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Projeto pioneiro ainda está no papel

Em Uberlândia, de onde partiu uma das iniciativas pioneiras visando à produção do novo combustível, o projeto ainda não saiu do papel.
Correio de Uberlândia 5 min de leitura
Em todo o Brasil, há projetos avançados de produção, inclusive fábricas, desta nova fonte de energia, que promete, entre outros resultados, gerar impactos positivos para o meio ambiente. Mas, em Uberlândia - de onde partiu uma das iniciativas pioneiras visando à produção do novo combustível -, o projeto ainda não saiu do papel.

Logo depois que o governo federal lançou o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), há dois anos, o Instituto Volta ao Campo (IVC) elaborou o projeto de implantação da fábrica Bio Udi; uma unidade destinada à produção de biodiesel, com capacidade para produzir 3 milhões de litros por ano.

A indústria foi anunciada oficialmente pela Prefeitura, em dezembro de 2004. Na época, o município chegou a assinar convênios com o Ministério de Desenvolvimento Agrário e com o Incra para a prestação de assistência técnica aos produtores de matéria-prima. Mas qual foi o empecilho, se toda a parte burocrática já foi resolvida e se o novo combustível tem mercado garantido?

Conforme explicou o diretor do ICV, José Clastode Martelli, a fábrica está regulamentada e tem, até, a área para a construção, que foi doada pela Prefeitura. Mas falta o parceiro que vai levantar os recursos necessários com o BNDES, cerca de R$ 20 milhões.

De acordo com o diretor, os quatro sócios, sendo três cooperativas e a empresa a Seedes Indústria e Comércio de Óleos Vegetais, têm dificuldades burocráticas para fazer o financiamento. Segundo José Martelli, há conversas avançadas com outras empresas que poderão se tornar parceiras na produção de biodiesel, em Uberlândia.

Conforme prevê o projeto, a unidade terá um diferencial em relação às fábricas que já estão em funcionamento, em que os produtores de vegetais oleoginosos apenas vendem suas produções aos industriais. Ao contrário disso, a Bio Udi terá 60% de participação de pequenos agricultores reunidos em três cooperativas. Os 40% restantes serão de propriedade da empresa parceira.

Na região, os principais vegetais que podem ser transformadas em biodiesel são a soja, amendoim, girassol, mamona e o pinhão manso, considerado uma excelente matéria-prima, pelo baixo custo e pelas facilidades de produção. Os agricultores costumam plantar o vegetal na entressafra somente o descanso do solo.

Mercado

Realidade na Europa e nos Estados Unidos, o biodiesel já tem mercado garantido também no Brasil. Além das empresas que já adotaram o combustível em suas frotas, a Petrobras será obrigada a adicionar o produto no diesel de origem mineral disponibilizado nas bombas.

Para atender à legislação, será necessário adquirir até 2008 cerca de 800 milhões de litros de biodiesel, o que corresponde a 2% da produção atual de diesel, cerca de 40 bilhões de litros por ano. Em 2013, o percentual obrigatório da mistura sobe para 13%.

Com a crescente preocupação em preservar o meio ambiente, a tendência é que os setores público e privado optem cada vez mais pelo combustível de queima limpa, produzido a partir de vegetais oleoginosos. O que pode impedir este avanço ainda é a falta do produto, como ocorre no Município de Uberaba.

A Câmara Municipal do município vizinho aprovou uma lei que obriga a Prefeitura e as empresas concessionárias do transporte urbano de passageiros a utilizar o biodiesel na quantidade mínima de 2% do volume de diesel, a partir de 1º de julho. Mas, de acordo com o subsecretário de Desenvolvimento, Luiz Fernando Gobbo, a medida não será adotada de imediato porque não há o produto disponível no mercado.

Conforme informou, há projetos para a instalação de duas fábricas de biodiesel em Uberaba, mas ainda não há estimativas de quando a produção será iniciada. Enquanto isso, a data prevista na lei não tem nenhuma validade, já que, no caso de falta do produto, Prefeitura e empresas de ônibus ficam desobrigadas a fazer a mistura.

Ainda conforme consta na nova legislação, os dois setores deverão aumentar o percentual de uso do biodiesel para 5%, a partir de 1º de janeiro de 2010. Pela frota atual, a medida abrangeria 90 ônibus e cerca de 100 veículos da Prefeitura.

Caramuru Alimentos investe R$ 26 milhões em fábrica em Goiás

Atraída pelo futuro promissor do biodiesel, a Caramuru Alimentos vai diversificar suas atividades com a produção do combustível natural. A empresa está investindo R$ 26 milhões na construção de uma fábrica em Itumbiara (GO) e, para garantir o fornecimento de matéria-prima, vai propiciar o cultivo de 25 mil hectares, o que vai beneficiar cerca de 2 mil produtores rurais.

De acordo com José Clastode Martelli, que presta assessoria à Caramuru, pelo Instituto Volta ao Campo (IVC), o projeto vai abranger 27 municípios do sul de Goiás. Com tradição no processamento de soja, a empresa vai utilizar a mesma matéria-prima para a produção de biodiesel.

A meta é produzir 110 milhões de litros por ano, o que representa 1/8 do volume que a Petrobras precisa para fazer a mistura de 2% no diesel, a partir de 2008. Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, os investimentos em 29 usinas de biodiesel já superam R$ 600 milhões. Sete unidades já estão em funcionamento.
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