferta, mas "de acesso" do ponto de vista da demanda, e disse haver evidências de que as companhias de petróleo estão por trás dessa polêmica.
"Parece um falso debate ideológico, por trás do qual se ocultam interesses que não querem confessar. Ou ainda um deslize monumental, coisa que alguns podem ter com o passar do tempo", disse, gerando risadas discretas na platéia.
O líder cubano Fidel Castro, de 80 anos, tem feito sistematicamente críticas aos biocombustíveis, assim como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, depois que Brasil e EUA assinaram um convênio na área.
"Não se pode deixar de afirmar que pode haver interesses petroleiros por trás deste falso debate", acrescentou.
O ex-mandatário também destacou a necessidade de uma retomada nas discussões sobre energia nuclear.
"A energia nuclear segue sendo polêmica. O debate segue atravessando reservas enormes. Porém me parece imprescindível repropor o debate nuclear... porque os avanços tecnológicos em termos de segurança são enormes", disse.
González ainda criticou a postura dos EUA quanto ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
"Não é possível sustentar uma interpretação do tratato que segue sendo bastante discriminatória, e além disso a discriminação a respeito de outro é praticada por quem possui todo o domínio (da energia nuclear)... para uso pacifico e para uso militar," afirmou.
González destacou que são empecilhos para a expansão do mercado de biocombustíveis problemas de infra-estrutura e também as barreiras comerciais, que serão, na opinião dele, alteradas com o tempo.
Ele ainda chamou de "inconcebível" um relatório preliminar da ONU que reconhece a oportunidade representada pela agroenergia, mas alerta que a corrida por produtos agrícolas para fabricação de biocombustíveis pode elevar os preços dos alimentos.
"Pode existir algum choque assimétrico, mas nada sério", previu o ex-premiê espanhol, citando como exemplo a crise das tortillas no México. O preço da comida subiu muito com o encarecimento do milho no mercado internacional, gerado pela produção de etanol nos EUA.
Por Inaê Riveras
Na abertura do Ethanol Summit em São Paulo, ele também classificou como "inconcebível" um relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o assunto, e reclamou da postura dos Estados Unidos quanto à energia nuclear.
"Ninguém sério pode dizer que acrescentar valor, emprego e tecnologia à produção agrícola vai causar problemas às pessoas mais pobres do mundo", disse González, que hoje preside a Fundação Progresso Global, que pretende estimular o debate e traçar propostas para o desenvolvimento no século XXI.
Ele defendeu que os problemas de alimentação no mundo não estão ligados à capacidade de produção e oferta, mas "de acesso" do ponto de vista da demanda, e disse haver evidências de que as companhias de petróleo estão por trás dessa polêmica.
"Parece um falso debate ideológico, por trás do qual se ocultam interesses que não querem confessar. Ou ainda um deslize monumental, coisa que alguns podem ter com o passar do tempo", disse, gerando risadas discretas na platéia.
O líder cubano Fidel Castro, de 80 anos, tem feito sistematicamente críticas aos biocombustíveis, assim como o presidente venezuelano, Hugo Chávez, depois que Brasil e EUA assinaram um convênio na área.
"Não se pode deixar de afirmar que pode haver interesses petroleiros por trás deste falso debate", acrescentou.
O ex-mandatário também destacou a necessidade de uma retomada nas discussões sobre energia nuclear.
"A energia nuclear segue sendo polêmica. O debate segue atravessando reservas enormes. Porém me parece imprescindível repropor o debate nuclear... porque os avanços tecnológicos em termos de segurança são enormes", disse.
González ainda criticou a postura dos EUA quanto ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear.
"Não é possível sustentar uma interpretação do tratato que segue sendo bastante discriminatória, e além disso a discriminação a respeito de outro é praticada por quem possui todo o domínio (da energia nuclear)... para uso pacifico e para uso militar," afirmou.
González destacou que são empecilhos para a expansão do mercado de biocombustíveis problemas de infra-estrutura e também as barreiras comerciais, que serão, na opinião dele, alteradas com o tempo.
Ele ainda chamou de "inconcebível" um relatório preliminar da ONU que reconhece a oportunidade representada pela agroenergia, mas alerta que a corrida por produtos agrícolas para fabricação de biocombustíveis pode elevar os preços dos alimentos.
"Pode existir algum choque assimétrico, mas nada sério", previu o ex-premiê espanhol, citando como exemplo a crise das tortillas no México. O preço da comida subiu muito com o encarecimento do milho no mercado internacional, gerado pela produção de etanol nos EUA.
Por Inaê Riveras