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Leilões de biodiesel agradam o mercado

Leilão ANP resultadoPreço foi considerado justo e 85,7% das empresas que participaram realizaram vendas. Confira a seguir o que dizem os produtores e governo sobre os resultados.
BiodieselBR.com 7 min de leitura
Rio de Janeiro - Os resultados do oitavo e nono leilão de biodiesel da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizados nos dias 10 e 11 de abril, atenderam as expectativas do Ministério de Minas e Energia (MME) e as dos produtores.

Preço foi considerado justo e 85,7% das empresas que participaram realizaram vendas. Confira a seguir o que dizem os produtores e governo sobre os resultados.

Rio de Janeiro - Os resultados do oitavo e nono leilão de biodiesel da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), realizados nos dia 10 e 11 de abril, atenderam as expectativas do Ministério de Minas e Energia (MME) e as dos produtores. O governo comprou os 330 milhões de litros de biodiesel previstos para o terceiro trimestre de 2008 e as usinas puderam vender até 80% da capacidade produtiva do terceiro trimestre. Os leilões movimentaram R$ 887 milhões, sendo R$ 710 milhões no primeiro dia e R$ 177 milhões no segundo. Os pregões tiveram vendas de 24 unidades produtoras. O número dobrou em relação à sétima edição, onde apenas 12 empresas venderam. Para o diretor comercial da paulista Bioverde, Alexandre Ferreira da Silva, os leilões deste ano foram mais democráticos “pois permitiram a inclusão de novas empresas no certame, já que, das outras vezes, muitos produtores ficaram de fora e, como não existe um segundo comprador depois da Petrobras, as fábricas acabavam paradas”.

O diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, Ricardo Dornelles, disse que o aumento do número de empresas participantes nos leilões “mostra que mais produtores entraram no ramo de biodiesel e isso equilibra a logística e o abastecimento do produto, uma vez que há maior distribuição de unidades produtoras por todo país. Além disso, as novas usinas elevam o nível de competitividade do mercado e ajudam na consolidação de ofertas do biodiesel”. No 9º leilão, as empresas sem Selo Combustível Social também fizeram parte da disputa.

A região Centro-Oeste concentrou a maior parte das vendas do biodiesel, com 144,42 milhões de litros. As mato-grossenses ADM e  Agrenco foram as responsáveis por 73,5 milhões de litros e as goianas Caramuru e Granol por 42,42 milhões de litros.

A Brasil Ecodiesel, através das unidades da Bahia, Maranhão e Rio Grande do Sul, foi a empresa que registrou maior participação no volume total do biodiesel vendido, 19,09%, arrematando 63 milhões de litros. Na segunda colocação aparece a Granol, que através das suas usinas de Goiás e Rio Grande do Sul vendeu 45,7 milhões de litros, o equivalente a 13,85% dos 330 milhões de litros do produto comprados pelo governo federal.

Os volumes comercializados são destinados ao suprimento regular do mercado para o próximo trimestre do ano.

"Agora podemos contar com alguma expectativa de ganho, o que nas situações anteriores não foi possível” Marcos Boff - Oleoplan


O preço médio final dos pregões foi de R$ 2,69 por litro. Nesse valor, estão incluídos os tributos federais incidentes sobre o biodiesel - Pis/Pasep e Cofins - mas sem o ICMS (imposto estadual) e os custos de frete. Os produtores consideraram razoável o valor, já que ficou próximo à cotação do óleo de soja, que está faixa de R$2,70. O diretor executivo da União Brasileira de Biodiesel (Ubrabio), Sérgio Beltrão, disse que o preço de referência dos leilões deste ano, R$ 2.804,00 por m³, melhorou muito, “mas poderia ser maior em virtude dos altos gastos de produção do biodiesel e dos valores praticados no mercado de commodities agrícolas. Espera-se que a trajetória desses bons preços continue e que, enfim, possa refletir os reais custos de fabricação do produto, permitindo uma lucratividade mais proveitosa”.

A taxa de deságio dos dois leilões oscilou entre 4% e 4,2%.  No sétimo leilão da ANP, realizado em novembro, o deságio médio foi de 22,2%. Para o diretor de comercialização de biodiesel da Oleoplan (RS), Marcos Mellin Boff, a queda do deságio “pode viabilizar a produção com uma possibilidade real de lucros para o 2º semestre de 2008. Agora podemos contar com alguma expectativa de ganho, o que nas situações anteriores não foi possível”. A Oleoplan obteve uma das melhores médias de venda dos dois leilões, comercializando 16,95 milhões de litros de biodiesel  por R$ 2,74 o litro.

Os produtores preferem não criar muitas expectativas para o segundo semestre de 2008. Mas admitem que o cenário que se desenha para os próximos meses é bastante promissor. De acordo com Boff “o preço médio dos leilões, aos custos de hoje, é bastante positivo para o semestre que vem. Claro que pode haver alguma variação nos valores do óleo de soja e devemos nos preparar para tanto”.

 "No pregão eletrônico, havia a chance de ficar até 2 horas baixando os preços do mesmo lote. Ficava todo mundo lá brigando por centavos. Os preços caíam absurdamente” Alexandre Silva - Bioverde

As novas regras

O edital do 8º e 9º leilão de biodiesel trouxe algumas novidades que agradaram os produtores. Dentre elas, destaca-se a realização do pregão na modalidade presencial. As empresas comemoraram o fim do pregão eletrônico. Para Alexandre Silva “os leilões via internet prejudicavam as usinas e favoreciam demais quem estava comprando o biodiesel. No pregão eletrônico, havia a chance de ficar até 2 horas baixando os preços do mesmo lote. Ficava todo mundo lá brigando por centavos. Os preços caíam absurdamente”.

Pelas novas regras, cada unidade produtora poderia fazer até três ofertas diferentes, informando o lote de biodiesel disponível para cada valor apresentado. Assim, os preços eram ordenados de forma crescente para a segunda rodada e os produtores podiam modificar o preço dos lances iniciais. Para Silva, as alterações do edital deixaram os leilões mais transparentes “porque desta vez não houve uma disputa predatória como nos outros. A nova forma dos leilões tornou a competição mais justa. O produtor trabalha com seus custos, oferece os lances e numa segunda oportunidade pode abaixar os preços conforme a classificação”.

Marcos Boff disse que o novo mecanismo de classificação dos leilões foi determinante para a redução do deságio médio. Segundo ele, a melhoria do preço médio final dos leilões, R$ 2,69 por litro, “é fruto do ganho de experiência do setor. O produtor se deu conta que não adiantava partir para uma competição muito acirrada, disputando preços muitos baixos para a realidade do mercado, e no fim todos saírem prejudicados”.

A outra novidade do edital é a redução do tempo de entrega. As empresas vencedoras têm o prazo de três meses, de 1º de julho a 30 de setembro, para entregar o biodiesel às distribuidoras. Para Sergio Beltrão, da Ubrabio, a diminuição do prazo, que antes era de seis meses, “contribui para a redução da vulnerabilidade do mercado de biodiesel frente à volatilidade dos preços das commodities agrícolas”. Beltrão ainda acrescentou que a ampliação do número de fábricas concorrentes foi outro ponto importante do novo edital. Segundo ele, praticamente todas as usinas tiveram espaço - do total de 24 empresas participantes, 21 saíram vitoriosas dos leilões - “mas vale lembrar que as empresas tiveram mais sucesso na disputa em função de seu porte e de seu nível de integração vertical na cadeia de produção”.

Volume vendido por empresa

Carlyle Junior e Bernardo Mariani
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