Biodiesel impulsiona o girassol
Embora o Brasil importe da Argentina 90% do girassol para a produção de óleo de cozinha, foi o lançamento do Programa Nacional de Biodiesel, em dezembro do ano passado, que fez com que agricultores de diversas partes do país se mobilizassem. Em algumas regiões, a área plantada mais do que dobrou da safra passada para cá.
O cultivo também está sendo considerado uma boa alternativa para produtores de diversas regiões no Rio Grande do Sul. A cultura, além de ter maior tolerância a seca, apresenta um atrativo a mais: a produção de biodiesel. No Estado, as lavouras estão em período de implantação, mas a estimativa da Embrapa é de que a área fique em 15 mil hectares, contra 8,5 mil do ano passado.
Agora, com as normas do Programa Nacional de Biodiesel, uma nova oportunidade, principalmente para a pequena propriedade, é a venda para as usinas que irão produzir o combustível. Uma empresa já anunciou seu interesse de construir uma usina no município de Passo Fundo e aguarda recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para dar início ao empreendimento ainda este ano.
- Para receber o selo de Combustível Social, que garante menor incidência de tributos, as empresas terão que comprar pelo menos 30% dos grãos de agricultores familiares - comemora o assessor da Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado (Fetag), Valdecir Zonin, lembrando que a entidade promoverá na segunda-feira, em Porto Alegre, um encontro para debater o biodiesel.
Mas o cultivo tem ainda outros usos. Os mercados de ração para pássaros e roedores e para confeiteiro também podem absorver a produção. Além disso, a Embrapa Soja de Londrina está desenvolvendo variedades de girassol colorido para o mercado de paisagismo e floricultura.
O ciclo médio de 120 dias -, quem planta agora pode colher em dezembro e implantar a safra de verão com um pequeno atraso -, também atrai novos adeptos. A época ideal para o cultivo do girassol no Estado fica entre 15 de julho e os primeiros dias de setembro.
A profundidade do sistema radicular do girassol, que pode chegar a um metro, é apontada como outro benefício. César de Castro, pesquisador da Embrapa Soja de Londrina, explica que isso melhora as condições do solo.
- As raízes do girassol fazem com que a planta busque água e nutrientes em níveis mais profundos, melhorando a porosidade do solo e tornando a cultura mais tolerante a seca - complementa.
Um exemplo desse aspecto melhorador de solo está no potássio. Para cada tonelada de grão retirada da lavoura, o girassol deixa na área 110 quilos do nutriente. Isso sem falar na produção de palha, que ajuda na formação de matéria orgânica do solo.


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