BiodieselBR
Publicidade

Biodiesel, a revolução energética

Em recente conversa, o presidente Lula, entusiasmado, disse-me que está determinado a patrocinar quatro grandes prioridades para o seu/nosso Nordeste, nelas se empenhando pessoalmente para que de fato se concretizem (a insensibilidade burocrática da má administrativa freqüentemente devora dados governamentais).
O Estado de S. Paulo - Paulo Lustosa - Secretário-executivo do Ministério das Comunicações 4 min de leitura
Em recente conversa, o presidente Lula, entusiasmado, disse-me que está determinado a patrocinar quatro grandes prioridades para o seu/nosso Nordeste, nelas se empenhando pessoalmente para que de fato se concretizem (a insensibilidade burocrática da má administrativa freqüentemente devora dados governamentais).

A primeira: aproveitar mais intensamente os maiores eixos geradores de emprego e da região, o turismo, que cresce de maextremamente dinâmica no País e, em parr, no Nordeste. Para apoia-la, estabeleceu providência preliminar a duplicação da BR 101 rodovia litorânea - que permitirá ampliar tremendamente o potencial turístico das praias nordestinas. segunda das prioridades: a integração dos econômicos estruturantes e a interligalos sistemas de transportes da região, so a ferrovia Transnordestina, que intedesde o porto de Pecém no Ceará até o porSuape em Pernambuco.

Através dessa ferrovia, serão integradas áreas de grande potencial de produção de grãos, frutas tropicais, derivados de minério de ferro, etc. Essa obra aproveita o potencial produtivo da área, reduz custos de transportes pela integração intermodal e otimiza a utilização dos dois principais portos da região. A terceira grande prioridade - sem dúvida a mais importante para o semi-árido e que redimirá os governantes brasileiros de tantas maldades praticadas contra os sofridos habitantes daquela região - é a transposição das águas do rio São Francisco.

Tal projeto dará de beber a quem tem sede, nada menos que 23 milhões de nordestinos, nos mais de 130 municípios da região. Vai reduzir a níveis menos cruéis a mortalidade infantil daquela área, que hoje é o dobro da média nacional. E vai permitir explorar a produção de frutas e flores, a carcinicultura, além de pôr em uso notável infra-estrutura de irrigação já existente e que apenas depende de oferta adequada de água. Será, sem dúvida, a obra do século - ou, como tenho dito, a Brasília de Lula.

Finalmente, last but not least, a quarta prioridade: o projeto biodiesel. Segundo o presidente tem confirmado a quantos o procuram para tratar do tema, o biodiesel mudará a matriz energética do Brasil mais do que o álcool o fez há alguns anos. O entusiasmo do presidente com o biodiesel é tal que se transfigura ao dele falar. E tem razão: so para o semi-árido, por exemplo, o aproveitamento de plantas nativas na rica variedade da flora nativa ou das chamadas xerófitas produtivas de sementes geradoras de óleo, como a mamona, permite uso alternativo para os produtos da soja, aumentando os graus de liberdade desse segmento com vistas ao mercado de seus produtos derivados.

Quando surgiu o problema do álcool, na visão do presidente Lula, os produtos derivados do açúcar viviam na gangorra do vaivém dos preços do mercado internacional, exigindo "muletas oficiais" para sua sobrevivência. Para superar a crise contínua do setor, unidades produtoras de açúcar viraram unidades mistas produzindo ora açúcar, ora álcool, a partir da demanda do mercado.

No caso do biodiesel, as possibilidades são ainda maiores, pois não só seriam usadas as sementes do semi-árido, mas a soja sobrante, a reciclagem de óleos comestíveis e a exploração de variedades de plantas capazes de gerar, a custos baixos, o óleo necessário à mistura ao diesel.

Tal mudança deverá otimizar a própria matriz energética do País na proporção em que reduzirá a dependência de importação do diesel, permitirá melhor aproveitamento do petróleo "craqueado" e redundará em enormes ganhos em termos de meio ambiente. Sem dúvida, irá gerar empregos onde o País mais precisa, como é o caso da área de plantação de mamona, babaçu, dendê, entre outros.

Se o presidente Lula, no caso de projetos dessa magnitude, tiver problemas de gestão e cronograma, basta imitar o que JK fez na construção de Brasília, criando grupos de trabalho tipo Geiquim, Geia, Geipot, etc., a ele diretamente vinculados, capazes de operar a grande transformação que ele tanto sonha e deseja.
Compartilhar: