Cresce a produção de girassol em SP
Em 2003, o Estado de São Paulo produziu 2.936 toneladas de girassol numa área de 1.960 hectares, segundo o Instituto de Economia Agrícola (IEA-SP), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. A maior parte dessa produção foi usada para alimentar pássaros e pequenos roedores ornamentais.
No ano passado, porém, o volume produzido saltou para 12.948 toneladas, em 6.679 hectares e, este ano, deve chegar a 30 mil toneladas em 16 mil hectares. O destino das sementes já não será o comedouro de pássaros. As sementes do girassol serão trituradas em prensas para a extração de um dos melhores óleos usados na culinária.
Os novos plantios, no Estado, estão se concentrando no oeste, norte e centro-oeste, principalmente nas regiões de Ourinhos, Assis, Marília, Bauru e Araçatuba. As sementes são de origem argentina e custam, em média, R$ 28 por hectare. O País já dispõe, porém, de variedades desenvolvidas aqui, pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati), ambos da Secretaria de Agricultura paulista. O IAC desenvolveu a variedade iarama, com teor de óleo de 42%. Já a Cati desenvolveu a catissol, com mais de 40% de óleo. Ambas são vendidas nos postos de sementes da Secretaria de Agricultura.
CANAVIAIS
Uma das melhores perspectivas para o girassol no Estado de São Paulo é a sua introdução no sistema de rotação com a cana-de-açúcar - a lavoura de girassol vem se ampliando, aliás, justamente onde há novas áreas de expansão de cana, como em Araçatuba, que vem abandonando gradativamente seu perfil pecuarista.
Estudo da pesquisadora Maria Regina Ungaro mostrou que a planta leva vantagem, em relação a outras opções, para a reforma dos canaviais, que se torna obrigatória após alguns cortes. O custo de produção é mais baixo do que culturas como o milho, o amendoim e a soja. Segundo a pesquisadora, o girassol protege a área, diminuindo a perda do solo e de nutrientes pela chuva e induzindo a menor gasto com herbicidas.
Também aumenta a disponibilidade de nutrientes para a cana, elevando a produtividade. No Estado de São Paulo, os canaviais ocupam cerca de 500 mil hectares e a pesquisadora calcula que 25% sejam renovados anualmente. Isso representaria um potencial de 125 mil hectares anuais para a cultura. Há alguns fatores restritivos, como o foco principal do produtor na própria cana, o que o levaria a optar por cultura de ciclo mais rápido, e a utilização de herbicidas, que têm longo efeito residual nos canaviais.
BIODIESEL
Segundo o agrônomo Adivaldo Favaro, apesar dessas restrições, os produtores de cana-de-açúcar estão mostrando interesse pela cultura. Ele acrescenta que o girassol é cotado também para a produção do biodiesel, um combustível alternativo. "De maneira geral, as perspectivas para a cultura são muito boas", diz Favaro.
Além da cana, em regime de rotação de culturas o girassol também pode beneficiar outras lavouras, pois a planta exerce uma função importante como melhoradora do solo. Suas raízes, com até 2 metros de profundidade, vão muito mais fundo do que as raízes das culturas tradicionais, como soja, milho e trigo.
"O sistema radicular do girassol absorve os nutrientes que foram levados para maiores profundidades, deixando-os próximos da superfície para serem absorvidos por outras plantas", diz o agrônomo Roberto Fleury Novaes Júnior.
Além disso, segundo ele, as raízes do girassol são excelentes colonizadoras de microrrizas, fungos benéficos que aumentam a capacidade da planta de absorver nutrientes. "Por isso, a planta é excelente opção em um programa de rotação de culturas."
Ele cita experimentos da própria pesquisadora Maria Regina, demonstrando que as lavouras de soja plantadas após a colheita do girassol apresentaram produtividade 15% maior. A cana também ganhou 15%, e o teor de açúcar foi aumentado. Já o ganho em produtividade no milho chegou a 30%.


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