Uma das dúvidas do produtor e outros agentes da cadeia produtiva do biodiesel é a contribuição e a vantagem de o agricultor plantar oleaginosas. Uma das questões é a seguinte: Como a cadeia produtiva do biodiesel vai promover a inserção do pequeno produtor no Norte de Minas?
"É preciso que se coloque um time forte em campo para agilizar a questão da tecnologia, assistência técnica, crédito, entre outras demandas como aconteceu no Ceará para que o produtor seja beneficiado com a produção de biodiesel no Norte de Minas", disse a coordenadora de biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Edna de Cássia Carmelo, durante a 18ª semana do produtor rural de Montes Claros (MG).
A coordenadora ainda falou que em Minas Gerais a situação da inclusão social ainda está melhor do que em outros estados, isso porque há em Montes Claros um comprador das oleaginosas, que é a Petrobras. Nessa safra de 2006/07 a Petrobras assumiu a posição de comprar os grãos dos estados do Ceará e da Bahia, mas a proposta da estatal é comprar apenas óleo em 2008; conforme informou o gerente de implantação do projeto de biodiesel em Montes Claros, Júlio Cezar Monteiro Lopes.
Júlio Cezar ainda conta que a Petrobras acredita que a exemplo do que já acontece com a Petrovasf e os agricultores em Itacarambi no processo de compra e venda da mamona, deve acontecer com a estatal na região. Há três anos a Petrovasf trabalha processando o óleo da mamona em Itacarambi e tem dado certo. Lá a empresa paga cerca de R$ 0,56 pelo quilo do grão sendo que a previsão da estatal é que se pague pelo menos R$0,60 pelo quilo do grão da mamona para processar biodiesel na usina.
"A Petrobras deve operar basicamente nas mesmas condições da Petrovasf, já que lá cerca de 95% dos agricultores familiares estão envolvidos no processo de produção baseando-se em garantia de preço mínimo. Isso deve dar certo porque senão a empresa não estaria de pé há três anos", comenta.
Recursos aportados
Outro ponto a ressaltar é que a Petrobras vai aportar recurso para investir na assistência técnica. Júlio diz que a estatal vai fiscalizar se a capacitação e assistência técnica estão acontecendo, mas não será a empresa a ter contato direto com o produtor. O provável é que a Petrobras firme algum tipo de convênio com o governo de Minas Gerais no sentido de aplicar os recursos na Emater, empresa que presta assistência técnica aos pequenos produtores no estado.
"Como perdemos o calendário agrícola no ano passado no Norte de Minas deixamos de firmar nossos contratos com os produtores. Para esse ano não queremos perder, mesmo porque já em 2008 começa a se adicionar biodiesel no diesel, período em que pretendemos colher nossa safra. Na safra 2006/07 a Petrobras adquiriu sementes dos produtores do Ceará, mas isso não deve acontecer na próxima safra, quando só vamos adquirir o óleo para processar o combustível renovável", enfatizou.
A coordenadora de biocombustíveis do MDA lembra que é preciso apressar o passo e construir um planejamento estratégico com urgência para o Norte de Minas, partindo do pressuposto de que é preciso começar a tomar atitudes em junho para que o banco do Nordeste e do Brasil, disponibilizadores de crédito, exatamente do Pronaf se adequem para atender o agricultor. Assim como a pesquisa que deve ser imediatamente anunciada para que se conheça as oleaginosas que podem ser aplicadas à agricultura familiar como é o caso da mamona.
Potencialidade
Para tanto, a Petrobras já afirmou que deve comprar cerca de cinco mil toneladas de mamona por ano na região, sendo que a capacidade de produção da usina de biodiesel é de processar 50 mil toneladas por ano. Isso, conforme Edna, deve envolver uma média de 10 mil agricultores que receberão acesso ao Pronaf via instituições financeiras atuantes na região.
Produzir o óleo para o biodiesel não é problema para a agricultura familiar, porque vai produzir com o selo social. Isso dará garantias de inserção do pequeno produtor nos arranjos produtivos do biodiesel; mas é preciso avançar para não perder o calendário agrícola. Está faltando um núcleo gestor resistente para dar o ponta pé inicial. Em julho os bancos já devem ter linhas de crédito para atender esse público, bem como assistência técnica para que seja feito o preparo da terra. O negócio é ter semente no chão com rapidez para atender a demanda da Petrobras e para que o pequeno produtor seja beneficiado.
Ela complementou a informação anunciando que em Julho quando o ministério da agricultura vai lançar o plano safra também vai falar do zoneamento e das linhas de crédito para as oleaginosas disponíveis pelo banco do Nordeste.
Vale lembrar que é preciso na visão do MDA, saber das reais necessidades dos produtores, porque se pensa que a adesão ao plantio de mamona vai partir diretamente de cada produtor.
