BiodieselBR
Publicidade

Minas Gerais está de olho nas divisas do biodiesel

A partir do ano de 2008, a adição de 2% de biocombustível ao óleo diesel será obrigatória. Para atender a exigência do governo federal, o País vai precisar produzir 250 milhões de litros por ano.
Agência Envolverde 4 min de leitura
A partir do ano de 2008, a adição de 2% de biocombustível ao óleo diesel será obrigatória. Para atender a exigência do governo federal, o País vai precisar produzir 250 milhões de litros por ano.

De olho nesse mercado, Minas Gerais pretende aproveitar as boas condições para o cultivo de plantas como pinhão-manso, pequi, macaúba, mamona, amendoim, girassol, soja e algodão, para se tornar um dos principais produtores de biodiesel do País.

E não falta espaço para crescer e atender à demanda, principalmente porque o Estado já é um dos principais produtores de biocombustíveis do País. Estimativa do Departamento de Combustíveis Renováveis do Ministério das Minas e Energia mostra que, até 2008, o consumo de biocombustível no Brasil deve saltar para 840 milhões de litros por ano. Desse total, cerca de 250 milhões de litros devem vir de Minas.

Atualmente, o Estado tem 3,2 mil hectares de mamonas plantadas. Para atender ao potencial crescimento da demanda, a área plantada precisa chegar aos 425 mil hectares. O presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), José Silva Soares, afirma que o sucesso do projeto está diretamente vinculado ao compromisso governamental e ao envolvimento da iniciativa privada.

Segundo ele, a participação concreta de todas as esferas de governo e da iniciativa privada é a melhor forma de garantir leis e condições de crédito que viabilizem a produção. “O biodiesel tem mercado, mas para o agricultor produzir é necessário haver um programa que seja sustentável”, assinala o presidente da Emater-MG.

Incentivos

Vários programas dos governos federal e estadual dão incentivos fiscais, crédito e ainda finaciam pesquisas para a área nos próximos anos. Apenas nas plantas industriais de processamento do óleo serão investidos cerca de US$ 125 milhões.

O objetivo é incentivar a produção para atender a exigência que entra em vigor em 2008. Essa estratégia de incentivos também serve para consolidar uma segunda expansão, prevista para 2013, quando a mistura de biodiesel no óleo diesel deverá saltar de 2% para 5%.

Bom negócio

O professor da Universidade Federal de Lavras (UFLA), Pedro Castro Neto, destaca as vantagens da mamona para o produtor rural. “As condições já são favoráveis e a planta representa uma renda extra. Pode pagar os custos de uma colheita de café, por exemplo”, afirma. O professor é responsável pelas pesquisas sobre biodiesel da Universidade em parceria com o Governo do Estado.

Além de desenvolver pesquisas para melhorar o cultivo das oleaginosas, a UFLA também orienta produtores interessados nas plantas. Com o apoio do Sebrae em Minas Gerais, são realizadas palestras e eventos em várias regiões do Estado, os “Dia de Campo”. A proposta é esclarecer as principais dúvidas dos agricultores.

“A receptividade do agricultor é boa, inclusive porque não é nosso objetivo que a cultura substitua o que já existe na fazenda. Não aconselhamos a monocultura em nenhum caso, para que as famílias tenham segurança da renda”, afirma o professor.

Ele destaca que as oleaginosas, como são chamadas as plantas que produzem óleo e servem para o biodiesel, podem ser bem sucedidas tanto na agricultura familiar quanto na empresarial.

A rentabilidade não deixa a desejar. No preço de 2004, a renda ficou entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por hectare, dependendo da produtividade. “Esse valor está acima da média de outras culturas”, diz Pedro Castro Neto, lembrando que os custos giram em torno de R$ 700 a R$ 800.

Mas o professor afirma ainda que existe a possibilidade de aumentar a renda com a aplicação das tecnologias desenvolvidas na universidade. “Em nossas pesquisas, conseguimos chegar à produtividade de R$ 4 mil a R$ 5 mil”.

A UFLA também está organizando o II Congresso Brasileiro de Plantas Oleaginosas, Óleos, Gorduras e Biodiesel a ser realizado em Varginha, no Sul de Minas, entre os dias 27 e 29 de julho. O evento promete integrar o conhecimento acadêmico à realidade do produtor. “Nós fabricaremos o biodiesel no local, para demonstra ao agricultor como é feito todo o processo”, explica Pedro Castro Neto.
Compartilhar: