"...claro que é preciso escala [para produção de biodiesel], mas as cooperativas servem para isso. Dão
às famílias capacidade agregativa para que elas possam, inclusive,
pagar pela instalação de usinas de processamento da produção".
Nos últimos tempos, além do álcool, surgem outras vedetes no mundo dos combustíveis limpos. O Brasil é um dos países que embarcaram na onda do biodiesel (combustível obtido a partir de matérias-primas como girassol, mamona e dendê). Apesar do apoio que tem recebido do governo, em especial do presidente Lula, a alternativa ainda não mostra viabilidade econômica. É o que revela o caderno Biocombustíveis, editado em 2005 pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência da República.
O estudo do NAE recomenda que os custos atuais sejam muito bem conhecidos para que se dimensione corretamente no futuro a viabilidade dessa alternativa e os possíveis níveis de ajuda financeira governamental. Para quem não se lembra, quando o Proálcool foi lançado, em 1975, teve participação fundamental do governo no subsídio à produção. Os carros do tipo flex fuel também contaram com um auxílio importante desde o início: o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) igual ao dos modelos a álcool, portanto mais baixo que o da gasolina.
“O bom desempenho de um programa como esse vai depender dos investimentos para se chegar a um número suficiente de fontes, ao aumento do rendimento energético e a viabilidade econômica”, analisa Evando Mirra, diretor da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial.
O estudioso Bautista Vidal, um dos idealizadores do Proálcool, é hoje um dos mais enfáticos defensores do biodiesel. Vidal acaba de entregar um estudo ao presidente da Câmara, deputado federal Aldo Rebelo, para que seja encaminhado a Lula. “Haverá um colapso energético fóssil quando a produção de petróleo não atender mais à demanda crescente. A maior e mais consistente das perspectivas são os combustíveis derivados da biomassa tropical”, explica.
Para Vidal, uma das alternativas estratégicas para o País seria uma aliança com a Venezuela para a exploração do biodiesel a partir do dendê na região fronteiriça da Amazônia. Serviria, segundo o especialista, não só como fonte de renda para uma população marginalizada, mas também uma forma de ocupar uma área hoje exposta à ação de narcotraficantes. “As condições são excepcionais, basta uma decisão política.” Segundo seus estudos, seria preciso investir no setor 4 bilhões de reais ao ano para que o Brasil atingisse um patamar de destaque no mercado internacional. Isso, de acordo com Vidal, seria suficiente para que o País produzisse em dez anos 45 bilhões de litros de óleos vegetais. “Enquanto isso, o governo prefere investir 9,2 bilhões de dólares, ao lado da Argentina e da Venezuela, para cobrir o País com um gasoduto”, diz.
Assim como Vidal, Rafael Schechtman, sócio do CBIE, é contra a forma como o governo implantou o Programa Nacional do Biodiesel. “O Brasil não vai ser um player importante baseado na agricultura familiar, porque não há escala. Para isso é preciso uma escala industrial, com a participação dos grandes produtores”, avalia. Ele cita como exemplo a fábrica de biodiesel, feito a partir da mamona, em Floriano (PI), inaugurada por Lula em agosto de 2005. Segundo ele, além de a produção ser pequena, distante dos centros consumidores, a remuneração das famílias é muito baixa.
O modelo de agricultura familiar para o biodiesel, opina Vidal, deve ser mais bem explorado. “Claro que é preciso escala, mas as cooperativas servem para isso. Dão às famílias capacidade agregativa para que elas possam, inclusive, pagar pela instalação de usinas de processamento da produção”, detalha.
A Petrobras foi a maior compradora do primeiro leilão de biodiesel, realizado em novembro de 2005, com uma oferta de 70 mil metros cúbicos. O próximo, no qual serão oferecidos 170 mil metros cúbicos, está marcado para a quinta-feira 30. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que realiza os leilões, a previsão é que até dezembro de 2007 sejam adquiridos 800 milhões de litros de biodiesel. Hoje existe uma lei que prevê a adição de 2% de biodiesel ao diesel a partir de 2008. Em 2013, a adição passará a 5%.
O estudo do NAE recomenda que os custos atuais sejam muito bem conhecidos para que se dimensione corretamente no futuro a viabilidade dessa alternativa e os possíveis níveis de ajuda financeira governamental. Para quem não se lembra, quando o Proálcool foi lançado, em 1975, teve participação fundamental do governo no subsídio à produção. Os carros do tipo flex fuel também contaram com um auxílio importante desde o início: o Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) igual ao dos modelos a álcool, portanto mais baixo que o da gasolina.
“O bom desempenho de um programa como esse vai depender dos investimentos para se chegar a um número suficiente de fontes, ao aumento do rendimento energético e a viabilidade econômica”, analisa Evando Mirra, diretor da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial.O estudioso Bautista Vidal, um dos idealizadores do Proálcool, é hoje um dos mais enfáticos defensores do biodiesel. Vidal acaba de entregar um estudo ao presidente da Câmara, deputado federal Aldo Rebelo, para que seja encaminhado a Lula. “Haverá um colapso energético fóssil quando a produção de petróleo não atender mais à demanda crescente. A maior e mais consistente das perspectivas são os combustíveis derivados da biomassa tropical”, explica.
Para Vidal, uma das alternativas estratégicas para o País seria uma aliança com a Venezuela para a exploração do biodiesel a partir do dendê na região fronteiriça da Amazônia. Serviria, segundo o especialista, não só como fonte de renda para uma população marginalizada, mas também uma forma de ocupar uma área hoje exposta à ação de narcotraficantes. “As condições são excepcionais, basta uma decisão política.” Segundo seus estudos, seria preciso investir no setor 4 bilhões de reais ao ano para que o Brasil atingisse um patamar de destaque no mercado internacional. Isso, de acordo com Vidal, seria suficiente para que o País produzisse em dez anos 45 bilhões de litros de óleos vegetais. “Enquanto isso, o governo prefere investir 9,2 bilhões de dólares, ao lado da Argentina e da Venezuela, para cobrir o País com um gasoduto”, diz.
Assim como Vidal, Rafael Schechtman, sócio do CBIE, é contra a forma como o governo implantou o Programa Nacional do Biodiesel. “O Brasil não vai ser um player importante baseado na agricultura familiar, porque não há escala. Para isso é preciso uma escala industrial, com a participação dos grandes produtores”, avalia. Ele cita como exemplo a fábrica de biodiesel, feito a partir da mamona, em Floriano (PI), inaugurada por Lula em agosto de 2005. Segundo ele, além de a produção ser pequena, distante dos centros consumidores, a remuneração das famílias é muito baixa.
O modelo de agricultura familiar para o biodiesel, opina Vidal, deve ser mais bem explorado. “Claro que é preciso escala, mas as cooperativas servem para isso. Dão às famílias capacidade agregativa para que elas possam, inclusive, pagar pela instalação de usinas de processamento da produção”, detalha.
A Petrobras foi a maior compradora do primeiro leilão de biodiesel, realizado em novembro de 2005, com uma oferta de 70 mil metros cúbicos. O próximo, no qual serão oferecidos 170 mil metros cúbicos, está marcado para a quinta-feira 30. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), que realiza os leilões, a previsão é que até dezembro de 2007 sejam adquiridos 800 milhões de litros de biodiesel. Hoje existe uma lei que prevê a adição de 2% de biodiesel ao diesel a partir de 2008. Em 2013, a adição passará a 5%.