A perspectiva de o Brasil se tornar o maior produtor mundial de alimentos é um elemento que causa admiração e resistência no mercado externo. “Há no mundo inteiro um certo temor do Brasil agrícola”, disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, ontem (23) no primeiro dia do 4° Congresso Brasileiro de Agribusiness, que discute as tendências mundiais do agronegócio, em São Paulo.
“Somos competitivos e competentes. E isto causa uma reação em outros mercados”, garantiu. De acordo com o ministro, é preciso que haja um desenvolvimento sustentável, com estímulo à produtividade e sanidade. “Entre as nossas prioridades estão o desenvolvimento de tecnologia, utilização de agroenergia, qualidade e agregação de valor aos produtos e melhorias na política agrícola”, afirmou o ministro.
Rodrigues destacou que vivemos o começo de uma nova era, onde a biomassa voltará a ser a grande fonte de energia do mundo. "A produção de biocombustível proporciona ganhos ambientais e econômicos enormes. Qualquer país pode produzir biocombustível, o que resultaria numa redução da distância entre ricos e pobres", justificou.
O ministro lembrou também que a transformação do etanol em uma nova commoditie será um ótimo negócio para os países tropicais que dispõem de luz, terra, tecnologia e água o ano todo. Lembrou também que no momento o Brasil está investindo em pesquisas para aperfeiçoar cada vez mais a utilização os motores flex-fuel, que em maio de 2005 já representaram 51% das vendas de automóveis nacionais.
Novas barreiras
A diretoria da Associação Brasileira de Agrobusiness (Abag) destacou o surgimento de novas barreiras que podem boicotar o desenvolvimento do agronegócio brasileiro no comércio internacional. “Dentro de poucos anos todas as barreiras tarifárias devem cair. As novas barreiras serão sociais e ambientais”, garantiu a diretora executiva da Abag na região de Ribeirão preto, Mônica Bergamaschi.
Segundo ela, as ocorrências de trabalho escravo e o não cumprimento da legislação ambiental, que precisa ser revista urgentemente, serão responsáveis pelo entrave. Uma das ações para evitar o problema, que não deve tardar a surgir, é o monitoramento por satélite de todo a área da Amazônia, identificando tecnicamente a área agricultável. “É preciso sair do 'achismo'. Por isso precisamos de uma definição técnica”, garantiu.
Segundo ela, o projeto de monitoramento já está sendo desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Gargalos
"A logística e a infra-estrutura são hoje o calcanhar de Aquiles do agronegócio brasileiro", afirmou o presidente da Abag, Carlo Lovatelli. "Cerca de 60% do nosso transporte é rodoviário. Ainda mantemos a mesma estrutura de 30 mil quilômetros de ferrovias de 60 anos atrás. Sem contar que temos um déficit de armazenagem de 37 milhões de toneladas", explicou o presidente da Abag.
De acordo com Lovatelli, o desafio do agronegócio brasileiro não está concentrado em poucas coisas, como o problema da quebra de 18,2 milhões de toneladas na safra de grãos 2004/2005. “Este fator é cíclico e a gente sabe que será superado. Todos estão tentando ajudar, governo, bancos e fornecedores. Mas o Brasil carece de ferramentas que compensem imprevistos como estes”, argumentou.
Na avaliação de Lovatelli, é preciso abrir mais mercados para a venda de produtos no exterior e superar os altos custos de tributação e a enorme burocracia que dificulta qualquer processo no país.
O presidente da Abag também chamou a atenção para a preservação ambiental que, segundo ele, pode ser usada para limitar a atuação do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), já que as barreiras não tarifárias passaram a ser o campo mais fértil de questionamento comercial.
Lovatelli também abordou a importância da bioenergia e da sustentabilidade para o setor. “Nós já temos programas para o etanol e o biodiesel para consumo doméstico e exportação. Sem dúvida, esse é o grande negócio do futuro no setor do agronegócio”, garantiu.
Números
O agronegócio brasileiro assume um papela cada vez maior na economia nacional. O setor gera mais de 37% dos empregos no território nacional, responde por 34% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 42% das exportações.
O país é o primeiro exportador mundial de produtos como soja, café, açúcar, suco de laranja, tabaco e carne bovina e de frango. O Brasil também detém o quarto lugar nas exportações agrícolas mundiais, com uma taxa média de crescimento acima de 6% ao ano.
O congresso
O encontro promovido pela Abag termina hoje, no Hotel Gran Meliá, na capital paulista. Com o tema Alimentos, Energia e Sustentabilidade, contará com painéis de empresários como Antonio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, Josué Christiano Gomes da Silva, da Coteminas, e Mário Barbosa Neto, da Bunge Fertilizantes.
