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Biodiesel

Diesel ecológico


Agência UnB - 29 nov 1999 - 22:00 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

UnB realiza estudos com biodiesel e craqueamento de óleos vegetais para aprimorar tecnologias de produção

Até novembro de 2004, o governo federal pretende adicionar 2% de biodiesel – combustível alternativo produzido a partir de óleos vegetais, que não aumenta a quantidade de dióxido de carbono na atmosfera durante a combustão – ao diesel à venda em postos de combustíveis. Com a nova medida, o Brasil deve economizar cerca de 350 milhões de dólares anuais em importações. Depois da experiência, a proporção deve aumentar gradualmente até 100%. Na França, a mistura com o biodiesel a 5% é comercializada há cerca de 10 anos, enquanto nos Estados Unidos pesquisas com a mistura a 20% são testadas. Até agora os resultados são positivos nesses países.

Há duas maneiras de se transformar os óleos vegetais em biocombustíveis: a transesterificação, que combina o óleo vegetal com álcool, e o craqueamento, que quebra as moléculas do óleo formando uma mistura semelhante ao diesel de petróleo.

Na Universidade de Brasília (UnB), a obtenção de biodiesel é estudada no Laboratório de Materiais Combustíveis (LMC), do Instituto de Química (IQ). Pesquisadores estudam a transesterificação de óleos catalisadas com óxidos metálicos. “Atualmente, os pesquisadores e no setor produtivo utilizam como catalisador da reação que gera o biodiesel a soda cáustica. Entretanto, a reação tem o inconveniente de gerar sabão e dificultar a separação do biodiesel da glicerina, um subproduto da reação”, explica o professor Paulo Anselmo Ziani Suarez, engenheiro químico envolvido nos estudos. Por enquanto não foram realizados testes a partir desse biodiesel em veículos, pois as pesquisas estão focadas no desenvolvimento de novos catalisadores para a produção do biodiesel.

QUEBRA – A outra linha de pesquisa é o craqueamento de óleos vegetais também para produção de biocombustível. Esse processo consiste na quebra do óleo numa mistura de várias moléculas, similar à mistura que constitui o petróleo, pelo aumento da temperatura e uso de catalisadores. O grupo de pesquisas do LMC trabalha para desenvolver uma planta que permita a produção de biocombustível por craqueamento de óleos vegetais em pequena escala, que já foi patenteado pela UnB em parceria com a Empresa de Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). A construção de instalações específicas ficará perto da Faculdade de Ciências da Saúde (FS). A inauguração ocorrerá até o final de 2004. A planta prevê a produção de 200 litros/dia de biocombustível em uma mini-usina.

FABRICAÇÃO PRÓPRIA – São parceiros da universidade nessa iniciativa a Fundação Universitária de Brasília (Fubra) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT). O modelo poderá ser replicado para outras comunidades, que passarão a fabricar seu próprio combustível. A partir daí serão verificados o desempenho, o consumo e a potencialidade do biodiesel a partir do óleo craqueado.

Com esse procedimento pode-se obter combustível a partir de qualquer óleo vegetal, além de promover o desenvolvimento sustentável de regiões mais pobres do país. Por exemplo, no semi-árido, poderia ser produzido um combustível a partir do óleo de mamona e, no Norte, a partir do óleo de dendê. Na UnB, já foram testados o óleo residual de fritura do trailer Pruscoco (localizado na ala sul do ICC), o óleo de soja, de mamona, de dendê, de andiroba e de pequi, e muitos outros originados do Centro-Oeste, Nordeste e Norte do país. O projeto já recebeu verba de R$ 250 mil do MDA e R$ 200 mil do MCT.

Além disso, como todo combustível a ser usado de forma responsável, os biocombustíveis devem apresentar um padrão mínimo de qualidade. Assim, o grupo também realiza no LMC, sob a coordenação do professor Joel Camargo Rubim, estudos para desenvolver novas metodologias de análise para esses biocombustíveis.

Junto com algumas universidades do país e representantes do setor produtivo, os pesquisadores do LMC têm participado do Grupo Interministerial encarregado de discutir a implementação do uso do biodiesel no Brasil.

A briga pelo petróleo é antiga. O mundo todo depende desse combustível fóssil. Só o Brasil importa cerca de seis bilhões de litros de diesel (derivado do petróleo) por ano ao custo de um bilhão de dólares e consome aproximadamente 37,6 bilhões de litros por ano, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O diesel é mais barato que a gasolina pois é subsidiado, mas só pode ser colocado em veículos pesados (cerca de uma tonelada e meia). Entretanto, tem o inconveniente de poluir muito mais que a gasolina e o álcool.