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Goiás quer estimular criações de usinas de biodiesel

Goiás se movimenta para estimular e fomentar criação de usinas de biodiesel, elevando assim a produção de grãos, reduzindo o desemprego no campo e o custo da produção agrícola.
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Goiás se movimenta para estimular e fomentar criação de usinas de biodiesel, elevando assim a produção de grãos, principalmente de soja, reduzindo o desemprego no campo e o custo da produção agrícola. Ruy Brasil, presidente do Comitê de Biocombustível do Estado de Goiás, adianta que grandes indústrias já demonstram interesse na produção do biodiesel, além dos fabricantes de álcool, que pretendem criar mais uma linha de produção contemplando o biodiesel.

As novas usinas devem ser erguidas em vários municípios do Estado, entre... eles Anápolis, São Simão, Porangatu.

A Caramuru, empresa de processamento de grãos com filial em Itumbiara e forte atuação em outros seis Estados brasileiros, anuncia investimento de R$ 26 milhões na construção de uma usina de biodiesel no município de São Simão. A expectativa de Alberto Borges de Souza, presidente da empresa, é de que a nova unidade comece a produzir já no mês de janeiro de 2007. O empreendimento vai gerar 50 novos empregos diretos e outros 1.000 indiretos, fortalecendo ainda mais o projeto de agricultura familiar.

Com os objetivos de agregar valor à matéria-prima e diversificar sua produção, a Caramuru decide expandir suas atividades no Estado, incentivada pela política do governo estadual. A nova unidade de produção de biodiesel vai utilizar principalmente o óleo de soja, já produzido em sua planta de São Simão. A meta é produzir 110 milhões de litros de biodiesel/ano e outras 12.000 toneladas/ano de glicerina bruta industrial. Ao todo, serão utilizadas 100 mil toneladas/ano de óleo vegetal.

Presente nos Estados de Goiás, Paraná, Mato Grosso, São Paulo, Bahia, Pernambuco e Ceará, o Grupo Caramuru dedica-se à industrialização de grãos, desde a produção de semente, armazenagem, degerminação, pré-cozimento de milho, extração e refino de óleos especiais de soja, milho, girassol e canola, como também na produção de farelos. Com 42 anos de mercado, a Caramuru é considerada a maior indústria nacional de processamento de soja. A usina de biodiesel surge para confirmar sua liderança no segmento e num momento em que o mercado da soja está em baixa devido à desvalorização cambial. O novo projeto do Grupo deve contar com apoio e parceria da Petrobras, que aposta em combustíveis alternativos. A Europa também é um potencial comprador do produto. A Bionasa Combustível Natural S.A. fez no mês de março o lançamento da pedra fundamental da sua indústria, já considerada a maior usina de biodiesel em construção no Centro-Oeste. As obras já estão em fase adiantada e a expectativa do presidente da empresa, Francisco Barreto, é de que a usina entre em operação no primeiro semestre de 2007. A usina terá capacidade para produzir 10 mil toneladas/ano; destas, 85 mil toneladas de biodiesel e 15 mil toneladas de glicerina, o correspondente a 6% de todo o consumo de diesel do Estado de Goiás.

A obra vai demandar investimento da ordem de R$ 40 milhões e após sua conclusão vai gerar 107 empregos diretos e outros 1.500 empregos indiretos nas proximidades de Porangatu. De acordo com Francisco Barreto, este total de empregos refere-se aos micro e pequenos produtores de soja e girassol da região, que serão fornecedores de matéria-prima para a indústria. “Nós queremos ainda promover a criação de uma associação de pequenos produtores rurais que farão o esmagamento da produção, com garantia de compra, e poderão utilizar o resíduo (bagaço) como adubo e ração”, explica.

Além do potencial produtivo goiano, o presidente da Bonasa afirma que o Estado é geograficamente estratégico no que se refere ao Brasil e até ao mundo. “Goiás é um celeiro de matéria-prima nacional e precisa agregar maior valor ao seu produto.” Francisco Barreto conta que um dos motivos que levaram a empresa a investir em Porangatu foi sua localização: próxima à Ferrovia Norte–Sul e à Belém–Brasília.

Mas quem primeiro deve abastecer o mercado com biodiesel genuinamente goiano será a Granol. A empresa possui 5 unidades industriais, uma delas em Anápolis e outras 17 regionais de compra e armazenagem de grãos, um terminal marítimo e outro fluvial, além do escritório-matriz em São Paulo. Em fase de construção, no município de Anápolis, a usina de biodiesel da Granol recebeu investimento de R$ 35 milhões e oferecerá 50 empregos diretos e outros 250 indiretos. A expectativa é de começar a produzir já no próximo mês de dezembro. A produção inicial será de 30 milhões de litros/ano, mas a capacidade de produção da usina chega a 100 milhões de litros/ano.

Adriana Calassa
Fonte: Diário da Manhã     
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