“Somos competitivos e competentes. E isto causa uma reação em outros mercados”, garantiu. De acordo com o ministro, é preciso que haja um desenvolvimento sustentável, com estímulo à produtividade e sanidade. “Entre as nossas prioridades estão o desenvolvimento de tecnologia, utilização de agroenergia, qualidade e agregação de valor aos produtos e melhorias na política agrícola”, afirmou o ministro.
Rodrigues destacou que vivemos o começo de uma nova era, onde a biomassa voltará a ser a grande fonte de energia do mundo. "A produção de biocombustível proporciona ganhos ambientais e econômicos enormes. Qualquer país pode produzir biocombustível, o que resultaria numa redução da distância entre ricos e pobres", justificou.
O ministro lembrou também que a transformação do etanol em uma nova commoditie será um ótimo negócio para os países tropicais que dispõem de luz, terra, tecnologia e água o ano todo. Lembrou também que no momento o Brasil está investindo em pesquisas para aperfeiçoar cada vez mais a utilização os motores flex-fuel, que em maio de 2005 já representaram 51% das vendas de automóveis nacionais.
Novas barreiras
A diretoria da Associação Brasileira de Agrobusiness (Abag) destacou o surgimento de novas barreiras que podem boicotar o desenvolvimento do agronegócio brasileiro no comércio internacional. “Dentro de poucos anos todas as barreiras tarifárias devem cair. As novas barreiras serão sociais e ambientais”, garantiu a diretora executiva da Abag na região de Ribeirão preto, Mônica Bergamaschi.
Segundo ela, as ocorrências de trabalho escravo e o não cumprimento da legislação ambiental, que precisa ser revista urgentemente, serão responsáveis pelo entrave. Uma das ações para evitar o problema, que não deve tardar a surgir, é o monitoramento por satélite de todo a área da Amazônia, identificando tecnicamente a área agricultável. “É preciso sair do 'achismo'. Por isso precisamos de uma definição técnica”, garantiu.
Segundo ela, o projeto de monitoramento já está sendo desenvolvido em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Gargalos
"A logística e a infra-estrutura são hoje o calcanhar de Aquiles do agronegócio brasileiro", afirmou o presidente da Abag, Carlo Lovatelli. "Cerca de 60% do nosso transporte é rodoviário. Ainda mantemos a mesma estrutura de 30 mil quilômetros de ferrovias de 60 anos atrás. Sem contar que temos um déficit de armazenagem de 37 milhões de toneladas", explicou o presidente da Abag.
De acordo com Lovatelli, o desafio do agronegócio brasileiro não está concentrado em poucas coisas, como o problema da quebra de 18,2 milhões de toneladas na safra de grãos 2004/2005. “Este fator é cíclico e a gente sabe que será superado. Todos estão tentando ajudar, governo, bancos e fornecedores. Mas o Brasil carece de ferramentas que compensem imprevistos como estes”, argumentou.
Na avaliação de Lovatelli, é preciso abrir mais mercados para a venda de produtos no exterior e superar os altos custos de tributação e a enorme burocracia que dificulta qualquer processo no país.
O presidente da Abag também chamou a atenção para a preservação ambiental que, segundo ele, pode ser usada para limitar a atuação do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), já que as barreiras não tarifárias passaram a ser o campo mais fértil de questionamento comercial.
Lovatelli também abordou a importância da bioenergia e da sustentabilidade para o setor. “Nós já temos programas para o etanol e o biodiesel para consumo doméstico e exportação. Sem dúvida, esse é o grande negócio do futuro no setor do agronegócio”, garantiu.
Números
O agronegócio brasileiro assume um papela cada vez maior na economia nacional. O setor gera mais de 37% dos empregos no território nacional, responde por 34% do Produto Interno Bruto (PIB) e por 42% das exportações.
O país é o primeiro exportador mundial de produtos como soja, café, açúcar, suco de laranja, tabaco e carne bovina e de frango. O Brasil também detém o quarto lugar nas exportações agrícolas mundiais, com uma taxa média de crescimento acima de 6% ao ano.
O congresso
O encontro promovido pela Abag termina hoje, no Hotel Gran Meliá, na capital paulista. Com o tema Alimentos, Energia e Sustentabilidade, contará com painéis de empresários como Antonio Ermírio de Moraes, do grupo Votorantim, Josué Christiano Gomes da Silva, da Coteminas, e Mário Barbosa Neto, da Bunge Fertilizantes.