O Brasil vai colher uma safra recorde de 58,6 milhões de toneladas na atual temporada, informou nesta quinta-feira a Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais), elevando em 1,5 milhão de toneladas sua estimativa, e o país deverá ter um aumento significativo na próxima temporada, avaliou a entidade.
"Não seria exagero ter um crescimento real nos próximos anos", afirmou o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, ao responder questão sobre a safra a ser colhida em 2008.
"Vamos ter crescimento não só de área, mas também de produtividade", disse ele a jornalistas, lembrando que os preços internacionais dos grãos, com a força recebida da agroenergia, vão favorecer a cultura, assim com as perspectivas de um maior uso de soja para a produção de biodiesel.
Segundo Lovatelli, o biodiesel vai ser uma "realidade" em um período de dois a quatro anos. "Energia renovável vai ser um dos grandes negócios do Brasil, se não o maior negócio."
Ele não adiantou o quanto a produção poderia aumentar no ano que vem.
A atual safra da oleaginosa no Brasil, o segundo produtor mundial, deverá ser quase 2 milhões de toneladas maior do que a estimada pela entidade na temporada passada (56,9 milhões de toneladas), em função de um tempo adequado para a lavoura, que propiciou um aumento de produtividade, apesar da área ter caído em relação ao período anterior em mais de 7 por cento, segundo o Ministério da Agricultura.
A previsão anterior da Abiove era de 57,1 milhões de toneladas. Com a expectativa de uma colheita maior, que ainda está em curso, a Abiove elevou a previsão de exportação para 26,3 milhões de toneladas no ano comercial 2007/08 (fevereiro a janeiro), contra estimativa anterior de 25,5 milhões de toneladas, ante 24,7 milhões em 06/07.
Segundo Lovatelli, a indústria do Brasil responde por 50 por cento da exportação do grão.
A exportação de óleo, no entanto, deve cair ligeiramente para 2,1 milhões de toneladas, ante 2,2 milhões na temporada passada. Já o consumo nacional crescerá para 3,6 milhões de toneladas no ano, ante 3,2 milhões no período anterior.
De acordo com a Abiove, a queda nas vendas externas ocorre devido a questões tributárias que não estimulam embarques de produtos processados, como acontece com a matéria-prima. Já a exportação de farelo subirá cerca de 500 mil toneladas, para 12,7 milhões de toneladas.
Também com uma maior produção, o processamento anual de soja no Brasil deverá somar 29,8 milhões de toneladas, ante 28,8 milhões estimados em fevereiro, voltando ao patamar registrado em 2005/06 (29,7 milhões de toneladas).
SACRIFÍCIOS NA CRISE
O aumento da produção em um cenário de melhores preços, além de melhorar a expectativa do setor para os próximos anos, ocorreu em um momento importante para produtores e indústrias, cujas margens ficaram apertadas em dois anos seguidos de crise, decorrente do chamado "descasamento" cambial, de preços baixos, e também de frustrações climáticas de produção.
Segundo a Abiove, o impulso dado aos biocombustíveis pelas políticas dos Estados Unidos acabou ajudando o Brasil. "Foi ótimo, vínhamos de duas safras extremamente problemáticas, que gerou endividamento... tirou poder de compra das tradings, todo mundo se sacrificou para ajudar."
A melhora nos preços deu um "alento", disse ele, lembrando que entre os sacrifícios feitos pela indústria estão o alongamento de prazos. "Teve de ser mais complacente... depende do produtor... sempre dentro de uma responsabilidade econômica."
Por Roberto Samora
"Não seria exagero ter um crescimento real nos próximos anos", afirmou o presidente da Abiove, Carlo Lovatelli, ao responder questão sobre a safra a ser colhida em 2008.
"Vamos ter crescimento não só de área, mas também de produtividade", disse ele a jornalistas, lembrando que os preços internacionais dos grãos, com a força recebida da agroenergia, vão favorecer a cultura, assim com as perspectivas de um maior uso de soja para a produção de biodiesel.
Segundo Lovatelli, o biodiesel vai ser uma "realidade" em um período de dois a quatro anos. "Energia renovável vai ser um dos grandes negócios do Brasil, se não o maior negócio."
Ele não adiantou o quanto a produção poderia aumentar no ano que vem.
A atual safra da oleaginosa no Brasil, o segundo produtor mundial, deverá ser quase 2 milhões de toneladas maior do que a estimada pela entidade na temporada passada (56,9 milhões de toneladas), em função de um tempo adequado para a lavoura, que propiciou um aumento de produtividade, apesar da área ter caído em relação ao período anterior em mais de 7 por cento, segundo o Ministério da Agricultura.
A previsão anterior da Abiove era de 57,1 milhões de toneladas. Com a expectativa de uma colheita maior, que ainda está em curso, a Abiove elevou a previsão de exportação para 26,3 milhões de toneladas no ano comercial 2007/08 (fevereiro a janeiro), contra estimativa anterior de 25,5 milhões de toneladas, ante 24,7 milhões em 06/07.
Segundo Lovatelli, a indústria do Brasil responde por 50 por cento da exportação do grão.
A exportação de óleo, no entanto, deve cair ligeiramente para 2,1 milhões de toneladas, ante 2,2 milhões na temporada passada. Já o consumo nacional crescerá para 3,6 milhões de toneladas no ano, ante 3,2 milhões no período anterior.
De acordo com a Abiove, a queda nas vendas externas ocorre devido a questões tributárias que não estimulam embarques de produtos processados, como acontece com a matéria-prima. Já a exportação de farelo subirá cerca de 500 mil toneladas, para 12,7 milhões de toneladas.
Também com uma maior produção, o processamento anual de soja no Brasil deverá somar 29,8 milhões de toneladas, ante 28,8 milhões estimados em fevereiro, voltando ao patamar registrado em 2005/06 (29,7 milhões de toneladas).
SACRIFÍCIOS NA CRISE
O aumento da produção em um cenário de melhores preços, além de melhorar a expectativa do setor para os próximos anos, ocorreu em um momento importante para produtores e indústrias, cujas margens ficaram apertadas em dois anos seguidos de crise, decorrente do chamado "descasamento" cambial, de preços baixos, e também de frustrações climáticas de produção.
Segundo a Abiove, o impulso dado aos biocombustíveis pelas políticas dos Estados Unidos acabou ajudando o Brasil. "Foi ótimo, vínhamos de duas safras extremamente problemáticas, que gerou endividamento... tirou poder de compra das tradings, todo mundo se sacrificou para ajudar."
A melhora nos preços deu um "alento", disse ele, lembrando que entre os sacrifícios feitos pela indústria estão o alongamento de prazos. "Teve de ser mais complacente... depende do produtor... sempre dentro de uma responsabilidade econômica."
Por Roberto Samora