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EUA: lucro do biodiesel é incerto com alto custo de produção

Nos Estados Unidos, os lucros da fabricação de biodiesel a partir do óleo de soja são incertos devido ao fato de que a capacidade de produção do combustível renovável ultrapassou a demanda, enquanto os custos continuando subindo.
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Nos Estados Unidos, os lucros da fabricação de biodiesel a partir do óleo de soja são incertos devido ao fato de que a capacidade de produção do combustível renovável ultrapassou a demanda, enquanto os custos continuando subindo.

As vendas de biodiesel no País foram às alturas com os recordes do preço do petróleo, e com o fato de o biocombustível vir sendo promovido como baixo emissor de gases causadores do efeito estufa.

As vendas triplicaram no ano passado, atingindo 950 milhões de litros, e serão ainda maiores neste ano, de acordo com a National Biodiesel Board (NBB), representante da indústria nos Estados Unidos.

Mas o salto nas vendas teve o efeito colateral de ajudar os preços do óleo de soja, a principal matéria-prima do biodiesel americano, a beirarem um pico de 33 anos. As usinas estão operando bem abaixo da capacidade devido ao aumento de custos.

“Como regra geral, as margens para a fabricação de biodiesel estão bastante apertadas”, disse em uma entrevista Jenna Higgins, porta-voz da NBB. Segundo Higgins, alguns produtores estão com margens negativas, mas o boom do óleo de soja pode ser seguido de uma queda que ajudaria os lucros no futuro.

A porcentagem da lavoura americana de soja usada para produzir biodiesel deve chegar a 20% neste ano, seis pontos percentuais a mais do que no ano passado, disse Bill Lapp, presidente da Advanced Economics Solutions, consultoria especializada na indústria de alimentos e agricultura.

Mas mesmo isso não é suficiente para manter as usinas de biodiesel recém-construídas funcionando a pleno vapor. “Hoje, nós produzimos capacidade bem acima da habilidade do mercado de absorvê-la”, disse Lapp durante o seminário de Soja e Óleo 2007, na semana passada.

E qualquer aumento na produção de soja pode não ajudar muito já que a demanda por óleo de soja para alimento segue crescendo à medida que a população mundial aumenta, dizem especialistas.

Segundo Lapp, até mesmo o preço recorde do petróleo acima de US$ 90 o barril não deve impulsionar a demanda por biodiesel de soja como substituto do diesel mineral, já que a indústria de alimentos sempre oferecerá um preço mais alto pelo óleo do que a indústria de energia. “A indústria de alimentos sempre estará disposta a fazer o que for preciso para produzir comida”, disse.

O problema do transporte

Plantar e colher soja e transportar biodiesel demanda grandes quantidades de derivados de petróleo, o que significa que os custos devem ser puxados para cima pela alta do petróleo cru. O grande tamanho da indústria do petróleo piora ainda mais as coisas. “O biodiesel é intrinsecamente ligado ao petróleo”, disse Wallace Tyner, economista agrícola da Universidade Purdue. “Ele está ligado a um elefante.”

Os problemas no transporte de biodiesel por ferrovia ou oleoduto baixaram os preços ao manter alto o fornecimento no centro-oeste, onde a maior parte do combustível é fabricada. Mas a oferta é baixa no leste, oeste e sul, onde a demanda é alta.

Para Scott Susich, especialista em combustíveis do Instituto de Gerenciamento de Energia, existe relutância em transportar biodiesel via oleoduto por causa do medo de que ele contamine outros combustíveis.

Construir novos dutos pode ser difícil. Os principais dutos americanos foram construídos durante a Segunda Guerra por razões de segurança nacional. Desde então, muitas moradias foram erguidas nas áreas de consumo e os moradores provavelmente seriam contra a construção de novos dutos, disse Susich.

O economista Wallace Tyner estima que a capacidade ociosa pode baixar  os preços do biodiesel em 85 centavos de dólar por galão (3,8 litros). 

Para melhorar os lucros, alguns produtores estão à procura de novas matérias-primas como culturas que não competem com a alimentação e algas. “O aspecto positivo disso é o estímulo ao desenvolvimento de novas matérias-primas”, disse Higgins, da NBB, acrescentando que o uso em larga escala de novas alternativas pode estar ainda a anos de distância.

Timothy Gardner
Reuters

Tradução: BiodieselBR.com
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