"Tudo tem que ser firmado, assim como o contrato de compra e venda com a Petrobras. É importante também definir os pólos de produção do biodiesel, como chamamos no MDA. Plantar agora para colher em meados de outubro", conclui.
Valéria Esteves
"É preciso que se coloque um time forte em campo para agilizar a questão da tecnologia, assistência técnica, crédito, entre outras demandas como aconteceu no Ceará para que o produtor seja beneficiado com a produção de biodiesel no Norte de Minas", disse a coordenadora de biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Edna de Cássia Carmelo, durante a 18ª semana do produtor rural de Montes Claros (MG).
A coordenadora ainda falou que em Minas Gerais a situação da inclusão social ainda está melhor do que em outros estados, isso porque há em Montes Claros um comprador das oleaginosas, que é a Petrobras. Nessa safra de 2006/07 a Petrobras assumiu a posição de comprar os grãos dos estados do Ceará e da Bahia, mas a proposta da estatal é comprar apenas óleo em 2008; conforme informou o gerente de implantação do projeto de biodiesel em Montes Claros, Júlio Cezar Monteiro Lopes.
Júlio Cezar ainda conta que a Petrobras acredita que a exemplo do que já acontece com a Petrovasf e os agricultores em Itacarambi no processo de compra e venda da mamona, deve acontecer com a estatal na região. Há três anos a Petrovasf trabalha processando o óleo da mamona em Itacarambi e tem dado certo. Lá a empresa paga cerca de R$ 0,56 pelo quilo do grão sendo que a previsão da estatal é que se pague pelo menos R$0,60 pelo quilo do grão da mamona para processar biodiesel na usina.
"A Petrobras deve operar basicamente nas mesmas condições da Petrovasf, já que lá cerca de 95% dos agricultores familiares estão envolvidos no processo de produção baseando-se em garantia de preço mínimo. Isso deve dar certo porque senão a empresa não estaria de pé há três anos", comenta.
Recursos aportados
Outro ponto a ressaltar é que a Petrobras vai aportar recurso para investir na assistência técnica. Júlio diz que a estatal vai fiscalizar se a capacitação e assistência técnica estão acontecendo, mas não será a empresa a ter contato direto com o produtor. O provável é que a Petrobras firme algum tipo de convênio com o governo de Minas Gerais no sentido de aplicar os recursos na Emater, empresa que presta assistência técnica aos pequenos produtores no estado.
"Como perdemos o calendário agrícola no ano passado no Norte de Minas deixamos de firmar nossos contratos com os produtores. Para esse ano não queremos perder, mesmo porque já em 2008 começa a se adicionar biodiesel no diesel, período em que pretendemos colher nossa safra. Na safra 2006/07 a Petrobras adquiriu sementes dos produtores do Ceará, mas isso não deve acontecer na próxima safra, quando só vamos adquirir o óleo para processar o combustível renovável", enfatizou.
A coordenadora de biocombustíveis do MDA lembra que é preciso apressar o passo e construir um planejamento estratégico com urgência para o Norte de Minas, partindo do pressuposto de que é preciso começar a tomar atitudes em junho para que o banco do Nordeste e do Brasil, disponibilizadores de crédito, exatamente do Pronaf se adequem para atender o agricultor. Assim como a pesquisa que deve ser imediatamente anunciada para que se conheça as oleaginosas que podem ser aplicadas à agricultura familiar como é o caso da mamona.
Potencialidade
Para tanto, a Petrobras já afirmou que deve comprar cerca de cinco mil toneladas de mamona por ano na região, sendo que a capacidade de produção da usina de biodiesel é de processar 50 mil toneladas por ano. Isso, conforme Edna, deve envolver uma média de 10 mil agricultores que receberão acesso ao Pronaf via instituições financeiras atuantes na região.
Produzir o óleo para o biodiesel não é problema para a agricultura familiar, porque vai produzir com o selo social. Isso dará garantias de inserção do pequeno produtor nos arranjos produtivos do biodiesel; mas é preciso avançar para não perder o calendário agrícola. Está faltando um núcleo gestor resistente para dar o ponta pé inicial. Em julho os bancos já devem ter linhas de crédito para atender esse público, bem como assistência técnica para que seja feito o preparo da terra. O negócio é ter semente no chão com rapidez para atender a demanda da Petrobras e para que o pequeno produtor seja beneficiado.
Ela complementou a informação anunciando que em Julho quando o ministério da agricultura vai lançar o plano safra também vai falar do zoneamento e das linhas de crédito para as oleaginosas disponíveis pelo banco do Nordeste.
Vale lembrar que é preciso na visão do MDA, saber das reais necessidades dos produtores, porque se pensa que a adesão ao plantio de mamona vai partir diretamente de cada produtor.
"Tudo tem que ser firmado, assim como o contrato de compra e venda com a Petrobras. É importante também definir os pólos de produção do biodiesel, como chamamos no MDA. Plantar agora para colher em meados de outubro", conclui.
Valéria Esteves