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Brasil pode dobrar produção de biodiesel

O Brasil tem capacidade de dobrar a produção para o próximo ano, quando passa a ser obrigatório o uso de 2% do óleo no diesel produzido a partir do petróleo.
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O Brasil tem capacidade de dobrar a produção para o próximo ano, quando passa a ser obrigatório o uso de 2% do óleo no diesel produzido a partir do petróleo.
 
O aquecimento global e a necessidade de diminuir a emissão de gases na atmosfera levaram o homem a buscar alternativas para o problema. Uma delas foi a criação do biocombustível, que, além de ser renovável, quase não polui.

Atualmente, o Brasil produz 400 milhões de litros de biodiesel e tem capacidade de dobrar a produção para o próximo ano, quando passa a ser obrigatório o uso de 2% do óleo no diesel produzido a partir do petróleo.

“Hoje, produzimos em torno de 400 milhões de litros de biodiesel, que vão ser misturados em 40 milhões de toneladas de diesel. Temos capacidade de produzir 800 milhões de litros e, quando chegar 2010, vamos precisar de 5%, o que representa 2,5 bilhões de litros de óleo vegetal transformado”, afirma o pesquisador e engenheiro agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Soja), Amélio Dall’agnol.

Para o pesquisador, o país vive um momento “excelente”, com boas oportunidades para crescer na produção de oleaginosas (algodão, soja, mamona, dendê, girassol, canola).

“O Brasil tem as melhores condições de produzir cultivares que geram óleo vegetal. Nós somos o grande produtor de biocombustíveis. A demanda da Europa e dos Estados Unidos tende a aumentar, pelo fato de o combustível ser renovável”.

De acordo com Dall’agnol, as reservas de petróleo conhecidas no mundo duram apenas 45 anos. Se houver forte aumento da demanda por petróleo e a indústria pagar preços justos, Dall’agnol acredita que, em um futuro próximo, o Brasil passe a consumir 100% de biodiesel.

Ele afirma que o país tem capacidade de produzir oleaginosas tanto para alimentação (como acontece atualmente) quanto para produção do combustível natural.

“Não vai faltar comida. Nós (o Brasil) temos terra, tecnologia e capacidade para produzir os alimentos que a sociedade demandar e os oleaginosas para biocombustível”, analisa.

A maior parte da produção vem da agricultura familiar. A Embrapa Meio Ambiente está desenvolvendo um estudo sobre os impactos ambientais da produção das oleaginosas.

“Nosso enfoque é na agricultura familiar, para preparar os produtos com boas práticas e menor impacto negativo sobre a natureza. O óleo, se não tiver o controle de resíduos, pode ser forte poluente”, afirma Cláudio Buschinelli, pesquisador da Embrapa.

Em dezembro, a cidade de Montes Claros, no Norte de Minas, vai receber uma usina da Petrobras para a produção do biodiesel. Até o momento, a produção de oleaginosas é voltada para o mercado alimentício.

“Estamos estudando o que o governo (estadual) pode fazer em relação ao biodiesel. Montamos propostas para ações pontuais no Estado. Minas tem o clima propício para as principais culturas”, afirmou Lucas Carneiro, diretor executivo do Comitê de Política Estadual do Biodiesel.

SIMONE BOMFIM
O Tempo - MG
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