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Grupo lança tecnologia até 40% mais barata para biodiesel

O grupo Marchiori, de Piracicaba (SP), lançou nesta quarta-feira uma nova tecnologia para a produção de biodiesel
Reuters e O Estado de S. Paulo. 4 min de leitura
O grupo Marchiori, de Piracicaba (SP), lançou nesta quarta-feira uma nova tecnologia para a produção de biodiesel que custa de 30 a 40 por cento menos que os processos até agora disponíveis no mercado, ao substituir o aço inox e o titânio, normalmente usados nos reatores das plantas, por fibra de vidro.

Uma unidade com a nova tecnologia, totalmente desenvolvida no Brasil, está sendo instalada em Sinop (MT), e uma segunda deve estar montada até o fim do ano, em Piracicaba. Há outras 15 plantas em negociação, segundo a empresa.

"Nosso custo é mais baixo porque a tecnologia é nossa, não pagamos royalties e o material é mais barato", disse o presidente do grupo, Antônio Martinho Marchiori, a repórteres durante a Feicana, exposição do setor sucroalcooleiro.

Segundo o diretor do departamento de bioenergia, Luiz Barbosa, a empresa foi procurada por vários interessados, inclusive do exterior, que ficaram intrigados com a utilização de fibra de vidro nos reatores em que ocorre a transformação do óleo vegetal em biodiesel.

Ele explicou que o material suporta calor até 99 graus centígrados e que, no processo de fabricação do biodiesel, a temperatura máxima atingida é de 75 graus. Além disso, o produto resiste à pressão e sua instalação é mais simples.

Segundo Marchiori, uma fábrica completa para 30 mil litros/dia de biodiesel a partir do grão (de soja, amendoim, etc) custa 20 milhões de reais. Uma unidade com a mesma capacidade a partir do óleo vegetal sai por cerca de 7 milhões de reais.

A idéia da empresa é vender o projeto principalmente para usinas de açúcar e álcool.

"De 15 a 20 por cento do biodiesel é etanol, e as usinas têm 20 por cento de suas terras renovadas todo ano, que ficam ociosas por 6 a 7 meses e podem ser usadas para o plantio de oleaginosas", afirmou Marchiori.

O mercado externo também está nos planos da companhia, que já negocia contratos de venda da tecnologia com empresas do Canadá, da República Dominicana e do Chile.

A unidade que está sendo instalada em Piracicaba, que pertence ao próprio grupo, terá capacidade para 3 milhões de litros/ano (ou 150 mil litros/dia) de biodiesel.

Por Inaê Riveras - Reuters

Empresários lançam usina de biodiesel 100% nacional em SP

Na esteira da visita do presidente George W. Bush e das possíveis parcerias na produção de etanol, empresários brasileiros lançaram ontem, na Feira de Negócios de Bionergia (Feicana), em Araçatuba (SP), a primeira usina de produção de biodiesel com tecnologia inteiramente nacional. A usina, instalada em Piracicaba, já produz 2 mil litros por dia e pertence ao grupo Marchiori.

A nova usina é a única do País com reator fabricado no Brasil, com tecnologia 100% nacional, cuja patente pertence ao grupo que controla a usina. O reator é o componente mais importante da usina, elemento central na fabricação do biodiesel. Nas demais usinas brasileiras, os reatores foram importados, em geral, da Itália, Alemanha ou Canadá.

Uma segunda usina deverá ser instalada pela empresa detentora da patente até o final deste mês na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da USP, também em Piracicaba. Esta usina, que produzirá 200 litros/dia, foi cedida para o Pólo Nacional de Bicombustível testar novas variedades de oleaginosas. Uma terceira usina, prevista para produzir 3 milhões de litros/ano de biodiesel a partir da soja e do sebo animal, será instalada e administrada pela Marchiori em Piracicaba.

Custo

Esta usina é mais barata, mais fácil de montar e elimina etapas no processo de produção, em comparação com os modelos com reator estrangeiro. Ela custa cerca de um terço de uma usina importada. "Uma usina para 25 mil litros/dia sai por R$ 15 milhões, enquanto uma estrangeira custaria em torno de R$ 50 milhões", explica Luiz Barbosa, diretor de Energia da Marchiori.

Segundo ele, a usina usa a soja ou o sebo animal como matéria-prima e tem como matriz o etanol e o metanol. "Ela é de fibra de vidro, montada em módulos, o que possibilita a sua ampliação", explicou. Segundo Barbosa, a usina brasileira vai livrar o proprietário do pagamento de royalties e do serviço de manutenção. Ele explicou que as usinas estrangeiras são feitas em inox e aço de carbono, inadequadas para locais com temperaturas altas, como o Brasil, porque o calor faz as soldas se soltarem.

A Marchiori deverá construir outras 15 usinas até o final de 2007, com capacidade para produzir 40 milhões de litros/ano, num projeto que vai movimentar R$ 200 milhões. Duas delas serão montadas em assentamentos de reforma agrária, em Castilho e Pereira Barreto, interior de São Paulo. Elas serão alimentadas por matéria-prima produzida por 450 famílias em Castilho e 350 em Pereira Barreto.

O Estado de S. Paulo.
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