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Pinhão manso pode ser beneficiado em acordo entre Europa e EUA

O acordo na área de biocombustíveis visa principalmente abrir o mercado europeu para a jatropha, antes uma planta obscura encontrada em clima tropical e subtropical.
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O acordo na área de biocombustíveis visa principalmente abrir o mercado europeu para a jatropha, antes uma planta obscura encontrada em clima tropical e subtropical, agora apontada pelos produtores como uma das mais apropriadas para produzir biodiesel.

A União Européia e os Estados Unidos podem selar um acordo na próxima semana sobre padrões comuns para comercializar biocombustíveis, o primeiro fruto de um novo esforço para aumentar o comércio e os investimentos entre Europa-Estados Unidos.

O acordo na área de biocombustíveis visa principalmente abrir o mercado europeu para a jatropha, antes uma planta obscura encontrada em clima tropical e subtropical, agora apontada pelos produtores como uma das mais apropriadas para produzir biodiesel.

Segundo diretriz da União Européia, 5,75% do combustível usado no transporte, com exceção do combustível para aviação, deve vir dos biocombustíveis até 2010 – uma meta prevista para crescer para 10% até 2020.

Sementes da esperança

A jatropha, uma planta arbustiva resistente com sementes ricas em óleo, deu início ao equivalente moderno da corrida do ouro no momento em que o mundo busca novas fontes de energia.

Antigamente usado para tratar malária, a jatropha é uma cultura atrativa para o biodiesel por ser resistente à seca e a pragas. Além disso, não é comestível, uma resposta às queixas de que o mundo está diminuindo o suprimento de alimentos ao converter lavouras em combustível.

As sementes de jatropha esmagadas produzem óleo para abastecer veículos a diesel. Seus resíduos podem fornecer energia para usinas de eletricidade.



Isso está aumentando a demanda por biocombustíveis, feitos na maior parte de grãos e óleos vegetais.

Na visão dos Estados Unidos, as normas da União Européia sobre matérias-primas para biodiesel favorecem o óleo de colza, que responde por metade da produção européia de óleo vegetal. Os fazendeiros alemães são os maiores produtores.

“Na Europa, o biodiesel é definido de uma tal forma que aparentemente exclui toda matéria-prima, com exceção da colza”, disse C. Boyden Gray, embaixador americano na União Européia. “Mas estou confiante de que a jatropha será abençoada [na reunião em Washington].”

“Acho que poderemos anunciar padrões técnicos bem firmes até o final do ano. É importante no sentido prático porque hoje há padrões que não são comuns.”

As empresas européias têm suas próprias queixas contra os Estados Unidos, principalmente com relação ao subsídio de US$ 1 por galão dado aos produtores americanos de B99, feito com 99% de biodiesel de soja e 1% de diesel mineral.

Os empresários europeus dizem que eles não podem competir com os rivais americanos porque o B99 é mais barato e chega à Europa refinado e pronto para o uso. Os produtores de B99 beneficiam-se não só dos subsídios dos Estados Unidos mas também de redução de taxas da União Européia.

Quando?

O anúncio está previsto para o dia 9 de novembro, em Washington, na primeira reunião do Conselho Econômico Transatlântico União Européia-Estados Unidos, uma iniciativa apresentada em abril pelo presidente americano George W. Bush, e a chanceler alemã Angela Merkel.

A tarefa do conselho é harmonizar certos padrões e reduzir os obstáculos burocráticos à cooperação de negócios em áreas que vão de propriedade intelectual à contabilidade e mercados financeiros.

“Os processos pelos quais as regulações são atingidas nos dois lados do Atlântico são bem diferentes. Isso é algo que precisa ser observado”, disse Gray. 

“No fim, se Estados Unidos e Europa não puderem conciliar-se e lidar com as questões de maneira mais consistente, nenhum dos dois continentes poderão lidar com a China e as economias emergentes”, alertou. “Mas isso não significa ser anti-China, mas significa ser a favor do crescimento econômico”, disse Gray a repórteres.

Tony Barber
Financial Times
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