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Biodiesel

Alagoas entra no circuito nacional do biodiesel


Agência Sebrae - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

No auge da crise do petróleo, o cultivo da mamona, utilizada como matéria-prima para a produção de biodiesel, tem ganhado espaço considerável nas regiões Norte e Nordeste do País. A partir de uma parceria da secretaria de Agricultura do Estado de Alagoas com o Sebrae estadual, o sertão alagoano passa a integrar o estudo para a implantação do programa nacional de biodiesel. O objetivo é reestruturar a economia local, além de contribuir com o barateamento do consumo energético, sem danos ambientais.

A proposta do governo do Estado é impulsionar a produção do biodiesel em Alagoas e garantir boas perspectivas de mercado para os produtores de mamona. De acordo com Marcos Vieira, superintendente do Sebrae em Alagoas, cerca de 30 mil toneladas de sementes foram distribuídas pela secretaria direcionando a produção para nove municípios, onde foi verificada a viabilidade econômica da atividade.

Até agora, foram realizadas cinco reuniões promovidas pelos coordenadores para convidar entidades interessadas numa ação integrada de parceiros. O último encontro, realizado no mês de julho, contou com a participação de José Wellington Dias, consultor do Sebrae no Piauí. "Queremos seguir os mesmos passos dos trabalhos que vêm sendo realizados no Piauí. A idéia é que os produtores aprendam todo o processo, desde a colheita, até o esmagamento das sementes", disse Márcio Pinto, secretário de Planejamento de Alagoas.

Atualmente, o Piauí é o estado com a maior produtividade de mamona do País. São aproximadamente dois milhões de hectares de mamona plantados. Só o Piauí pode produzir o equivalente a um bilhão de litros de mamona, gerando 300 mil empregos diretos ou indiretos.

O secretário explicou que a intenção é definir as propostas das ações em conformidade com os princípios do Arranjo Produtivo Local (APL) da mamona de Alagoas. Por enquanto, as propostas são manifestadas em pesquisas de campo, reuniões com prefeituras e parceiros, e na capacitação de produtores. "Acredito que, em dois anos, mais de 1.500 famílias estejam realizando todo o processo", espera.

Inicialmente, os estudos estarão voltados apenas para alguns municípios, mas, segundo o superintendente Marcos Vieira, a meta é expandir o programa para 30 municípios do Estado. "Até o final do ano, esperamos que toda a formatação já esteja definida para que, em 2006, o processo já esteja em andamento", disse.

Entre as vantagens do biodiesel produzido a partir da mamona está a redução em 90% de gases poluentes no ar. Além disso, a produção de mamona no semi-árido tem contribuído com a geração de emprego e renda para pequenos produtores, fortalecendo a organização no campo e inserindo a cultura empreendedora rural.