Petrobras reajusta combustíveis após 9 meses
Depois de mais de nove meses sem reajustar os preços dos combustíveis, a Petrobras anunciou ontem um aumento de 10% para a gasolina e de 12% para o diesel nas refinarias da estatal. Para o consumidor, as estimativas apontam altas entre 7,5% e 9% para a gasolina e 10% para o diesel. Os preços nas bombas são livres.
Os aumentos já valem desde a 0h de hoje e incluem os tributos federais Cide (Contribuição e Intervenção de Domínio Econômico) e PIS/Cofins, mas não o ICMS, que é estadual.
A Petrobras estima que, para o consumidor, o impacto será menor porque os reajustes "não incidem sobre os impostos, nem sobre os 25% de álcool que é misturado à gasolina, nem sobre as parcelas de distribuição e revenda".
Pela estimativa da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis), os aumentos na gasolina devem variar de 7,5% a 9%, e a alta no diesel deve ser de 10%. Mas a federação lembra que o valor depende da região, por causa do ICMS e da concorrência.
O diretor do CBIE (Centro Brasileiro de Infra-Estrutura), Adriano Pires, acredita que os postos devem repassar os reajustes a partir de hoje mesmo. Ele calcula um aumento de 8% para a gasolina e de 10% para o diesel, na média nacional, se mantidas as margens atuais dos revendedores. Mas, de acordo com o especialista, os postos vão aproveitar a ocasião para aumentar suas margens de lucro.
Em nota, a Petrobras explicou que os "ajustes de preços foram definidos pela companhia levando em consideração um novo patamar de preço do petróleo, dentro de uma perspectiva de médio e longo prazos, e estão em linha com as premissas definidas no Plano Estratégico de manter parametrizados (no mesmo patamar) os preços dos derivados ao mercado internacional".
Em novembro do ano passado, quando a Petrobras fez seu último reajuste, o barril do petróleo estava cotado na faixa dos US$ 40. Atualmente, após já ter atingido os US$ 70, o barril está em torno dos US$ 64.
"O aumento já era esperado. Em agosto, pesaram a pressão do câmbio e das cotações do petróleo, mas o reajuste só não foi feito talvez por causa do momento político delicado", avalia Pires. Segundo ele, a crise arrefeceu um pouco, e as denúncias que pesam sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, desviaram um pouco o foco do governo.
Inflação
"Se a Petrobras não aumenta os preços agora, já poderia apresentar resultados negativos no terceiro trimestre. No mais, a inflação está controlada", avalia Pires, lembrando que a apreciação do real ajudou a empresa a segurar os preços. Para o especialista, ainda que haja uma mudança no câmbio ou uma alta no preço internacional do petróleo, a Petrobras pode fazer outro reajuste em novembro, sem causar impactos na inflação deste ano.
Segundo a empresa, a remuneração recebida pela venda dos seus produtos viabiliza o programa de investimento e vem descobrindo mais petróleo e gás, construindo e operando unidades industriais e conduzindo uma rede de transporte e logística, que vem garantindo o abastecimento nacional de derivados e o retorno para seus acionistas.
No último reajuste da Petrobras, no dia 25 de novembro do ano passado, a gasolina subiu 7%, e o diesel, 10%. Antes desse, houvera mais dois reajustes em 2004.


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