Biodiesel: 120 mil quilômetros depois
Com a análise do primeiro motor onde o biodiesel etílico foi usado por um longo período, pesquisadores brasileiros devem acelerar a adoção desse combustível no país. Depois de rodar mais de 120 mil quilômetros usando a mistura, o Xsara Picasso usado pelo Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Limpas da Universidade de São Paulo (Ladetel/USP) se tornou o primeiro automóvel nacional com tal rodagem e passa a ser a melhor referência, hoje, das qualidades apregoadas ao combustível.
A expectativa é que a análise do motor ratifique o que estudos do grupo já constataram: o biodiesel verde-amarelo é o combustível do futuro. Tanto que o interesse sobre os estudos da USP vão de parcerias com indústrias como a Peugeot à espionagem industrial, descoberta recentemente dentro da universidade.
- Empresas pagaram alunos para ter acesso às pesquisas. Chegamos a ter o laboratório alvejado a tiros depois que registramos o caso na polícia - revela o pesquisador Antônio Batista, um dos químicos envolvidos no projeto Biodiesel Brasil.
O interesse sobre o biodiesel produzido a partir de canola, semente de girassol, soja, amendoim e outros grãos tem razão de ser. Além de ser ecologicamente correto, o biodiesel tem mercado a ganhar dentro e fora do Brasil. Aqui, há perspectivas de crescimento do uso da mistura por exigência da lei, que obrigará a venda de diesel com 5% de biodiesel até 2013. No Exterior, em países da Europa, cerca de 2% de todo o combustível hoje já provêm de fontes renováveis. Percentual que deverá subir para 5,75% até 2010.
- Os países europeus não plantam os grãos para a fabricação do biodiesel e poderão importar do Brasil. Temos área para o plantio e tecnologia para o produto - comemora Batista.


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